terça-feira, 28 de julho de 2009

As Mega Churches e a Titan Arun


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Silas Roberto Nogueira

Você já ouviu falar na “amorphophallus titanum” ou “titan arum”? É considerada a maior flor do mundo, chegando a atingir três metros e mais de setenta quilos. Ela é originária das florestas tropicais da Sumatra, uma ilha da Indonésia. Segundo as informações, só floresce duas ou três vezes em seus quarenta anos de vida e isso raramente acontece fora do seu habitat natural. Sem dúvida alguma chama a atenção pelo tamanho e pela beleza.

No entanto, chama a atenção por outras características também. Dizem que ela, embora pareça uma flor, realmente não o é. Depois, seu crescimento é vertiginoso, pode crescer vários centímetros em poucos dias alcançando mais de três metros. É interessante saber que a planta não tem perfume, pelo contrário, fede horrivelmente. Ela é conhecida como “flor cadáver” porque exala um cheiro de carniça com fezes. É simplesmente difícil estar próximo a ela sem usar uma máscara. Por último, a planta atrai os insetos pelo odor que exala. O mau cheiro é essencial à planta, visto que o odor atrai os insetos polinizadores, e uma vez que pousam sobre ela, a mesma se fecha e os mantêm presos para que morram e ela sobreviva.
Algumas megaigrejas me lembram a titan arun. São grandes e bonitas, chamam a atenção por isso. Mas não são de fato igrejas, só parecem igrejas. São grandes centros de diversão. Há dessas megaigrejas nos EUA com salas de boliche, quadras poli esportivas, salões de ginástica, sauna e praças de alimentação com franquias do McDonalds e outros.

Em 1955, A. W. Tozer escreveu as seguintes palavras: Durante séculos a igreja manteve-se firme contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo-o como um dispositivo para se perder tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um plano para se desviar a atenção de contas quanto à moral. Por manter sua posição, ela sofreu abusos por parte dos filhos deste mundo. Ultimamente, entretanto, ela se cansou de ser abusada e simplesmente desistiu da luta. Parece Ter firmado a posição de que, se não pode vencer o deus do entretenimento, o melhor que pode fazer é unir suas forças às dele e aproveitar o máximo de seus poderes. Por isso, contemplamos hoje o assombroso espetáculo de milhões de dólares sendo vertidos no negócio nada santo de prover entretenimento mundano aos chamados filhos dos céus. O entretenimento religioso está, em muitos lugares, rapidamente desalojando as sérias coisas de Deus. Muitas igrejas, em nossos dias, se tornaram nada mais que pobres teatros onde "produtores" de quinta categoria mascateiam suas mercadorias de baixo valor com plena aprovação dos seus líderes evangélicos, que chegam a citar textos bíblicos para justificar tal delinquência. E é difícil acharmos alguém que ouse levantar a sua voz contra isso.

Hoje as questões que perturbaram Tozer, segundo John MacArthur, parecem insignificantes. Naquela época algumas igrejas estavam atraindo pessoas para seus cultos dominicais com a apresentação de filmes cristãos, encontros de jovens cristãos eram realizados tendo como atração a música contemporânea e alguns palestrantes eram humoristas. No entanto, Tozer, como profeta soou o alarme e estava condenando a filosofia por trás disso tudo que começava a infiltrar-se na igreja. Havia uma sutil mudança de direção e afastamento dos princípios bíblicos quanto ao culto, que os líderes da época não pareciam discernir, em direção, aquilo que MacArthur chamou de “religião show”. E isso tudo era e ainda é realizado sob a hipócrita motivação evangelística. Novamente as palavras de Tozer são esclarecedoras: A prova pela qual toda conduta será finalmente julgada é o motivo. Como a água não pode subir mais alto do que o nível, assim a qualidade moral de um ato nunca pode ser mais elevada do que o motivo que inspira. Por esta razão, nenhum ato procedente de um motivo mau pode ser bom, ainda que algum bem pareça resultar dele. Infelizmente, a atividade religiosa possui tal natureza, que muito desse tipo de atividade pode ser realizado por motivos maus, como a raiva, a inveja, a vaidade e a avareza. Toda a atividade desse tipo é essencialmente má e como tal será avaliada no julgamento. Charles H. Spurgeon, bem antes de Tozer, já havia advertido que “muitos gostariam de unir a igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças”. Uma igreja não é uma casa de espetáculos ou lugar para entretenimento, mas o lugar onde Deus deve ser adorado na beleza de Sua santidade e onde Jesus Cristo, o evangelho, deve ser anunciado no poder de Seu Espírito.

