segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

BATISTAS DA CBB [CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA] CAMINHAM A PASSOS LARGOS PARA DOMINAÇÃO CLERICAL

Dinelcir de Souza Lima
Pastor da Igreja batista Memorial de Bangu e diretor do Seminário Teológico Batista do Oeste Carioca

Há pelo menos uma década que as igrejas batistas filiadas à Convenção Batista Brasileira vêm sofrendo intensa pressão da parte de líderes que exercem cargos executivos em órgãos denorninacionais para se submeterem a urna dominação centralizada em um clero.



É urna situação completamente estranha aos princípios batistas seculares, principalmente o da soberania da igreja. Um princípio que nos sustentou com um evangelho bíblico, puro, sem diretrizes traçadas por filosofias humanas. Ao contrário de outras denominações, que têm comando centralizado, as igrejas batistas sempre puderam estudar livremente as Escrituras, sempre puderam cooperar com o reino de Deus sem obrigações e sempre defenderam uma teologia a partir das Escrituras e não as Escrituras a partir de filosofias teológicas.

Os prenúncios da tentativa de dominação foram surgindo em mensagens e atos sutis. Por exemplo, há alguns anos atrás, um presidente da Convenção Batista Brasileira, ao ser escolhido como Presidente da Aliança Batista Mundial, em uma entrevista à imprensa, declarou que ele era como “o papa dos batistas”. Em outra ocasião, o mesmo ex-presidente, também em uma entrevista com a imprensa, se referiu aos batistas brasileiros corno sendo “A Igreja Batista Brasileira”, no singular, como se fôssemos uma só igreja.

Mas as manifestações de desejo de poder centralizado têm crescido muito e já têm sido propaladas de muitas outras maneiras. Por exemplo, a Junta de Missões Nacionais, como se estivesse acima das igrejas, levou a Convenção Batista Brasileira a autorizar em assembléia que missionárias não pastoras batizassem e ministrassem a Ceia. Nada contra, porém quem deveria autorizar era a igreja em que a missionária estivesse atuando e não a Convenção. Em outra ocasião, convocados pelo presidente, uma de nossas Convenções Estaduais, praticou a Ceia, como se fosse uma grande igreja batista e como se o presidente fosse o seu pastor.

Agora, por último, aconteceu uma manifestação escancarada de desejo de poder centralizado: O presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil recomendou às igrejas batistas que incluam em seus estatutos que somente poderão pastorear as ditas igrejas pastores que estejam inscritos na OPBB. A desculpa é que, assim, se conseguiria conter “desmandos” que estão acontecendo em nossas igrejas. Mas, que desmandos são esses? Os desmandos escandalosos que temos presenciado são exatamente em nível de liderança de instituições convencionais; os desvios doutrinários mais gritantes saem de nossos Seminários e estão escritos em nossa literatura oficial.


Ora, sabemos das manipulações políticas que acontecem nas instituições denominacionais, sabemos que a OPBB não está, de maneira nenhuma, isenta de manobras para colocação de determinados elementos na direção ou nas direções estaduais. Sabemos que logo começariam a haver rejeições de líderes formados em Seminários que não são da CBB (que convenhamos, deixaram de ser batistas há muito tempo), de líderes que não lêem na cartilha de dominadores, de líderes que se levantam contra todos os desmandos e desvios doutrinários que estão acontecendo em nosso meio.


Creio que só não deixamos de ser uma denominação batista por causa de muitos pastores heróis que continuam doutrinando as igrejas que pastoreiam, conduzindo-as através do Novo Testamento, firmando-as em Cristo Jesus, independentemente de toda essa liderança que está ruindo juntamente com as instituições convencionais que, convenhamos, são pára-eclesiásticas.


Se quisermos continuar sendo batistas autênticos, devemos primar por nossos princípios básicos, e um deles é a independência das igrejas. Por isso tudo e muito mais, não devemos incluir nenhuma cláusula restritiva à independência das igrejas nossos seus estatutos.