terça-feira, 4 de novembro de 2008

Quem Escolhe Quem
Silas Roberto

Aos meus queridos alunos da E.T.T.E.D.

Eleição é, na teologia calvinista, a “escolha divina de certos indivíduos para a salvação”.

2 Tessalonicenses 2:13 - Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade...

Efésios 1:4,5 - assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade...


Não parece haver divergência entre calvinistas e arminianos de que a eleição é uma doutrina bíblica. A divergência ocorre quanto ao que motiva a escolha divina, que lhe conferirá o caráter incondicional ou condicional. Como pano de fundo está o esforço humano em harmonizar a soberania e a liberdade humana.


No calvinismo – o seu segundo ponto [referente ao "U" - Unconditional Election - do acróstico TULIP] diz que a eleição é INCONDICIONAL. Isso significa dizer que Deus baseou Sua escolha na Sua soberana, santa e livre vontade.

2 Timóteo 1:9 [Deus] que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos (cf. Ef. 1:4).

Salmo 65:4 bem-aventurado aquele a quem escolhes, e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios. (cf. João 15:16)


No arminianismo – um dos pontos do arminianismo, em oposição ao calvinismo, é que a eleição é CONDICIONAL. Isso quer dizer que Deus baseou Sua escolha na Sua presciência. Em outras palavras, Deus previu que alguns homens creriam em Cristo, assim os elegeu.

1 Pedro 1:1,2 - Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas.

Romanos 8:29,30 - Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

Há muitos e bons motivos para discordarmos da tese arminiana, entre eles, os seguintes:

Essa teoria faz do homem, não Deus, o autor da eleição. Ora, se Deus escolhe aqueles que previu que iriam crer até o fim, logo, Deus só elege aqueles que primeiro o escolheram – mesmo que ainda não existissem. Mas as Escrituras deixam bem claro que Deus é o agente na eleição, isto é, é Ele quem escolhe, não nós: Dt. 4:37; 7:6,7,8; 10:15; 14:2; Sl. 33:12; 65:4; Is. 43:7,10; Mt. 11:27; Mc. 13:20; Lc. 18:7; Jo. 6:37-44,65; 13:18; 15:16,17; 17: 6 segs; At.. 13:48; Rm.8:28-30; 9:11; Ef.1:4-5; 2 Tes;2:13; 1 Tm.1:9; 1 Jo.4:9.


Essa teoria vulgariza a presciência divina como mera previsão de atos. A Bíblia mostra que “presciência” divina não é mera previsão de Atos. Quem consultar Romanos 8:28-30 com muita atenção perceberá que não são os atos dos homens que são “conhecidos de antemão”, mais os homens – “daqueles”, “chamados”, (v.28), “aos”, “os”, (v.29), “aos, “a esses”, “aos”, “a esses”, “aos”, “a esses”, (v.30). Daí, podemos dizer que a presciência divina tem por objeto os homens, não atos. Depois, ainda em Romanos 8:28-30, é preciso perceber que a presciência é segundo o “propósito” divino, veja o final do v.28 que está ligado ao v.29 pela conjunção “porquanto”. O que Paulo declara nos vv. 29-30 é um desenvolvimento do que declarou no v.28, isto é, de que Deus formou Seu propósito e de acordo com este, conheceu de ante mão, predestinou, chamou, justificou e glorificou os eleitos, cf. Rm. 9:11; Ef. 1:11; 1 Tm. 1:9. Pedro não difere de Paulo sobre isso, 1 Pe. 1:1,2. De imediato fica estabelecido a identidade daqueles que Deus pré-conhece ( “aos eleitos que são forasteiros...”, v.1), não seus atos. Depois, a palavra “presciência” que ocorre neste texto tem um pano de fundo judaico que não pode ser desprezado. O verbo hebraico “yada” –lit. “conhecer”, aclara o sentido do termo grego “prognosis” que o apóstolo Pedro usa. O sentido do termo não é apenas “conhecer de antemão”, mas sim um conhecimento seletivo [íntimo] que considera alguém com favor, fazendo-o objeto de amor, Gn. 18:19; Jr.1:5; Am.3:2. Daí, “presciência” aproxima-se da idéia de predestinação.


Essa teoria inverte a ordem das coisas, faz da fé a causa, não o efeito da eleição. As Escrituras deixam claro que a fé não é a causa da eleição, mas seu efeito, At. 13:48. O texto citado não diz “todos os que creram foram destinados à vida eterna...” ou como está na tradução deturpada das Testemunhas de Jeová “todos os corretamente dispostos para com a vida eterna tornaram-se crentes”. O testemunho bíblico é “creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna”. Fé salvífica é uma dádiva divina, uma conseqüência da eleição, não sua causa. (Ef. 2:8,10; Tt. 1:1-3).


Esta teoria faz a salvação pela obras, não pela graça. Se Deus elegeu aqueles que previu que creriam, logo, a salvação é por méritos, não por graça. Os que pensam assim fazem Deus devedor do homem. O testemunho bíblico é este: “pela graça sois salvos....para que ninguém se glorie” (Ef.2:8,9).



Poderíamos multiplicar os argumentos, mas o espaço não nos permite. Fica claro que a ELEIÇÃO É INCONDICIONAL, segundo o testemunho das Escrituras. Assim, a resposta que se oferece à pergunta “em que se baseia a eleição?” é respondida de acordo com as palavras de Paulo “o beneplácito da Sua vontade” (Ef. 1:5). E se alguém tenta ir adiante, no dizer de João Calvino, “é sumamente iníquo meramente investigar as causas da vontade de Deus. Porque sua vontade é e certamente deve ser a causa de todas as coisas...”.


Soli Deo Glória