terça-feira, 26 de janeiro de 2010

OS HOMENS QUE PRECISAMOS







Errol Hulse


Mas agora todos nós somos pequenos homens, dificilmente há, agora, um homem vivo sobre esta terra. C.H. Spurgeon




Desde os tempos mais remotos Deus tem abençoado o Seu povo e sustentado Sua Igreja dando-lhe líderes.


Enquanto os filhos de Israel estavam gemendo sob a escravidão no Egito, Jeová estava preparando Moisés para ser um salvador. Quando as hordas de Midiã enchiam a terra de Israel, levando o povo para os buracos e cavernas nas montanhas, Gideão foi comissionado, e por intermédio de trezentos homens uma grande vitória foi obtida. Quando a Europa estava escravizada nas correntes do Papado e da superstição, Lutero emergiu como o servo enviado por Deus. Quando a Inglaterra caiu novamente em trevas, a voz de Whitefield veio como o toque de uma trombeta para despertar os mortos.


Todos os homens de Deus têm sido equipados por Ele para tarefas singulares, peculiares, Pedro para o Pentecostes, Paulo para os gentios. O cenário está sempre mudando, mas o Senhor sempre tem tido os seus homens.


Em nossos dias uma forte confusão prevalece por todos os lados. Todos nós estamos familiarizados com um certo grau de fraqueza que oprime a Igreja como um todo. A questão é, estamos conscientes da necessidade de uma destacada liderança e, se estamos, estamos orando para que Deus nos envie homens para a época em que vivemos, homens que estão capacitados, chamados e enviados? Não cabe a nós ditar ao nosso Pai celestial o tipo de homens que Ele deveria enviar, mas nós podemos vislumbrar alguns dos dons que podemos encontrar em tais líderes. Vamos interceder fervorosamente por:


1. Homens que acima de tudo tenham corações inflamados de amor por Deus e pelos homens, que temam a Deus e nada mais senão o pecado, que tenham um zelo infatigável pela glória de Deus, que estejam prontos a morrer, se necessário, por Cristo.


2. Homens que sejam exegetas completos, capazes de expor qualquer texto de uma maneira sistemática e convincente fazendo plena justiça ao “background” e contexto bem como à construção do verso no original.


3. Homens que sejam amplamente dotados de compreensão doutrinária, que amem as doutrinas da fé provadas e testadas, que combinem com os poderosos (intérpretes), que saibam discernir as coisas que diferem nos sistemas ensinados por Agostinho e Calvino, Owen e Baxter, Edwards e Gill, Hodge e Warfield.


4. Homens que amem e estudem a história da igreja em todos os seus departamentos, especializando-se, é claro, nas reformas evangélicas e reavivamentos, que amem os mártires, que saibam o que eles criam e pelo que eles morreram, que possam aplicar competentemente um extensivo conhecimento da história da igreja para a época presente, evitando poços nos quais já se caiu antes, e seguindo soluções que provaram ser sadias no passado.


5. Homens que sejam humildes o suficiente para se dedicarem às pequenas esferas de trabalho, mas que ao mesmo tempo tenham uma visão mundial, acompanhando os movimentos missionários em todo lugar, fazendo tudo ao seu alcance de uma maneira prática para ajudar a cumprir a Grande Comissão.


6. Homens que saibam como enfrentar os males da época, que tenham um plano de Deus para nossa atualidade, que sejam competentes e agressivos no evangelismo, não conselheiros de cadeira, mas como Grimshaw e Rowlands, antes filhos do trovão do que “showmen” e artistas de variedades.


7. Homens que estejam bem fundamentados em Apologética Reformada, que saibam a respeito, mas tenham uma perspectiva correta do modernismo e das teorias da ciência, que não sigam os infiéis em um estudo exagerado do criticismo destrutivo (um prática que é a ruína de tantos em nossas faculdades teológicas, mas se concentrem como os apóstolos no poder da pregação Evangelho.

