quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A Cabana - A Perda da Arte de Discernimento Evangélico





Albert Mohler Jr.

Dr. Albert Mohler é o presidente do Southern Baptist Theological Seminary, pertencente à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos; é pastor, professor, teólogo, autor e conferencista internacional, reconhecido pela revista Times como um dos principais líderes entre o povo evangélico norte-americano. É casado com Mary e tem dois filhos, Katie e Christopher.


O mundo editorial vê poucos livros atingirem o status de "sucesso". No entanto, o livro A Cabana, escrito por William Paul Yong, superou esse status. O livro, publicado originalmente pelo próprio autor e dois amigos, já vendeu mais de dez milhões de cópias e já foi traduzido para mais de trinta idiomas. É, agora, um dos livros mais vendidos de todos os tempos, e seus leitores estão entusiasmados.

De acordo com Young, o livro foi escrito originalmente para seus próprios filhos. Em essência, ele pode ser descrito como uma teodicéia em forma de narrativa – uma tentativa de responder à questão do mal e do caráter de Deus por meio de uma história. Nessa história, o personagem principal está entristecido por causa do rapto e do assassinato brutal de sua filha de sete anos, quando recebe aquilo que se torna uma intimação de Deus para encontrá-lo na mesma cabana em que a menina foi morta.

Na cabana, "Mack" se encontra com a Trindade divina, onde Deus, o Pai, é representado como "Papai", uma mulher afro-americana, e Jesus, por um carpinteiro judeu, e "Sarayu", uma mulher asiática, é identificada como o Espírito Santo. O livro é, principalmente, uma série de diálogos entre Mack, Papai, Jesus e Sarayu. As conversas revelam que Deus é bem diferente do Deus da Bíblia. "Papai" é absolutamente alguém que não faz julgamentos e parece determinado a afirmar que toda a humanidade já está redimida.

A teologia de A Cabana não é incidental à história. De fato, em muitos pontos a narrativa serve, principalmente, como uma estrutura para os diálogos. E estes revelam uma teologia que, no melhor, é não-convencional e, sem dúvida, herética em certos aspectos.

Embora o artifício literário de uma "trindade" não-convencional de pessoas divinas seja, em si mesmo, antibíblico e perigoso, as explicações teológicas são piores. "Papai" conta a Mack sobre o tempo em que as três pessoas da Trindade manifestaram-se da seguinte forma: "nós falamos com a humanidade através da existência humana como Filho de Deus". Em nenhuma passagem da Bíblia, o Pai ou o Espírito Santos é descrito como assumindo a forma humana. A cristologia do livro é confusa. "Papai" diz a Mack que, embora Jesus seja plenamente Deus, "ele nunca usou a sua natureza como Deus para fazer qualquer coisa". Eles apenas viveu do seu relacionamento comigo, da mesma maneira como eu desejo me relacionar com qualquer ser humano". Quando Jesus curou o cego, "Ele fez isso como um ser humano dependente que confiava em minha vida e poder para agir nele e por meio dele. Jesus, como ser humano, não tinha qualquer poder em si mesmo para curar alguém".

Embora haja muita confusão teológica a ser esclarecida no livro, basta dizer que a igreja cristã tem lutado por séculos para chegar a um entendimento fiel da Trindade, a fim de evitar esse tipo de confusão – reconhecendo que a fé cristã está, ela mesma, em perigo.

Jesus diz a Mack que ele é "o melhor caminho para qualquer ser humano se relacionar com Papai ou com Sarayu". Não é o único caminho, mas o melhor caminho.

Em outro capítulo, "Papai" corrige a teologia de Mack afirmando: "Eu não preciso punir as pessoas pelos seus pecados. O pecado é a sua própria punição, que devora você a partir do interior. Não tenho o propósito de punir o pecado; tenho alegria em curá-lo". Sem dúvida, a alegria de Deus está na expiação realizada pelo Filho. No entanto, a Bíblia revela consistentemente que Deus é o Juiz santo e reto, que punirá pecadores. A idéia de que o pecado é a "sua própria punição" se encaixa no conceito do karma, e não no evangelho cristão.

O relacionamento do Pai com o Filho, revelado em textos como João 17, é rejeitado em favor de uma absoluta igualdade de autoridade entre as pessoas da Trindade. "Papai" explica que "não temos qualquer conceito de autoridade final entre nós, somente unidade". Em um dos mais bizarros parágrafos do livro, Jesus diz a Mack: "Papai é tão submisso a mim como o sou a ele, ou Sarayu a mim, ou Papai a ela. Submissão não diz respeito à autoridade e à obediência; é um relacionamento de amor e respeito. De fato, somos submissos a você da mesma maneira".

Essa hipotética submissão da Trindade a um ser humano – ou a todos os seres humanos – é uma inovação teológica do tipo mais extremo e perigoso. A essência da idolatria é a auto-adoração, e essa noção da Trindade submissa (em algum sentido) à humanidade é indiscutivelmente idólatra.