Embora até certo ponto seja natural esperar resultados quando anunciamos o evangelho, não somos concitados a produzi-los. As igrejas na atualidade são dirigidas pela filosofia do “propósito” cuja implicação é a de produzir resultados. Na busca pela quantidade, perdem qualidade. A Grande Comissão se refere a fazer discípulos, onde qualidade e quantidade andam juntas, e não meramente convertidos ou [adeptos], onde a quantidade não representa qualidade. É triste ouvir pastores falando do sucesso do seu ministério baseado no número de pessoas que “se converteram” sob seu pastoreio nesse ou naquele lugar, como se isso fosse uma autenticação ou selo de que é de fato um homem de Deus.

Em algumas megaigrejas, que se dizem evangélicas, não se pode encontrar a Palavra de Deus sendo anunciada ou proclamada nos seus púlpitos. Isso porque que a Bíblia não é regra de fé e prática dessas igrejas, pois em sua maioria são dirigidas pelo marketing. Fundamentalmente, o marketing busca traçar o perfil dos consumidores, descobrindo as suas necessidades e oferecer o produto de tal maneira que venha a agradá-lo. Tudo o que deixa o consumidor insatisfeito precisa ser descartado ou maquiado. Robert Schuller, pastor de uma megaigreja nos EUA, declarou: “quando a igreja procura alcançar incrédulos com uma atitude teocêntrica, está abrindo as portas para o fracasso na área de missões. Os incrédulos, os que não crêem num vital relacionamento com Deus, vão desdenhar, rejeitar ou simplesmente ignorar o teólogo, orador, pregador ou missionário que se aproxima com uma Bíblia na mão...” (Nossa Suficiência em Cristo, pág. 1298). George Barna, autor de O Marketing a Serviço da Igreja, declarou que era crucial ter em “mente o princípio da comunicação: o auditório, e não a mensagem é soberano”. Assim, é notório que a Palavra de Deus foi alijada de sua posição de autoridade na igreja e em seu lugar foi colocada a vontade humana.

Não espere encontrar em algumas megaigrejas a mensagem da justificação pela fé, visto que a fé nada mais é que “pensamento positivo” e temas doutrinários não são abordados. As mensagens, geralmente temáticas e jamais expositivas, na maioria das megaigrejas têm uma teologia diluída e poluída e não passam de palestras motivacionais ou estão cheias de princípios psicológicos populares. G. A. Prichard, autor de Willow Creek Seeker Services, depois de um ano de observações na igreja de Hybels, comenta: “...em Willow Creek, Hybels não somente ensina princípios psicológicos, mas freqüentemente usa esses mesmos princípios como guias interpretativos para sua exegese das Escrituras – o rei Davi teve uma crise de identidade, o apóstolo Paulo encorajou Timóteo a fazer análise e Pedro teve problemas em estabelecer seus limites. O ponto crítico é que princípios psicológicos são constantemente adicionados ao ensino de Hybels" (p. 156). Como Hybels, Warren e outros da mesma cepa são os mentores de muitos líderes espirituais tupiniquins, não de se estranhar que haja tanta superficialidade nos púlpitos brasileiros.

Também não poderemos encontrar nas megaigrejas a mensagem da salvação pela graça. Primeiro porque a graça é barateada quando dá lugar ao mundanismo. A ideia de que o membro de igreja não perde a salvação não importa o que faça ou seu equivalente, a teoria do crente carnal, é uma abominável deturpação da doutrina bíblica da perseverança dos santos, muito comum hoje em dia. Dietrich Bonhofer disse que a “graça barata é o inimigo mortal de nossa Igreja”. Depois, a salvação que se prega hoje não inclui o arrependimento do pecado, mas apenas aceitação de Cristo. Em outras palavras os pregadores modernos fazem da regeneração uma decisão humana, basta um sinal com a mão e a pessoa é regenerada. Em outras megaigrejas nem isso é mais necessário. Basta freqüentar a igreja e você está salvo e melhor que isso, vai ser próspero.