8. Homens que não comprometam a verdade por causa vantagens ainda que sejam capazes de distinguir entre assuntos cardeais e secundários, que tenham a coragem de descartar aquilo que é meramente tradicional, opondo-se aquilo que não tem base nas Escrituras, e ainda respeitem as consciências daqueles que não se classificam para as dimensões espirituais aqui descritas.
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Extraído de Os Puritanos, Ano II, n° 1 Fev. 1993, pp.9,10

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

SALVAÇÃO SOMENTE PELA GRAÇA

Charles H. Spurgeon


"Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" 
II Timóteo 1:9



Se quisermos influenciar pessoas intelectuais, devemos usar bons argumentos. Pessoas não muito racionais podem ser influen­ciadas por emoção, sem argumentação alguma. O apóstolo Paulo queria influenciar Timóteo, seu filho na fé. Timóteo era um estudante diligente. Ele tinha habilidade intelectual. Tinha também a graça de Deus. Paulo sentiu que a melhor maneira de influenciar Timóteo era lembrá-lo de verdades da Bíblia nas quais Timóteo já havia crido.


Aqui se encontra uma lição para pregadores. Deve haver equi­líbrio na pregação. É bom e correto os pregadores apelarem aos sentimentos de seus ouvintes. Contudo, o bom ensinamento deve ter uma base firme em verdades bíblicas. É responsabilidade do pregador instruir no entendimento, bem como apelar ao coração. Se as doutrinas da Bíblia não são ensinadas ao homem, ele poderá facilmente se desviar para as falsas doutrinas. O apóstolo disse: "...levados em roda por todo o vento de doutrina" (Ef. 4:14). São as pessoas bem instruídas na verdade bíblica que não serão levadas por falsos ensinamentos.


Paulo quer manter Timóteo fiel à fé. Assim o apóstolo lembra--o que é a excelente doutrina da graça de Deus que rege a salvação do homem. No nosso texto o apóstolo Paulo apresenta um resumo do evangelho. Ele mostra o destaque dado à graça de Deus, a fim de ajudar Timóteo a ser corajoso em seu testemunho por Cristo.


Alguns achavam que verdades doutrinárias eram mera teoria.
Isso não é verdade. O entendimento claro da doutrina é que leva a uma vida santa e prática. A maneira mais garantida de se levar pessoas à obediência e santidade é ensiná-las a verdade de Deus revelada.


Consideraremos primeiramente a doutrina ensinada pelo após­tolo. Em seguida tentaremos mostrar como esse ensinamento deve afetar nossas vidas.