O aspecto mais controverso da mensagem de A Cabana gira em torno das questões do universalismo, da redenção universal e da reconciliação final. Jesus diz a Mack: "Aqueles que me amam procedem de todo sistema que existe. São budistas, mórmons, batistas, islamitas, democratas, republicanos e muitos que não votam ou não fazem parte de qualquer igreja ou de instituições religiosas". Jesus acrescenta: "Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero unir-me a eles em sua transformação em filhos e filhas de meu Papai, em meus irmãos e irmãs, meus amados".

Em seguida, Mack faz a pergunta óbvia: Todos os caminhos levam a Cristo? Jesus responde: "Muitos dos caminhos não levam a lugar algum. O que isso significa é que eu irei a qualquer caminho para encontrar vocês".

Devido ao contexto, é impossível extrair conclusões essencialmente universalistas ou inclusivistas quanto ao significado de Yong. "Papai" repreende Mack dizendo que está agora reconciliado com todo o mundo. Mack replica: "Todo o mundo? Você quer dizer aqueles que crêem em você, não é?" "Papai responde: "Todo o mundo, Mack".

No todo, isso significa algo bem próximo da doutrina da reconciliação proposta por Karl Barth. E, embora Wayne Jacobson, o colaborador de Young, tenha lamentado haver pessoas que acusam o livro de ensinar a reconciliação final, ele reconhece que as primeiras edições do manuscrito foram influenciadas indevidamente pela "parcialidade, na época," de Young para com a reconciliação final – a crença de que a cruz e a ressurreição de Cristo realizaram a reconciliação unilateral de todos os pecadores (e de toda a criação) com Deus.

James B. DeYoung, do Western Theological Seminary, um erudito em Novo Testamento que conheceu Young por vários anos, documenta a aceitação de Young quanto a uma forma de "universalismo cristão". A Cabana, ele conclui, "descansa sobre o fundamento da reconciliação universal".

Apesar de que Wayne Jacobson e outros se queixam daqueles que identificam heresia em A Cabana, o fato é que a igreja cristã tem identificado, explicitamente, esses ensinos como heresia. A pergunta óbvia é esta: por que tantos cristãos evangélicos parecem ser atraídos não somente à história, mas também à teologia apresentada na narrativa – uma teologia que, em vários pontos, está em conflito com as convicções evangélicas?

Os observadores evangélicos não estão sozinhos em fazer essa pergunta. Escrevendo em The Chronicle of High Education (A Crônica da Educação Superior), o professor Timothy Beal, da Case Western University, argumentou que a popularidade de A Cabana sugere que os evangélicos devem estar mudando a sua teologia. Ele cita os "modelos metafóricos não-bíblicos de Deus" no livro, bem como seu modelo "não-hierárquico" da Tridade e, mais notavelmente, "sua teologia de salvação universal".

Beal afirma que nada dessa teologia faz parte das "principais correntes teológicas evangélicas" e explica: "De fato, essas três coisas estão arraigadas no discurso teológico acadêmico radical e liberal dos anos 1970 e 1980 – que influenciou profundamente os feministas contemporâneos e a teologia da libertação, mas que, até agora, teve muito pouco impacto nas imaginações teológicas de não-acadêmicos, especialmente dentro das principais correntes religiosas".

Em seguida, ele pergunta: "O que essas idéias teológicas progressistas estão fazendo no fenômeno da ficção evangélica?" Ele responde: "Desconhecidas para muitos de nós, elas têm estado presente em muitos segmentos liberais do pensamento evangélico durante décadas". Agora, ele diz, A Cabana introduziu e popularizou esses conceitos liberais até entre as principais denominações evangélicas.

Timothy Beal não pode ser rejeitado como um conservador e "caçador de heresias". Ele está admirado com o fato de que essas "idéias teológicas progressistas" estão "se introduzindo aos poucos na cultura popular por meio de A Cabana".

De modo semelhante, escrevendo em Books & Culture (Livros e Cultura), Katharine Jeffrey conclui que A Cabana "oferece uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica". Embora sua principal preocupação seja o lugar do livro "num panorama literário cristão", ela não pôde evitar o lidar com a sua mensagem teológica.

Ao avaliar o livro, deve-se ter em mente que A Cabana é uma obra de ficção. Contudo, é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Diversos romances notáveis e obras de literatura contêm teologia aberrante e heresia. A pergunta crucial é se as doutrinas aberrantes são características da história ou são a mensagem da obra. Em A Cabana, o fato inquietante é que muitos leitores são atraídos à mensagem teológica do livro e não percebem como ela conflita com a Bíblia em muitos assuntos cruciais.

Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico. Dificilmente não concluímos que o discernimento teológico é agora uma arte perdida entre os evangélicos – e esse erro pode levar tão-somente à catástrofe teológica.

