quarta-feira, 3 de junho de 2009

William Guthrie (1620-1665)


Silas Roberto Nogueira


Adaptado do livro Meet the Puritans por Joel R. Beeke, que a PES publicará em breve sob o titulo “Paixão pela Pureza”, que contém cento e cinquenta breves biografias dos mais proeminentes puritanos, uma análise de suas obras e

as que ainda estão disponíveis.








Pedimos as orações dos leitores

pela saúde do tradutor desta

e de tantas outras obras,

o Pr. Odayr Olivetti.





William Guthrie nasceu em 1620, filho James Guthrie, Laird de Pitforthy, Angus. Era o mais velho de cinco irmãos, dos quais três se tornaram ministros do evangelho.



William Guthrie estudou na Universidade de St. Andrews, recebendo o grau de Mestre em Artes em 1638. Na mesma instituição estudou teologia tendo como professor Samuel Rutherford, que Deus usou para levá-lo à salvação bem como para o ministério.




Consciente do seu chamado ao ministério, William cedeu os direitos de sua herança a um irmão mais novo a fim de poder dedicar-se ao ministtério sem cuidados terrenos. Em 1642, William recebeu, pelo presbitério de St. Andrews, uma licença para pregar. Em 1644 foi ordenado como ministro em Fenwick, uma paróquia de Ayshire.




As condições da paróquia eram terríveis. Imperava a ignorância, as pessoas não temiam a Deus e muitos aldeães se recusavam a comparecer aos cultos ou mesmo realizar cultos em família. Mesmo assim, William serviu diligente e zelosamente como pastor naquele lugar.



Sob os vinte anos de seu ministério em Fenwick, a cidade recebeu um novo derramamento do Espírito Santo. A nova igreja chegou a estar repleta, centenas de pessoas renasceram e cresceram na graça e no conhecimento de Cristo Jesus. George Hutcheson, que assistia William Guthrie na celebração da Ceia do Senhor, disse que, se houve uma igreja de santos na face da terra, foi em Fenwick.



Guthrie casou-se com Agnes Campbell, um ano depois de estar estabelecido em Fenwick. Pouco tempo depois do seu casamento foi convocado para servir como capelão do exército escocês, durante a Guerra Civil.



O trabalho de Guthrie era marcado pelo zelo e coragem. Em certa ocasião, quando alguns soldados que não estavam devidamente habilitados a participarem da Ceia do Senhor se acercaram da mesa para tomarem parte na Ceia, Guthrie falou-lhes com tão amorosa seriedade que eles imediatamente voltaram a seus lugares.



Em 1649, Guthrie foi designado para compor uma comissão que deveria visitar a universidade de Glasgow. Mais tarde tornou-se um dos examinadores encarregados de aprovar ministros e preletores antes que eles assumissem posições eclesiásticas.



Em 1658 Guthrie publicou alguns dos seus sermões sob o título The Christian’s Great Interest (O grande interesse do cristão). John Owen, afamado puritano, ficou muito impressionado com esses escritos e disse a Guthrie que seu pequeno livro continha mais teologia do que todos os que ele, Owen, havia escrito.



Em 1644, o arcebispo de Glasgow, que estivera embaraçado com a recusa de Guthrie a submeter-se ao episcopado e com inveja das multidões que iam aos cultos nos quais ele pregava, privou-o do seu ministério.



O último sermão de Guthrie antes de ser preso, estava baseado em Oséias 13.9 levou toda a congregação às lágrimas. Ao meio-dia os soldados chegaram, e ele disse a um deles: “O Senhor perdoe o seu apoio a esta ação”. O soldado respondeu: “Espero nunca cometer maior falta” e Guthrie respondeu: “um pequeno pecado pode condenar nossa alma”.



William Guthrie faleceu em 10 de outubro de 1665, com a idade de quarenta e cinco anos, deixou vivas a sua mulher e duas filhas, quatro dos seus filhos o precederam na morte.



Em 1854 um memorial foi erguido para Guthrie em Fenwick e em 2005 uma placa foi colocada na Catedral de Brechin pela Scottish Covenanter Memorials Association.



Embora muitos escritos de Guthrie tenham sido confiscados e destruídos, uma coleção de dezessete dos seus sermões foi impressa em 1779 e depois em 1880. O livro The Christian’s Great Interest é um clássico sobre a certeza da fé e ainda está disponível, sendo reimpresso mais de oitenta vezes e traduzido para diversas línguas.



Em português uma versão resumida deste livro foi preparada por Roger Devenish foi publicada pela PES (Publicações Evangélicas Selecionadas) com o título “As Raízes de Uma Fé Autêntica”. O livro foi dividido em duas seções. A primeira parte busca responder a pergunta: “Que é um Cristão?” e oferece diversos testes bíblicos para uma pessoa saber se é cristã ou não. A segunda parte fala como podemos alcançar um interesse salvífico em Cristo, isto é, “Como se tornar cristão”. O desejo de Guthrie ao escrever era o de "persuadir pessoas a crerem que todas essas coisas são verdadeiras, de modo que se apressem em ir à Cristo, que vem, Ele mesmo, para julgar o mundo quanto a suas atitudes para com essas verdades".



Este é um livro maravilhoso para os que estão buscando certeza espiritual, embora em uma versão resumida e simplificada. Thomas Chalmers afirmou “o melhor livro que já li”. John Owen (1616-1683) [ veja post "O Princípe dos Puritanos"] disse "creio que o autor foi um dos maiores teólogos que já escreveu; sempre o tenho comigo. Escrevi muitos livretos mas há mais teologia neste livro que em todos os meus".


Soli Deo Gloria.