1. Pensaremos cuidadosamente sobre a doutrina ensinada pelo apóstolo, no nosso texto. Não queremos ensinar doutrina só porque é popular. Queremos apenas ensinar o que entendemos ser o significado verdadeiro do texto.
Muitos de vocês podem não gostar da doutrina que pregamos. Talvez possam até se zangar. Não podemos pregar para agradar nossos ouvintes. A aprovação de Deus será suficiente para nós embora pessoas possam nos contradizer. Que toda mente honesta esteja desejosa de receber a verdade da inspirada Palavra de Deus.
(I). O apóstolo expõe sua doutrina nas palavras do nosso texto. Paulo declara que Deus é o autor da salvação: "Quem nós salvou, e chamou". Ele claramente confirma o ensinamento de Jonas de que "... do Senhor vem a salvação" (Jon. 2:9). Salvação pelo homem não se encontra no nosso texto.
O fato de que a salvação é inteiramente do Senhor é muito claro neste texto.
(II). O apóstolo refere-se a todas as pessoas da Trindade. O Pai nos salvou. Deus Pai planejou o caminho da salvação. O pensamento que Cristo deveria sofrer como cabeça federal de Seu povo veio do coração do Pai. Esta mesma verdade é ensinada em outras passagens das Escrituras — I João 5:11, Ef. 1:3-6 e João 16:27.
Além disso, a dádiva de Cristo, o único Filho de Deus, veio do coração compassivo de Deus. Veja João 3:16. Deus, o Pai, esco­lheu pessoas que seriam redimidas. Elas são "chamadas por Seu decreto" (Rom. 8:28). Portanto, o plano de salvação veio da sabedoria e graça de Deus, o Pai.
(III). Oapóstolo não esquece da obra de Cristo, o Filho. Somos salvos através do Filho de Deus. Porventura não é Seu nome Jesus, que significa Salvador? O Filho de Deus nasceu no mundo como homem. Ele viveu uma vida perfeita. Demons­trou na Sua vida a retidão, com a qual o Seu povo se reveste. Por causa da morte cruel de Cristo na cruz o pecador pode ser limpo de seu pecado. O povo de Deus é aceito por meio da vida perfeita e da morte expiatória de Cristo Jesus. Diante do trono eterno o povo de Deus irá cantar: "...Àquele que nos ama, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados... a Ele glória e poder para todo o sempre. Amém" (Apoc. 1:5-6).
(IV). O apóstolo nos lembra da obra do Espírito Santo, a terceira pessoa na Trindade. O Espírito Santo nos capacita a entender o evangelho. A mente humana por natureza não entende as coisas de Deus. O Espírito Santo influi na nossa vontade. Ele nos tira da nossa condição de rebeldia e ajuda-nos a obedecer à verdade. Acaso não é o Espírito Santo que nos renova? "... criados em Cristo Jesus para as boas obras..." (Ef. 2:10). Não é o Espírito Santo que nos ensina e nos conforta? O Pai planeja, o Filho redime, o Espírito Santo aplica esta redenção aos nossos corações e nós nascemos de novo. Portanto, o Pai, o Filho e o Espírito devem ser referidos como o Deus "que nos salvou".
(V) Dizer que nós nos salvamos a nós mesmos é ridículo. Na Bíblia, somos chamados de "templo santo no Senhor" (Ef. 2.21). O templo não construiu-se a si mesmo. Cremos que Deus, o Pai, foi o arquiteto do templo. Ele planejou, Ele forneceu os materiais de construção e Ele terminará a obra. Não haveria necessidade alguma de um redentor se pudésse­mos salvar a nós mesmos. Mas éramos escravos de Satanás e não tínhamos como por nós mesmos quebrar o poder do pecado que nos aprisionava. Poderia o rebanho de Deus, o qual Cristo tomou das garras do leão, ter se libertado a si mesmo? Não, não podemos acreditar que Cristo veio para fazer o que os pecadores podiam fazer por si mesmos. Podem os mortos por si mesmos se fazerem vivos? Quem pode dizer que Lázaro, morto no túmulo, veio à vida por ele mesmo? Ainda que Lázaro pudesse se ressuscitar dentre os mortos nem assim creríamos que os mortos em pecado pudessem se fazer vivos!
Pecadores salvos pela graça de Deus, tornam-se novas criaturas em Cristo. Como poderia a criação ter feito a si mesma? Se temos uma nova criação, deve ter existido um criador.
E, do ponto de vista espiritual, regeneração é obra inteiramente de Deus, o Espírito Santo. Ninguém ajuda o Espírito Santo na Sua obra de regeneração. A renovação da alma é operação dEle. Nós adoramos o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Reconhecemos que se somos salvos, é porque fomos salvos exclusivamente por Deus. A Deus seja toda a glória!


2. Quero dizer três coisas sobre a maneira pela qual Deus nos salvou.
(I) . Nossa salvação é completa. O apóstolo diz: "Que nos salvou". Crentes em Jesus Cristo são salvos no momento que colocam sua confiança em Cristo. Eles não esperam que sejam salvos. Deus salvou completamente Seu povo. Ele o escolheu para esta salvação. O preço total da salvação desses pecadores escolhidos por Deus foi pago quando Cristo morreu por eles na cruz. Cristo disse quando pendurado na cruz: "Está consu­mado" (João 19:30). Estávamos completamente perdidos por causa da desobediência de Adão. Fomos completamente salvos quando Cristo, o segundo Adão, terminou Sua obra redentora por nós.
(II). Meu segundo pensamento é que o texto diz: "Que nos salvou, e chamou". Será que Deus nos salvou antes de nos chamar? O texto diz que Ele assim o fez. Não sabemos que somos salvos até que o Espírito Santo opere em nossos corações, trazendo-nos a Cristo. Entretanto, no propósito de Deus e na redenção de Cristo, somos salvos antes de sermos chamados. O Senhor Jesus Cristo pagou as dívidas do Seu povo quando foi crucificado. Por conseguinte, vocês podem ver que fomos salvos antes de sermos chamados.
(III). Deus nos chamou para uma vida santa. Aqueles pecado­res pelos quais Cristo morreu são chamados pelo poder do Espírito Santo à santidade. Eles deixam seus pecados; tentam ser como Cristo. Antes de serem salvos amavam o pecado. A velha natureza deles amava tudo que era maligno. A sua nova natureza não pode pecar porque é nascida de Deus. Deus chama Seu povo à santidade. O povo de Deus não é santo porque quer que Deus o salve. Deus, através do Espírito Santo, opera a santidade nele. Portanto, o belo fruto espiritual que vemos num crente tanto é a obra de Deus quanto é o resultado da expiação pela qual Cristo o comprou. A salvação de um crente é unicamente pela graça. Deus é o autor dessa graça. Salvação tem que ser pela graça, pois não pode ser adquirida. A seqüência verdadeira é: Deus nos salvou antes de nos chamar. Esta ordem mostra que nossa santificação não é a causa, e sim o efeito, da nossa salvação.