A resposta não é banir A Cabana ou arrancá-lo das mãos dos leitores. Não precisamos temer livros – temos de estar prontos para responder-lhes. Necessitamos desesperadamente de uma redescoberta teológica que só pode vir de praticarmos o discernimento bíblico. Isso exigirá que identifiquemos os perigos doutrinários de A Cabana. Mas a nossa principal tarefa consiste em familiarizar novamente os evangélicos com os ensinos da Bíblia sobre esses assuntos e fomentar um rearmamento doutrinário de cristãos evangélicos.

A Cabana é um alerta para o cristianismo evangélico. Uma avaliação como a que Timothy Beal ofereceu é reveladora. A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – um fracasso em entender o evangelho de Cristo. A tragédia de que os evangélicos perderam a arte de discernimento bíblico se origina na desastrosa perda do conhecimento da Bíblia. O discernimento não pode sobreviver sem doutrina.

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Traduzido por: Wellington Ferreira

Copyright:

© R. Albert Mohler Jr.

Traduzido do original em inglês: The Shack — The Missing Art of Evangelical Discernment.

www.albertmohler.com

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

BATISTAS DA CBB [CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA] CAMINHAM A PASSOS LARGOS PARA DOMINAÇÃO CLERICAL

Dinelcir de Souza Lima
Pastor da Igreja batista Memorial de Bangu e diretor do Seminário Teológico Batista do Oeste Carioca

Há pelo menos uma década que as igrejas batistas filiadas à Convenção Batista Brasileira vêm sofrendo intensa pressão da parte de líderes que exercem cargos executivos em órgãos denorninacionais para se submeterem a urna dominação centralizada em um clero.



É urna situação completamente estranha aos princípios batistas seculares, principalmente o da soberania da igreja. Um princípio que nos sustentou com um evangelho bíblico, puro, sem diretrizes traçadas por filosofias humanas. Ao contrário de outras denominações, que têm comando centralizado, as igrejas batistas sempre puderam estudar livremente as Escrituras, sempre puderam cooperar com o reino de Deus sem obrigações e sempre defenderam uma teologia a partir das Escrituras e não as Escrituras a partir de filosofias teológicas.

Os prenúncios da tentativa de dominação foram surgindo em mensagens e atos sutis. Por exemplo, há alguns anos atrás, um presidente da Convenção Batista Brasileira, ao ser escolhido como Presidente da Aliança Batista Mundial, em uma entrevista à imprensa, declarou que ele era como “o papa dos batistas”. Em outra ocasião, o mesmo ex-presidente, também em uma entrevista com a imprensa, se referiu aos batistas brasileiros corno sendo “A Igreja Batista Brasileira”, no singular, como se fôssemos uma só igreja.

Mas as manifestações de desejo de poder centralizado têm crescido muito e já têm sido propaladas de muitas outras maneiras. Por exemplo, a Junta de Missões Nacionais, como se estivesse acima das igrejas, levou a Convenção Batista Brasileira a autorizar em assembléia que missionárias não pastoras batizassem e ministrassem a Ceia. Nada contra, porém quem deveria autorizar era a igreja em que a missionária estivesse atuando e não a Convenção. Em outra ocasião, convocados pelo presidente, uma de nossas Convenções Estaduais, praticou a Ceia, como se fosse uma grande igreja batista e como se o presidente fosse o seu pastor.

Agora, por último, aconteceu uma manifestação escancarada de desejo de poder centralizado: O presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil recomendou às igrejas batistas que incluam em seus estatutos que somente poderão pastorear as ditas igrejas pastores que estejam inscritos na OPBB. A desculpa é que, assim, se conseguiria conter “desmandos” que estão acontecendo em nossas igrejas. Mas, que desmandos são esses? Os desmandos escandalosos que temos presenciado são exatamente em nível de liderança de instituições convencionais; os desvios doutrinários mais gritantes saem de nossos Seminários e estão escritos em nossa literatura oficial.


Ora, sabemos das manipulações políticas que acontecem nas instituições denominacionais, sabemos que a OPBB não está, de maneira nenhuma, isenta de manobras para colocação de determinados elementos na direção ou nas direções estaduais. Sabemos que logo começariam a haver rejeições de líderes formados em Seminários que não são da CBB (que convenhamos, deixaram de ser batistas há muito tempo), de líderes que não lêem na cartilha de dominadores, de líderes que se levantam contra todos os desmandos e desvios doutrinários que estão acontecendo em nosso meio.


Creio que só não deixamos de ser uma denominação batista por causa de muitos pastores heróis que continuam doutrinando as igrejas que pastoreiam, conduzindo-as através do Novo Testamento, firmando-as em Cristo Jesus, independentemente de toda essa liderança que está ruindo juntamente com as instituições convencionais que, convenhamos, são pára-eclesiásticas.