Não espere encontrar em algumas megaigrejas somente Cristo sendo anunciado. O cristo genérico ou similar – é insuficiente para salvar se não for acompanhado de alguma coisa, seja lá o que for. Por isso as sessões de descarrego, “desencapetamento total”, quebra de maldições, sal grosso, água benzida, pedaço da cruz, óleo, água do Jordão, renovação do batismo etc. Esse tal cristo genérico ou similar é o próprio anticristo, criado à imagem dos seus adoradores, pronto e satisfazê-los e entretê-los até a morte.

Obviamente algumas megaigrejas não são os lugares onde toda a glória é dada a Deus, mas é o lugar onde Seu santo Nome é tomado diariamente em vão para o enriquecimento ilícito dos mega[e midiáticos]pastores. Os megapastores - auto-intitulados- bispos, apóstolos, missionários, doutores, reverendos e “grandes homens de deus” (no seu próprio conceito) – chamam a atenção somente para si mesmos, esquecendo-se das palavras que devem reger o ministério pastoral legítimo – “que Ele cresça, e eu diminua”. Certo desses, metrosexual, em um de seus programas na televisão, diz que aonde vai ele leva o avivamento. Ora, se ele produz o avivamento deve considerar-se, como Montano, o próprio Espírito Santo, que, segundo se sabe é quem produz de fato avivamento genuíno e não mera excitação emocional. Interessante é que o talzinho cobra pelas suas apresentações enquanto o Espírito Santo nos dá o avivamento genuíno gratuitamente.

O crescimento das megaigrejas é vertiginoso, como a da planta fétida. John Vaughan, do centro de pesquisas Church Growth Today, asseverou que uma nova megaigreja aparece nos EUA a cada dois dias e o número dessas igrejas saltou de 50 para 880 nos últimos 25 anos! Esse crescimento vertiginoso é, sem dúvida, visto como aprovação da parte de Deus por alguns dos seus líderes e asseclas. É claro que se esse raciocínio fosse correto Deus estaria abençoando também (e até mais) algumas outras religiões que negam a deidade de Cristo e tem experimentado crescimento, que propriamente o cristianismo evangélico. Inchaço não é crescimento, quantidade não é qualidade. Mas essa é uma ideia difícil de entrar na cabeça de alguns “fascinados” por aqui.

É preciso dizer ainda que a despeito do tamanho, aparência e crescimento algumas megaigrejas não exalam o bom perfume de Cristo, mas o mau cheiro da putrefação do pecado, como a grande titan arun exala o cheiro de morte. Vários megapastores já estiveram envolvidos em casos extraconjugais, pornografia, desvios financeiros, corrupção e outras tantas práticas condenáveis. Sem dúvida alguma isso é um desserviço à causa do evangelho. Certamente não é esse o bom perfume de Cristo, mas o odor da morte.

O mau cheiro da grande planta atrai alguns insetos, mas isso é para a desgraça sua. Muitos também são atraídos para algumas megaigrejas por várias razões, na maioria dos casos isso não é bom para elas mesmas. É claro que nem sempre elas sabem disso, são atraídas por uma ou outra coisa e sendo seduzidas, ignoram os sinais de perigo. Há marcas que revelam a saúde de uma igreja, tamanho, beleza e rápido crescimento não são sinais confiáveis. É preciso cuidado em que não sejamos atraídos por essas falsas marcas e ignoremos o fétido odor e o risco de morte.
Soli Deo Glória.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

"Não julgueis..."

Silas Roberto Nogueira


Penso que se dissesse que muitos são os que conhecem o Sermão do Monte, mas são poucos os que o compreendem e menos ainda aqueles que o praticam não estaria errado. Haveria, porventura, alguma parte das Escrituras tão popular, tão erroneamente citada e tão mal interpretada como as palavras de Jesus “não julgueis...” (Mt.7:1)? Edward Donnelly chamou a atenção ao fato de que “estas palavras têm sido adotadas como fundamento para uma abordagem permissiva e sem criticismo da vida, de uma mentalidade “tudo é aceitável”, que nunca forma, e muito menos expressa, uma opinião desfavorável das coisas ou das pessoas”.[1] Isso porque o que caracteriza a época atual é a repugnância à verdade absoluta ou universal, tudo é uma questão de opinião. Em uma época subjetivista como a nossa na qual imperam o pluralismo e o hedonismo a tolerância (designação atual para omissão) é exigida em nome da conciliação e da paz. Por isso é vital que saibamos o que o Senhor Jesus quis dizer com estas palavras e, como disse o Dr. Lloyd-Jones, “nunca uma correta interpretação dessa injunção foi mais importante do que na época presente.” [2]