3. Em nosso texto, o apóstolo diz: "não segundo as nossas obras". A atitude do mundo é: "Faça o melhor que puder e Deus o abençoará". A pregação do evangelho afirma que somos pecadores perdidos. Só merecemos ser condenados por Deus. Se haveremos de ser salvos, isso só será possível pela graça soberana de Deus. Ele tem que nos amar voluntariamente ou iremos para o inferno. Nossas próprias boas obras jamais podem nos salvar. Se boas obras pudessem nos salvar, a salvação não seria pela graça e sim pelas obras. Deus afirmou muitas vezes em Sua Palavra: "Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef. 2:9).
Na Epístola aos Gálatas, o apóstolo é bem resoluto a este respeito. "O homem não é justificado pelas obras da lei" (Gal. 2:16). Jesus Cristo é o "autor e consumador da nossa fé" (Heb. 12:2). Pecadores devem receber a livre salvação das mãos da graça divina ou devem obtê-la por seus próprios esforços. E impossível merecer salvação; há somente o caminho da graça. Nós só podemos ser "justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rom. 3:24).
Por que Deus fez a salvação possível somente através da fé? A Bíblia nos diz: "Portanto é pela fé, para que seja segundo a graça" (Rom.. 4:16). Não há mérito algum na fé. Fé é dom de Deus. Nossa salvação depende inteiramente da graça.


4. A próxima coisa a ser mencionada no nosso texto, é o propósito eterno de Deus. Quando somos salvos, não é de acordo com nosso propósito ou mérito, porém "segundo seu próprio propósito". "Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece" (Rom. 9:16). O que Cristo disse a Seus discípulos, Ele diz a nós: "Não me escolheste vós a mim, mas eu vos escolhi" (João 15:16). O ensino de Cristo é que "não quereis vir a mim para terdes vida eterna"(João5:40). Vocês não virão; vocês não podem vir, até que a Sua graça os traga.
"Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou o não trouxer" (João 6:44). "Todo o que o Paime dá virá a mim" (João 6:37). Estas passagens concordam com nosso texto.
Por que existem pessoas tão iradas contra o propósito de Deus? A nós, seres humanos, é permitido termos propósitos. Por que então Deus não pode ter um propósito? De fato, Ele tem um propósito! Ele governa no céu e na terra. Ele salva Seu povo "segundo seu próprio propósito".


5. Nosso texto diz: "seu próprio propósito e graça". O propósito de Deus está todo fundamentado na graça; graça, tudo baseado na Sua graça, do começo ao fim. Os homens são pecadores condena­dos. Mas eles geralmente querem fazer algo para merecerem seu próprio perdão. Deus afirma que um pecador não tem como ser salvo dessa maneira. Deus está disposto a recebê-lo, fraco e indigno, como você o é. Ele lhe dará salvação, todavia não pode vendê-la a você. A salvação de Deus é pela graça. Ele o convida sinceramente a vir a Cristo e a viver. No entanto, você jamais poderá vir, a não ser que o Espírito Santo o faça disposto a aceitar a misericórdia de Deus.
(I) . Salvação é referida na Bíblia como uma dádiva. "Graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (2 Tim. 1:9). Isto deveria nos manter humildes. Não podemos ser orgulhosos de algo que nos foi doado. O texto não nos diz: "a qual Ele nos vendeu", ou "nos propôs", mas "a qual nos foi dada". Portanto, nossa salvação é exclusivamente o dom da graça de Deus.
(II) . "Nos foi dada em Cristo Jesus". A graça de Deus vem a nós através de Cristo Jesus. Paulo afirma: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gal. 6:14). Salvação é um dom da graça.
(III) . Deus nos deu esta graça "antes dos tempos dos séculos". Deus vivia sozinho antes do mundo começar. Nós ainda não existíamos, portanto não podíamos fazer nada pela nossa salvação. Deus já reinava então, assim como Ele reina agora. Ele não tomou conselho de homem ou anjo porque nada até então havia sido criado. Ele nos deu salvação antes da funda­ção do mundo para que a nossa salvação pudesse ser totalmen­te pela graça, através de Jesus Cristo.
Você, meu amigo, pode não gostar do ensino do texto, mas creio que dei o verdadeiro significado dele. Peço que aceite o que Deus diz.