Se quisermos continuar sendo batistas autênticos, devemos primar por nossos princípios básicos, e um deles é a independência das igrejas. Por isso tudo e muito mais, não devemos incluir nenhuma cláusula restritiva à independência das igrejas nossos seus estatutos. 

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A Tocha da Evangelização Levada pelos Puritanos

Joel R. Beeke


O Método da Evangelização Puritana e A Disposição Interna do Coração





Raízes da evangelização moderna
A fim de compreendermos estes dois pensamentos (o método da evangelização Puritana e a disposição interna do coração) precisamos contrastá-los com a evangelização moderna. Só assim poderemos apreciar o aspecto característico da evangelização puritana. Para isso vamos voltar um pouco ao século XIX para considerarmos as raízes da evangelização moderna.
A evangelização moderna tem as suas raízes nos anos 1820 sob a liderança de Charles Finney, que freqüentemente é chamado de "o pai" da evangelização moderna. Finney foi criado em Nova Iorque e tinha o grau de advogado. Começou sua prática como advogado nos anos de 1820 em Nova Iorque. No ano seguinte teve uma experiência religiosa muito profunda e isso o influenciou para que deixasse seu escritório de advocacia e se dedicasse inteiramente ao ministério. Foi ordenado pastor presbiteriano em 1824 e por 8 anos liderou eventos e reuniões de avivamento no leste dos E.U.A. Por quatro anos trabalhou como pastor em Nova Iorque e nos últimos quarenta anos de sua vida foi professor na Universidade de Oberlin no estado de Ohio. Através dessas décadas ele continuou fazendo reuniões de avivamento. Ele inventou aquilo que se chama de "novas medidas" para avivamento que incluem: (a) reuniões com muita emoção e (b) o banco dos "ansiosos". Eram reuniões evangelísticas caracterizadas por uma atividade intensa, que duravam dois ou três dias e nos quais Finney pregava duas vezes ao dia. O banco dos "ansiosos" era o primeiro banco da igreja que era deixado vazio para que as pessoas ansiosas pudessem vir e se assentar ali, recebendo uma ministração individual. No final dos seus sermões Finney diria: "Aqui está o banco dos "ansiosos", se vocês estiverem do lado do Senhor, venham à frente." Hoje a evangelização de massa, é um desenvolvimento das chamadas "novas medidas" dos avivamentos de Finney.
Em suas campanhas evangelísticas, Billy Graham apresenta um estilo polido destas cruzadas feitas por Finney. Essas chamadas ao altar para que as pessoas venham à frente e confessem Jesus Cristo, é uma versão moderna do banco dos "ansiosos". Hoje nós estamos tão acostumados com este estilo de evangelização moderna, que dificilmente percebemos que é uma inovação na história da Igreja. Com freqüência nos esquecemos de quão distante está da evangelização bíblica. Tanto Finney, quanto a evangelização moderna, cometeram alguns erros básicos em diferentes aspectos das Escrituras. Vamos mencionar quatro áreas em que se afastaram dos princípios bíblicos.

Deficiências da evangelização moderna

1. Aceitação do pelagianismo. Embora certos elementos calvinistas estejam presentes, a evangelização moderna, seguindo a teologia de Fnney, é essencialmente arminiana na sua apresentação do evangelho. Finney era confessadamente um pelagiano (Pelágio foi um herege do século IV que sofreu dura oposição de Agostinho). Ele negava que o homem caído fosse incapaz de se arrepender. Dizia que cada pessoa tem a liberdade e a vontade livre de arrepender-se e voltar-se para Deus; que cada pecador pode resistir ao chamado do Espírito Santo, e que este Espírito apenas apresenta-lhe razões pelas quais ele deve ir a Deus. O pecador, entretanto, é livre para aceitar ou rejeitar as razões apresentadas. Dessa forma, em última análise, a salvação não é uma obra de Deus, é realmente um trabalho do próprio homem. Finney escreveu o seguinte: "Pecadores vão para o inferno apesar de Deus". Finney negou os cinco pontos do calvinismo, e não subscreveu os ensinamentos de Jesus de que o homem precisa nascer de novo, nascer do alto, doutra forma ele não pode entrar no reino de Deus.

2. Finney e a evangelização moderna colocam uma pressão indevida sobre a vontade humana. Se a vontade humana, pecadora, é livre, segundo os evangelistas semipelagianos afirmam, apregação é reduzida simplesmente a uma batalha entre a vontade dos ouvintes e a vontade do pregador. O resultado disso é que todos os meios que o pregador puder usar para persuadir os seus ouvintes a aceitar a Cristo, acabam se tornando lícitos, mesmo que sejam baseados num excesso de emocionalismo do auditório. O alvo principal nestes casos é mover a vontade do homem, e levá-lo a fazer uma decisão imediata. O contrário disso, vemos no ensino de João 1:13: "... os quais não nasceram do sangue nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus."