A primeira coisa a ser dita aqui é que é ilegítimo o uso destas palavras (“não julgueis”) como uma mordaça para silenciar os que se opõem e denunciam a hipocrisia, heresia ou apostasia de alguns.



Depois, é igualmente ilegítimo o uso destas palavras para revestir o pecado da omissão com capa de espiritualidade não emitindo juízo algum, já que ninguém é perfeito como se costuma dizer.



Essas atitudes são, no mínimo, uma prova da ignorância por parte de uns, tolerância pecaminosa por parte de outros e fruto do mau uso das Escrituras por ambas as partes.



Ora, é simplesmente impossível não julgar quando ao homem é dado o privilégio de fazê-lo e ele é devidamente responsabilizado por isso. Depois, como poderíamos não dar “aos cães o que é santo” ou não dar aos “porcos” aquilo que tem valor (7:6) ou guardar-nos dos “falsos profetas” (7:15-23) –sem exercer juízo ou discernimento a seu respeito?



O fato é que o texto realmente não significa que não devemos emitir juízos em tempo algum sobre a conduta ou opinião de alguém (1 Tes.5:21). O contexto indica que podemos julgar, mas a ênfase aqui recai em como não se deve fazê-lo. Há um tipo de juízo que é vetado ao cristão, é a ele que o Senhor Jesus se refere. Assim, não se deve julgar quando:



a) Nosso juízo é baseado em nosso senso de justiça própria. Lloyd-Jones declara que “O “ego” está sempre por detrás dessa questão, e esse egoísmo é sempre uma manifestação de justiça-própria, um sentimento que diz que estamos com a razão ao passo que outras pessoas não o estão. Isso, pois, leva ao espírito censurador, um espírito sempre disposto a expressar-se de forma aviltante. Paralelamente a isso, entretanto, há aquela outra tendência de desprezar o próximo, de considerá-lo com desprezo.” [3] Os que são justos aos seus próprios olhos são incapazes de julgar suas próprias falhas, mas se consideram muito aptos em condenar os pecados dos outros. (Tg.4:11). John Gill menciona um provérbio pronunciado pelo rabino Hillel, que diz: “não julge o seu vizinho, até que tenhas tomado o seu lugar”.



b) Nosso juízo deriva do nosso hábito de julgar. O tempo presente do verbo usado pelo Senhor indica uma ação habitual, isto é, uma atividade contínua de julgar. Muitos nem percebem, mas são mais capazes de criticar do que elogiar. Tais pessoas desenvolveram o terrível hábito de criticar todos e tudo todo o tempo. Eles farejam erros ou falhas e se deleitam em denunciá-las, em expô-las. O denuncismo é uma tragédia em qualquer setor das nossas vidas. J. C. Ryle assinala “o que o nosso Senhor condena é um espírito crítico que em tudo encontra alguma falta”.



c) Nosso juízo é desnecessário. Em muitas ocasiões exercemos julgamentos sobre assuntos ou pessoas que não nos dizem respeito, que não estão diretamente vinculadas conosco (2 Ts.3:11,12; 1 Pe.5:14). Nossos julgamentos só são válidos quando pronunciados “a seu tempo” (Prov.15:23;25:11).



d) Nosso juízo é trivial. Em muitas ocasiões nós nos manifestamos sobre coisas triviais, corriqueiras e insignificantes (Col. 2:16). A história da igreja é repleta de ocasiões em que cisões ocorreram por causa de questões absolutamente insignificantes, totalmente irrelevantes. Seremos responsabilizados por traumatismos desnecessários ao Corpo de Cristo.



e) Nosso juízo é parcial. Na maioria das vezes nossos julgamentos são baseados em informações incompletas ou com acepção de pessoas, portanto, parciais. Todo juízo parcial é injusto. O livro de Provérbios adverte: “Parcialidade no julgar não é bom” (24:23; cf. 28:21).