6. Vou tentar agora mostrar como o ensinamento deste texto pode ser usado por nós. Ele pode afetar a nossa maneira de viver. Creio que a doutrina da graça é tão cheia de poder hoje quanto no passado. Ela dá coragem ao homem que a recebe. Paulo exorta a Timóteo que não deve envergonhar-se. Deus lhe deu graça em Cristo Jesus antes da fundação do mundo.
(I). Um homem pode ser muito pobre em bens materiais. Este mesmo homem pode ser rico espiritualmente se ele conhece a graça de Deus. O nome de uma pessoa pode não estar nos livros de história do mundo, entretanto o nome do crente foi registrado no livro de Deus antes do início dos tempos. O homem que nisso crer será forte quando tiver que travar a batalha do Senhor. Os que crêem na livre graça de Deus têm confiança. Não têm medo. Eles sabem no que crêem. Até nossas crianças, às quais são ensinadas as doutri­nas da graça, sabem mais do que muitos adultos. Muitos não sabem no que crêem, pois eles ouvem pregações que não os ensinam realmente a verdade de Deus. Se uma pessoa recebeu as doutrinas da graça ela se apegará firmemente a elas. As doutrinas serão muito queridas a essa pessoa, e ela estará preparada a morrer pelas verdades que crê.
(II). Estas doutrinas da graça dão ao homem algo em que se segurar. Por outro lado, as doutrinas da graça seguram o homem! A pessoa que crê que a salvação vem de Deus e não do homem jamais abandonará este ensinamento. Todas as outras doutrinas são como chão escorregadio onde alguém pode facilmente cair. Se a salvação é por esforço humano, como pode você saber se seu esforço é suficiente? Se você tiver seus pés firmes nas doutrinas da graça não precisa ter medo de cair. Este fundamento é bem firme e o suportará. Apeguemo-nos firmemente à verdade do propósito eterno de Deus em Cristo Jesus antes do início dos tempos.
(III). Este ensinamento da doutrina da graça desmascara os falsos ensinamentos. Se dissermos às pessoas que elas são salvas por Deus, verão que não precisam de padres, missas e absolvições. A doutrina da graça é a verdade que Deus usa para sacudir os portões do inferno. Nos tempos quando a Igreja de Deus foi perseguida, os cristãos arriscaram suas vidas para ouvir esta verdade. Quando não era permitido que os cristãos se encontrassem em igrejas, eles se encontravam à noite em lugares secretos. Não tinham medo desde que pudes­sem ouvir a doutrina da graça de Deus. Eles correriam o risco de serem mortos se tão-somente pudessem ser alimentados pela pregação desta doutrina, a qual amavam. Quando o erro é pregado em tantos lugares, isto deve ser contra-atacado pela pregação das doutrinas da graça. Os inimigos de Deus não serão capazes de resistir a estas verdades.
(IV). Quando essas verdades são escritas no coração do ho­mem, elas farão com que ele busque a Deus. Ele saberá que Deus o salvou e passará a vida seguindo a Deus. Ele verá a mão de Deus em tudo. Ele adorará o Deus que já fez e continua a fazer tanto por ele. Ao mesmo tempo, esta doutrina faz com que o homem despreze a si mesmo. Ele sabe que não tem em si mesmo justiça nenhuma. Ele sabe que somente Deus o pode salvar. Ele se sente pequenino, mas contente. Ele se mantém humilde diante do propiciatório de Deus. Mas ele é ousado quando outros se opõem a ele. Que todos nós possamos conhecer o imenso poder que há na verdade da graça de Deus.
(V) . Esta preciosa verdade traz conforto ao pecador. O maior conforto do pecador é saber que a salvação é pela graça. Se os homens fossem salvos por mérito, por boas obras, aonde estaria você? E aonde estariam os bêbados, os blasfemadores e os impuros? Aqueles entre vocês que amaldiçoam a Deus em seus corações e não O amam, aonde estariam? Quando a salvação é inteiramente pela graça, sua vida passada, por mais impura que tenha sido, não é motivo para detê-lo de vir a Jesus. Cristo recebe pecadores. Deus escolheu alguns dos piores pecadores. Por que não então você? Ele recebe a todos que vêm a Ele. Ele não o lançará fora. Alguns chegaram a odiar a Cristo. Eles O insultaram frontalmente. Mas tão logo que eles clamaram: "Deus, tem piedade de mim, um pecador!" Ele teve misericórdia deles. Ele terá misericórdia de você, se o Espírito Santo o guiar a buscar misericórdia. Não haveria esperança alguma para você se me fosse necessário lhe dizer que você precisa conquistar sua própria salvação à parte da graça.