3. Finney e a evangelização moderna reduzem o processo de conversão a um espaço curto de tempo. Isso não é bíblico! A Bíblia apresenta a conversão como sendo um processo por vezes demorado. Entretanto, para a evangelização moderna, a conversão é um processo de mais ou menos dez minutos. Recentemente foi escrito um livro sobre evangelização que faz com que o evangelista caia em profundo sentimento de culpa, se demorar mais de dez minutos para converter alguém. Chegamos a conclusão que, para muitos evangelistas modernos, a salvação não é mais aquele trabalho miraculoso, soberano e misterioso do Espírito Santo de Deus, e sim, o trabalho calculável da ação do homem. Isso é contrário ao que lemos em João 3:8: "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito ". O que realmente tem acontecido nos últimos 175 anos, é o seguinte: Finney e a evangelização moderna perderam o sentido de conversão bíblica; perderam o conceito de conversão como uma obra miraculosa; perderam o sentimento daquela dependência total do homem em Deus, na sua conversão.

4. Grande parte dos resultados da evangelização moderna é questionável. Diversos estudos têm provado que a evangelização de massa, utilizado em grande parte nas cruzadas, em que o próprio homem decide a sua salvação, leva, finalmente, a um cristianismo muito superficial, que quase não dá fruto. Isso não quer dizer que não existam certos indivíduos a quem Deus realmente converteu em tais tipos de reuniões. A Bíblia diz que Deus pode fazer com que uma vara torta se torne reta. Entretanto, esse fato não nos isenta da responsabilidade em apresentar aos nossos ouvintes uma evangelização bíblico e saudável, uma evangelização que tenha uma profundidade maior, uma evangelização que começa, centraliza-se e termina em Deus. É isso que descobrimos quando nos voltamos para o método dos puritanos.

Estilo direto de pregar
Quando nos referimos aos métodos da evangelização puritana, não estamos dizendo que devemos copiar cada detalhe dos puritanos. Muito da linguagem dos puritanos, por exemplo, está fora de época. Ainda assim os seus métodos têm muito para nos ensinar. O método puritano foi chamado pelos próprios puritanos, e por estudiosos hoje, de o "estilo direto de pregação". Um dos pais do puritanismo, William Perkins, escreveu o seguinte: "A nossa pregação precisa ser direta e evidente. É um dito comum entre nós: "este foi um sermão direto." Eu digo que quanto mais incisivo e simples for o sermão, melhor". Um dos grande pregadores puritanos chamado Henry Smith disse o seguinte: "Pregar de uma maneira direta, não é pregar de uma maneira dura e cruel". Também não significa pregar de qualquer forma, sem estudo. Significa pregar o sentido pleno das Escrituras de uma maneira tão clara que o homem mais simples possa entender o que esteja sendo ensinado, como se ele estivesse ouvindo seu próprio nome ser chamado.
Implementando este estilo simples e incisivo de pregação, os puritanos seguem um processo de três passos:
(1) Escolhem e estudam seu texto. (2) Fazem uma exegese desse texto, dando o seu sentido básico, e em seguida coletam do texto duas ou três doutrinas, que fluem dele. (3) Em seguida, aplicam estas doutrinas de uma forma prática ao coração dos seus ouvintes. Dessa forma, a primeira parte do sermão é exegetica, a segunda parte é doutrinária e a terceira é aplicativa. À quarta parte eles chamavam de "como usar", que é a parte prática do sermão, como usar os ensinos na vida diária. Eles dividem a aplicação em duas partes, uma para os ouvintes que são salvos, e a outra para os não salvos. Aplicam a cada indivíduo o que o texto pregado tem a dizer para ele. Dessa forma, o ouvinte, ao sair da igreja, sabia com toda clareza o que aquele texto do sermão tinha a dizer a si em particular.
Vamos focalizar quatro qualidades deste estilo direto de pregar.

1. Usavam um método racional de pregar. Eles pregavam a criaturas racionais. Trabalhavam arduamente para mostrar aos pecadores a loucura de não buscar o Senhor. Eles procuravam mostrar às suas congregações o aspecto racional de todas as doutrinas da graça. John Owen, por exemplo, expunha à sua congregação como a doutrina da eleição era racional e lógica. Eleição é a primeira coisa do lado de Deus, mas é a última coisa que é conhecida do lado daquele que crê. Eles usavam este tipo de ensino para alcançar a mente e também a consciência. Labutavam para conduzir cada ouvinte a esta conclusão. Seria totalmente ridículo não buscar o Senhor. Ridículo em função do julgamento que há de vir, mas também em termos da maneira como vivemos nesta vida presente.