f) Nosso juízo é apressado. Não poucas vezes nossos julgamentos, críticas são apressados, imponderados. A pressa torna nossa crítica ou julgamento imoderado, portanto igualmente injusto. Paulo diz: “nada julgueis antes do tempo” (1 Co. 4:5), essa é uma exortação a não emitir julgamento prematuramente. João Calvino comentando o texto diz: “Paulo não estava condenando todo e qualquer gênero de julgamento, mas somente aquele julgamento precipitado e audacioso sem que haja um exame criterioso”.



g) Nosso juízo é intolerante. Nem sempre nos damos ao trabalho de duvidar das informações recebidas, em benefício do acusado. Nem sempre avaliamos as fontes de informação ou caráter daqueles que nos trazem determinadas informações. Erramos gravemente quando consideramos alguém culpado até que prove a sua inocência, quando deveríamos considerá-lo inocente até que provem a sua culpa. Qualquer dúvida quanto a veracidade dos fatos e evidências deveria beneficiar o acusado.



h) Nosso juízo é incoerente. Muitas vezes aquilo que condenamos nos outros é justamente aquilo que praticamos. Paulo adverte: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas.” (Rom.2:1; CF. Tg.2:11-12)



i) Nosso juízo é pessoal. Todo juízo ou crítica que ataca pessoas é iníquo. A parte mais difícil quando se tem que emitir juízo é fazê-lo sem atacar a pessoa, ignorar a ação ou palavra e ir para o homem. (Mt. 5:22).



j) Nosso juízo ou crítica é sem misericórdia. Lloyd-Jones declarou “uma outra indicação sobre a presença do espírito hipercrítico é que ele nunca se dá ao trabalho de procurar compreender as circunstâncias. E também nunca aceita justificativas. E isso porque jamais se dispõe a exercer misericórdia”. [4] O juízo ou a critica sem misericórdia beira a vingança, por isso mesmo reprovável. (Tg.2:13).



l) Nosso juízo é segundo a aparência ou superficial. O Senhor Jesus diz: “não julgueis segundo a aparência, e, sim, pela reta justiça” (Jo. 7:24). Seus opositores que O condenavam por praticar uma boa ação num sábado estavam sendo superficiais. Um julgamento justo certamente penetraria sob aquilo que está à vista, na superfície e julgaria de acordo com o espírito e o propósito de Lei. Quando emitimos juízos segundo as aparências cometemos injustiça, como os líderes religiosos dos dias do Senhor Jesus Cristo.



m) Nosso juízo ou crítica é final, condenatório. Todo juízo ou crítica que pronuncia uma decisão final não é correto, é usurpador. Subtraímos um direito exclusivo de Deus quando o fazemos, pois só Ele pode julgar retamente (Gên.18:25;1 Pe.2:23) e emitir uma condenação final (2 Tm.4:11;Tg.4:12; Ap.20:12,13). Ao fazê-lo, tornamo-nos réus de juízo (Lc.6:37; Rm.2:3).



Se há algo que deve estar na mente daqueles que se atrevem a julgar os outros sem os critérios acima mencionados é o fato de que eles mesmos serão julgados e com a mesma severidade: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.”. John Stott declarou acerca disso “a exposição dos princípios está clara. Se assumimos a posição de juízes, não podemos invocar a ignorância da lei que estamos reivindicando ser capazes de administrar aos outros”. [5] (Tg.4:11,12).



Mas devemos lembrar que o texto não quer dizer que não devemos fazer julgamentos de modo absoluto, conforme o próprio contexto indica. No entanto, uma postura acrítica não é mais cristã que uma postura hipercrítica, ambos os extremos são condenáveis. Devemos julgar tudo, mas acima de tudo de maneira legítima, segundo a “reta justiça” (Jo.7:24).


Soli Deo Gloria!



[1] DONNELLY, E. Fé para Hoje, pág. 34.

[2] LLOYD-JONES, D.M., Estudos no Sermão do Monte, pág. 442

[3] LLOYD-JONES, D.M., p. 447

[4] LLOYD-JONES, p.449

[5] STOTT, John, A Mensagem do Sermão do Monte, p. 185