Contudo, a salvação é pela graça. Se você está morto em pecados, existe vida para você. Se você está nu, existe vestimenta para você. Se você se sente arruinado, existe salvação completa para você. Que você tenha a graça para se apoderar da salvação de Deus.
Então, você e eu cantaremos juntos os louvores da glória da graça divina.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

COMO MUDAR SUA IGREJA

Mark Dever
Pastor Sênior da Igreja Batista em Capitol Hill, Washington, D. C.






Pastores sempre me perguntam: “Como fazer para que minha igreja mude?” Muitos ministros têm alienado suas igrejas na tentativa de promover mudança; a tal ponto de alguns serem afastados do ministério.


Mesmo assim, como pastores, temos de levar nossas igrejas a mudanças, muito embora isto possa tornar-se difícil. Aqui estão algumas sugestões sobre como promover mudança: ensinar, permanecer e amar.


Ensine a mudar
Primeiro, nossas idéias para aplicar em nossas igrejas deveriam vir da Escritura. Isso faz do púlpito a ferramenta mais poderosa para mudar uma igreja. A pregação expositiva constante é um meio que o Espírito Santo normalmente usa para falar aos corações humanos.
Ore para que através de sua pregação, Deus venha a ensinar a igreja como ela precisa mudar. É impressionante a freqüência com que nós, pastores, queremos consertar os problemas, antes de termos tempo para explicá-los!
Muitos pastores tentam forçar a mudança em suas igrejas - quase sempre defendendo tais medidas como atribuição da liderança quando deveriam informar a igreja a respeito da mudança pretendida. Irmãos,devemos alimentar o rebanho confiado ao nosso cuidado e não bater nele. Ensinem o rebanho.
Mesmo que a mudança que você vislumbra seja correta, ainda há a questão de o tempo ser ou não adequado. Ser correto não é unia licença para uma ação imediata, o que me leva ao segundo ponto.


Permaneça para Mudar
A idéia de se comprometer com um lugar está desaparecendo, tanto no local de trabalho quanto no lar. O modelo para as gerações mais jovens não é como uma escada corporativa pré-fabricada, com passos cuidadosamente limitados, e sim como o mosaico da rede mundial (world-wide web), com alternativas e opções, parecendo espalhar-se infinitamente. Assim, somos ensinados a valorizar experiências variadas, entendendo cada uma como um enriquecimento para a outra.


Nós, pastores, precisamos estabelecer um modelo diferente em nossas igrejas. Precisamos ensinar- lhes que compromisso é bom, quer seja para com nosso casamento, família e nossa fé, ou nossa igreja e nossa vizinhança. É sob a luz de tais compromissos a longo prazo (não pensando em termos de meses, mas de décadas) que podemos ajudar nossa igreja a encontrar suas prioridades certas.


Como um pastor, seu maior poder de ajudar sua congregação a mudar não vem da força de sua personalidade, mas através de anos de ensino fiel e paciente. Mudanças que não acontecem neste ano podem vir no ano seguinte, ou em dez anos.
Para este fim, escolha suas batalhas com sabedoria, cuidadosamente, priorizando uma mudança necessária após a outra. Quais das mudanças escolhidas é a mais necessária e mais urgente? Qual delas pode esperar? Falando de modo geral, os pastores precisam aprender a pensar de uma maneira madura e de longo prazo.
Pastorados longos também ajudam o pastor. Eles o impedem de se tornar um portador de novas idéias, colocando-as em prática por dois ou três anos e, depois desse tempo, ter de mudar-se para colocá-las em prática em outro lugar. Geralmente, quanto mais tempo ficamos, mais realistas temos de ser e isso é bom para nossa própria alma e para aqueles a quem servimos.
A chave para uma mudança é ficar em uma igreja o tempo suficiente para ensinar a congregação. Se você não planeja ficar, então tenha cuidado antes de começar algo que o próximo pastor terá de terminar. Não deixe a congregação tornar-se insensível com você ou com o seu sucessor, ou mesmo contra a mudança necessária.
Quando eu era um jovem seminarista, adotei três clérigos anglicanos, de Cambridge, como meus modelos. Todos tinham ministérios onde pregavam expositivamente em seus púlpitos, durante muitos anos - Richard Sibbes (em Cambridge e Londres, por 30 anos), Charles Simeon (em Cambridge, por mais de 50 anos), e John Stott (em Londres, por mais de 50 anos). Pela graça de Deus, estes três pastores construíram as igrejas onde serviam, e tiveram efeito sobre a emergente geração ministerial, mediante sua longa fidelidade.