2. Tinham uma pregação afetuosa, apaixonada. É uma coisa rara nos nossos dias encontrar um pregador que tanto alimenta a mente dos ouvintes com substância bíblica sólida, quanto também mova os seus corações, com um calor afetivo. Mas, esta combinação era coisa comum aos pregadores puritanos. Falavam com amor e com convicção. Pregavam com uma chamada clara à fé e ao arrependimento. Pregavam com paixão o terror do pecado. Pregavam com calor a respeito de Jesus Cristo. Derramavam do púlpito suas próprias almas em seus sermões. Eles praticamente davam suas vidas pelo seu povo. Suplicavam aos seus ouvintes que se reconciliassem com Deus, não porque pensassem que eles podiam se reconciliar com um Deus santo, mas porque eles sabiam que o Deus todo-poderoso usa a loucura da pregação para salvar aqueles que realmente vão crer. Sabiam, pelas Escrituras, que somente o Cristo onipotente podia vivificar um pecador espiritualmente morto e mortificar a sua pecaminosidade, separá-lo dele mesmo, fazendo -o desejoso de abandonar o seu pecado e voltar-se para Deus e para a salvação completa por Ele oferecida. A pregação puritana apresentava todas estas verdades com paixão.

3.  A evangelização puritana era reverente e sóbria. Os puritanos geralmente não usavam humor nos seus sermões; não acreditavam em contar histórias engraçadas com a finalidade de levar pessoas ase interessarem  por Cristo. O alvo deles era exatamente o oposto. Eles procuravam fazer as pessoas se tornarem mais sóbrias diante das grandes exigências do Criador e diante do grande juízo que está chegando. Diante da eternidade, Deus é digno de ser adorado; digno por causa dEle mesmo e por causa de Seu Filho.

4. A evangelização puritana se caracterizava por fazer uma análise específica de temas bíblicos. Se um puritano pregasse sobre o inferno, o sermão inteiro seria sobre o inferno. O mesmo aconteceria se pregasse sobre o céu, todo o sermão seria sobre o céu. Noutras palavras, eles pregavam o seu texto o tempo todo. Calculavam que assim, após certo período de tempo, teriam coberto cada assunto principal da Bíblia. Assim, procuravam edificar o seu povo em todo o conselho de Deus, demonstrando sua apreciação por todo o ensinamento das Escrituras. Quero dar alguns exemplos. Os títulos que vou dar agora são de um livro de um puritano: "Quantos Já Experimentaram  Uma  Vida Seriamente  Identificada  com Deus?"; "Qual o Melhor Preservativo Contra a Depressão Espiritual"; "Como Podemos Crescer no Conhecimento de Cristo?"; "O Que Precisamos Fazer Para Evitar  Orgulho Espiritual?"; "Como Devemos Lidar Com Doutrinas Que Não Podemos Compreender Completamente?"; "Como Podemos Conhecer de Uma Forma Melhor o Valor Real da Nossa Alma?". Espero que vocês estejam percebendo quão específicos eram os puritanos ao pregarem o seu texto bíblico, e como depois de certo período de tempo eles conseguiam falar a respeito de todo o conjunto de verdades espirituais.
Os puritanos reforçavam os seus sermões com uma evangelização catequética. O pastor puritano típico visitava o lar dos membros da sua igreja pelo menos uma ou duas vezes ao ano. Eles catequizavam cada criança em cada  lar e estas crianças também vinham para a aula de catecismo na igreja. Eles treinavam os pais em cada família para que também fizessem o estudo do catecismo com suas crianças no culto doméstico. Normalmente levavam 30 a 40 minutos por dia para essa atividade. No domingo à noite davam treinamento aos pais para que pudessem analisar o sermão do dia com as crianças por duas razões: para levar o sermão ao nível de uma criança e também para levar o pai a lembrar o sermão. Os puritanos tinham como alvo evangelizar a família inteira. Eles não estavam buscando convertidos de "dez minutos'' ou uma decisão momentânea do coração. Eles procuravam convertidos que permanecessem convertidos a vida inteira, cujas mentes e corações tivessem sido vencidos, tornando-se cativos pela Palavra de Deus.

Disposição interna do evangelista puritano
Um outro ingrediente muito importante na evangelização puritana era a disposição interna do evangelista.
Emprimeiro lugar, ele vivia comum sentimento de dependência do Espírito Santo. O pregador puritano estava plenamente consciente da sua incapacidade de salvar uma alma  e da grandeza da conversão. Ao mesmo tempo, ele estava convicto que é agradável a Deus usar a pregação como o meio principal para salvar os eleitos. O pastor puritano trabalhava no espírito de dependência do Senhor, convicto de que não podia fazer nada por suas próprias forças e que o seu trabalho no Senhor não era vão.
Em segundo lugar, o puritano tinha uma constante disposição interior de orar. Eram grandes pregadores porque  em primeiro lugar eram grandes suplicantes. Eram pessoas que lutavam com Deus e sabiam muito bem o que significava "agonizar" pedindo a bênção divina sobre a palavra que eles acabavam de pregar. Quero dar uma ilustração com a vida de Robert  Murray McCheyne. Ele veio depois dos puritanos, mas em essência era um puritano. Certa vez chegou à igreja onde McCheyne havia pastoreado um visitante admirando o edifício, que era muito bonito. O zelador perguntou-lhe se podia ajudá-lo em alguma coisa. Ele respondeu que sim, pois tinha vindo de longe até àquela igreja, para ver se conseguia descobrir o grande segredo do ministério de McCheyne (McCheyne foi um pregador escocês que morreu com  29 anos, mas  Deus o  usou  para  a conversão de centenas de pessoas). O zelador convidou o visitante para ir com ele pois lhe mostraria o "segredo". Levou-o para o escritório de McCheyne, onde, no passado ele costumava ficar. Disse-lhe: "Amigo, sente-se atrás daquela escrivaninha e ponha sua cabeça em cima dela; ponha sua  mão na  sua cabeça e chore... depois venha comigo Posteriormente, os dois voltaram ao templo e foram ao púlpito. O zelador disse ao visitante: "Agora incline-se sobre este púlpito... estire bem os seus braços... ore... chore... agora você sabe qual era o segredo de Robert Murray McCheyne". Não é nenhum choro provocado pelo homem, não  é  um  emocionalismo sem  as Escrituras; é, antes, um mover do coração, bíblico, pelo Espírito Santo de Deus. É disso que precisamos hoje, da ênfase dos puritano em  uma mente e um coração voltados para Deus. Reunindo estas duas coisas teremos uma vida que agrada a Deus.

Vida coerente
Os puritanos buscavam uma vida coerente com a Palavra de Deus em qualquer lugar que estivessem. Um pastor puritano escreveu o seguinte: "A minha oração diária é que eu possa ser tão santo na minha família, e nos momentos que eu passo sozinho com Deus, como eu pareço ser quando eu estou em frente ao meu povo, no púlpito da minha igreja". Os puritanos buscavam santidade em todas as áreas da sua vida, todavia uma santidade que não era baseada em méritos pessoais. Eles sabiam que não possuíam tais méritos. Eles buscavam, uma santidade que era fruto daquilo que Deus fizera por eles. Por isso se destacaram na história da Igreja como inigualáveis na vida particular de oração, na perseverança em manter o culto doméstico, nas orações em público, e na pregação.
Perguntamos: será que costumamos orar individualmente como McCheyne e os puritanos? Será que nós, de forma zelosa, até ciumenta, cuidamos de nossa vida de comunhão com Deus? Será que estamos convictos que parar de vigiar e de orar é estar esperando um desastre espiritual na nossa vida? Será que estamos submissos com nosso coração e mente à disciplina da Palavra de Deus? Será que temos em nossa vida diária aquele mesmo espírito dos puritanos que os tirou do mundo, colocando seus corações nas coisas eternas, especialmente no próprio Deus? Será que estamos movidos, como os puritanos, com aquela paixão que  eles tinham de  glorificar  a  Deus e magnificar o nome de Jesus Cristo, falando contra o pecado e buscando a santidade? Será que temos sede da glória de Deus? Não é suficiente ter livros puritanos nas nossas prateleiras, nem mesmo é suficiente lê-los. Espero que sejam lidos, pois são amigos maravilhosos e grandes mentores espirituais. São aquilo que Lutero disse: "Alguns dos meus melhores amigos já morreram há muito tempo, mas eles ainda falam comigo através da página impressa".
Eu sei pessoalmente o que isso significa, pois comecei a ler os puritanos quando tinha nove anos de idade. Costumava ficar até tarde da noite lendo-os. Freqüentemente minha mãe determinava que eu parasse de  ler para dormir. Eu desligava a  luz do meu quarto, porém ia para a escada para observar a luz que saia por baixo da porta do quarto dos meus pais. Quando ela se apagava, eu voltava ao meu quarto e continuava a ler! Lia com um livro dos puritanos aberto diante de  mim  e a Bíblia aberta, ao lado. Lia devagar, fazendo cinco ou seis orações por cada página  que  lia. Conferia nas Escrituras cada texto que eles citavam. Os puritanos acabavam me levando sempre de volta à Bíblia - e ela sempre me levava aos puritanos. Muitas vezes estava chorando enquanto lia, um choro de alegria pela salvação plena que se acha em Jesus, mesmo um pecador como eu era e ainda sou. Eu chorava com aquele desejo imenso de ser mais santo, de ser mais parecido com Cristo e de ter mais daquela disposição interna  dos puritanos. Precisamos desta religião vivenciada por eles. Eles tinham suas falhas, e seus escritos não são a Bíblia, mas eles nos ajudam a entender a Bíblia, e a sua piedade vital é um grande exemplo para nós.