Ame para mudar
Para desejar as mudanças corretas, ensinar sobre elas, e ficar tempo suficiente, você tem de amar. Você tem de amar o Senhor e amar o povo que Ele lhe confiou.
Clemente de Roma disse: “Cristo pertence aos humildes de coração, e não àqueles que se exaltam sobre o seu rebanho”. Do amor procede o cuidado paciente que continuamente dirige a congregação para a Palavra de Deus.
Jonathan Edwards não foi pastor menos fiel somente porque sua congregação o demitiu. Alguns de nós tivemos pastorados curtos e fiéis. Mas este tipo de pastorado é minha preocupação aqui. Com este breve artigo, simplesmente tentei levantar em sua mente algumas idéias de como você pode – ensinando, permanecendo e amando – lavar sua congregação à mudança bíblica.


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Revista Fé para Hoje
Recomendo a leitura de Nove Marcas de uma Igreja Saudável, Ed. Fiel 

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A Importância da Auto-análise

A. W. Tozer


Aiden Wilson Tozer nasceu em 21 de abril de 1897 em Newburg, uma região montanhosa do oeste da Pensylvania, EUA. Em 1912, sua família deixou a fazenda e se mudou para Akron, Ohio. Em 1915, ele foi convertido à Cristo aos 17 anos e sob a tutela de sua futura sogra desenvolveu-se muito espiritualmente. Dois anos mais tarde mesmo sem formação teológica, recebeu um convite para se tornar pastor de uma pequena igreja em Nutter Fort, Virgínia. Era o início de um ministério que duraria quarenta e quatro anos, também pastoreou igrejas nas cidades de Morgsntown, West Virgínia, em Toledo, Ohio e em Indianapolis, Indiana. Em 1928 Tozer transferiu-se para Chicago, para a Southside Alliance Church onde esteve até 1959. De 1950 a 1959 ele dividiu-se entre a igreja, a redação da The Alliance Weekly e um programa semanal de rádio e realizava tudo com grande prazer e amor. Em 1959 Tozer aceitou o convite para a Alliance Avenue Road Church, em Toronto, Canadá onde esteve até sua morte. Um ataque cardíaco, em 12 de maio de 1963, pôs fim àquele ministério, e Tozer foi chamado para a Glória. Tozer era um homem de oração, sua pregação e seus escritos eram uma extensão de sua vida devocional. Durante a sua vida Tozer ganhou a reputação de profeta do século XX.  


A Importância da Auto-Análise


Pouca coisa revela tão bem o medo e a incerteza dos homens quanto o esforço que fazem para ocultar seu verdadeiro "eu" uns dos outros e até mesmo a seus próprios olhos.


Quase todos os homens vivem desde a infância até a morte por trás de uma cortina semi-opaca, saindo dela apenas rapidamente quando forçados por algum choque emocional e depois voltando o mais depressa possível ao esconderijo. O resultado desta dissimula­ção constante é que as pessoas raramente conhecem seus próximos como realmente são e pior ainda, o disfarce tem tanto êxito que elas nem sequer conhecem a si mesmas.


O autoconhecimento tem tal importância em nossa busca de Deus e de sua justiça, que nos encontramos sob a obrigação de fazer imediatamente aquilo que for necessário para remover o disfarce e permitir que nosso "eu" real seja conhecido. Uma das supremas tragédias em religião é o fato de nos termos em tão alta conta, enquanto a evidência aponta justamente o contrário; e nossa auto-admiração bloqueia eficazmente qualquer esforço possível para descobrir uma cura para a nossa condição. Só o indivíduo que sabe que está doente é que procura o médico.


Nosso verdadeiro estado moral e espiritual só pode ser revelado pelo Espírito e pela Palavra. A Deus pertence o juízo final do cora­ção. Existe um sentido em que não ousamos julgar-nos uns aos outros  (Mt  7:1-5)  e  no  qual   não  devemos  sequer  tentar  julgar-nos (1 Co 4:3). O julgamento final pertence Àquele cujos olhos são chama de fogo e que vê através das obras e pensamentos dos homens. Agrada-me deixar com Ele a última palavra.