Conclusão
Dessa forma vamos nos desafiar uns aos outros para crermos no Deus dos puritanos. Quem tem a coragem de  ir além de  uma simples leitura dos escritos dos puritanos? De ir além de uma apreciação das idéias dos puritanos e viver uma vida como eles viveram, levando avante a obediência e a santidade a Deus? Embora amemos a Cristo, como os puritanos  O amaram, será que estamos servindo a Deus como eles  O serviram?  O Senhor nos fala  em Jeremias 6:16: "Assim diz o Senhor: ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para as vossas almas".




Extraído de: A Tocha dos Puritanos, PES. 
Recomendamos ainda a leitura de outras obras do autor: Herdeiros com Cristo, os puritanos sobre a adoção, PES e Vencendo o Mundo, Ed. Fiel.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

QUAIS SÃO AS MARCAS VISÍVEIS DAS PESSOAS SANTIFICADAS?




J. C. Ryle

(1816-1900)








(a)     Santificação é mais do que falar sobre religião. Algumas pessoas estão tão familiarizadas com palavras e frases do evangelho e de falar tão fluentemente sobre eles, que convencem outros de que são de fato crentes. Deus não deseja que seu povo seja simplesmente um vaso vazio, como gongos ou como címbalos ecoando. “Não amemos com palavras, mas com ações e em verdade” (1 João 3.18)
(b)     Santificação não é apenas uma apreciação temporária dos sentimentos religiosos. Serviços especiais (missionários) e reuniões de avivamento podem atrair muita atenção e devemos agradecer a Deus quando eles apresentam a mensagem do evangelho a muitas pessoas.  Mas essas coisas são acompanhadas de muitos perigos, bem como de vantagens. Onde é semeado trigo, o diabo vai semear joio. Precisamos ter cuidado com a excitação religiosa que leva alguns a sentir uma atração temporária pelo Senhor. Depois de algum tempo, entretanto, ele caem (e voltam ao mundo) e se tornam mais endurecidos e piores do que antes. Devemos exortar todos os que mostram um novo interesse no cristianismo a se contentar com nada menos que uma profunda obra de santificação do Espírito Santo.
(c)      Santificação não é apenas a realização ocasional de ações corretas. Muitas pessoas sinceras tem prazer em fazer, de tempos em tempos, o que eles sentem que são atos religiosos. Contudo, receio de que essa religiosidade externa é um substituto para a santidade interior. Eu sinto que há necessidade de falar claramente sobre este assunto. Pode haver uma quantidade imensa de serviços corporais enquanto não há santificação real.
(d)     Santificação não consiste em retirar-se da vida quotidiana no mundo. Em cada época tem havido aqueles que acreditam que retirar-se em reclusão do mundo é uma estrada para a santificação. Mas onde quer que vamos, nós carregamos conosco a fonte do mal – os nossos corações. A verdadeira santidade não é uma planta frágil que só pode sobreviver em uma estufa, mas é forte e vigorosa e pode florescer na vida normal diária. A verdadeira santidade não faz o cristão evitar a dificuldade, mas enfrentá-la e superá-la.
(e)     Santificação [verdadeira] manifesta-se no habitual respeito daquilo que Deus requer de nós. Quem tenta ser santo e ao mesmo tempo despreza os Dez Mandamentos quebrando qualquer um deles está seriamente iludido e terá dificuldades para provar que é “santo” naquele “último dia”.
(f)       Santificação [verdadeira] manifesta-se no constante esforço para fazer a vontade de Cristo. Seus requisitos práticos são encontrados em todos os Evangelhos e no sermão do monte. Nosso Senhor ensinou seus discípulos continuamente o que deveriam ser e fazer. “Vós sois meus amigos se fizerdes os que eu vos mando” ( João 15.14), foram as Suas palavras. Nós ainda servimos a este mesmo Senhor.
(g)     Santificação [verdadeira] se manifesta num desejo de viver de acordo com o padrão para as Igrejas, estabelecidos por Paulo. Esse padrão pode ser encontrado nos capítulos finais de quase todas as suas Epístolas. Eu desafio qualquer pessoa a ler com cuidado os escritos de Paulo sem encontrar neles um grande número de claras orientações práticas sobre o dever do cristão, em cada relacionamento da vida. Estas instruções foram escritas por inspiração divina, para a orientação dos cristãos professos.
(h)     Santificação [verdadeira] se manifesta na atenção a todas as graças espirituais que o Senhor tão bem exemplificou. “assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão que sois meus discípulos.” (João 13.34,35).   Pedro escrevendo aos crentes diz: “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pedro 2.21-23). Paulo nomeou nove graças na lista do fruto do Espírito em Gálatas 5.22-23. Não faz sentido a pretensão de santificação a menos que exibamos estas coisas em nossas vidas. Nem todos os crentes apresentam todas estas marcas, mas elas são o padrão bíblico que todos os fiéis devem procurar.
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 Aspects of Holiness, J. C. Ryle, Grace Publications, pp. 25-27
Tradução livre e adaptação: Silas Roberto Nogueira