Existe, porém, lugar para a auto-análise e uma necessidade real de que esta seja feita (1 Co 11:31, 32). Embora nossa autodescoberta não seja provavelmente completa e nossa auto-analise contenha ele­mentos preconceituosos e imperfeitos, existem porém boas razões para que trabalhemos ao lado do Espírito em seu esforço positivo para situar-nos espiritualmente, a fim de podermos fazer as correções exigi­das pelas circunstâncias. É certo que Deus já nos conhece totalmente (SI 139:1-6). Resta-nos agora conhecer a nós mesmos o melhor pos­sível. Por esta razão ofereço algumas regras para a autodescoberta; e se os resultados não forem tudo que possamos desejar, podem ser pelo menos melhores do que nada. Podemos ser conhecidos pelo seguinte:


1.       O que mais desejamos. Basta ficarmos quietos, aguardando que a excitação dentro em nós se acalme, e a seguir prestar cuidadosa atenção ao tímido clamor do desejo. Pergunte ao seu coração: o que você mais desejaria ter no mundo? Rejeite a resposta convencional. Insista em obter a verdadeira, e quando a tiver ouvido saberá o tipo de pessoa que é.


2.       O que mais pensamos. As necessidades da vida nos induzem a pensar em muitas coisas, mas o teste real é descobrir sobre o que pensamos voluntariamente. Nossos pensamentos irão com toda proba­bilidade agrupar-se ao redor do tesouro secreto do coração, e qual for ele revelará o que somos. "Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração."


3.       Como usamos nosso dinheiro. Devemos ignorar de novo aque­les assuntos sobre os quais não exercemos pleno controle. Devemos pagar impostos e prover as necessidades da vida para nós e nossa família, quando a temos. Isso não passa de rotina e diz pouco a nosso respeito. Mas o dinheiro que sobrar para ser usado no que nos agrada irá contar-nos sem dúvida muita coisa sobre nós.


4.   O que fazemos com as nossas horas de lazer. Grande parte de nosso tempo é usado pelas exigências da vida civilizada, mas sempre temos algum tempo livre. O que fazemos com ele é vital. A maioria das pessoas gasta esse tempo vendo televisão, ouvindo o rádio, lendo os produtos baratos da imprensa ou envolvendo-se em conversas frívolas. O que eu faço com o meu tempo revela a espécie de homem que sou.


5.   A companhia de que gostamos. Existe uma lei de atração moral que chama o homem para participar da sociedade que mais se assemelha a ele. O lugar para onde vamos quando temos liberdade para ir aonde quisermos é um índice quase-infalível de nosso caráter.


6.   Quem e o que admiramos. Suspeito desde há muito tempo que a grande maioria dos cristãos evangélicos, embora mantidos mais ou menos em linha pela pressão da opinião do grupo, sentem de todo modo uma admiração ilimitada, embora secreta, pelo mundo. Podemos conhecer o verdadeiro estado de nossas mentes, exami­nando nossas admirações não-expressas. Israel admirou e até inve­jou com freqüência as nações pagãs ao seu redor, esquecendo-se assim da adoção e da glória, das leis, das alianças e das promessas e dos pais. Em vez de culpar Israel, façamos uma auto-analise.


7.       Sobre o que podemos rir. Pessoa alguma que tenha qualquer consideração pela sabedoria de Deus iria argumentar que exista algo errado com o riso, desde que o humor é um componente legítimo de nossa natureza complexa. Quando nos falta o senso de humor, falha­mos também nessa mesma proporção em equiparar-nos à humani­dade sadia.


Mas o teste que fazemos aqui não é sobre o fato de rirmos ou não, mas do que rimos. Algumas coisas ficam fora do campo do simples humor. Nenhum cristão reverente, por exemplo, acha a morte engraçada, nem o nascimento, nem o amor. Nenhum indivíduo cheio do Espírito pode rir das Escrituras, da igreja comprada por Cristo com o seu próprio sangue, da oração, da retidão, do sofrimento ou dor da humanidade. E certamente ninguém que já esteve na presença de Deus jamais poderia rir de uma história que envolvesse a divindade. Esses são alguns dos testes. O cristão sábio encontrará outros.