terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A MORTIFICAÇÃO DO PECADO

(parte 1)


por 

Silas Roberto Nogueira 

“mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.”
(Romanos 8:13 –ARA)

É verdade que o só ouvi falar em mortificação causa aversão em muitos evangélicos, especialmente aqueles que vieram do catolicismo romano.  Para tais pessoas a mortificação está ligada àquelas práticas penitenciais e ascéticas mais rigorosas, muitas vezes repugnantes, onde o fiel se submete à privação ou dor em busca da santificação ou participação nos sofrimentos de Cristo.

Aliada ao preconceito está a ignorância quanto ao assunto e sua relação essencial com a doutrina da santificação.  A superficialidade que impera no cristianismo moderno é proverbial e escancarou as portas para a introdução de conceitos equivocados quanto à santificação que fizeram com que o tema da mortificação fosse naturalmente negligenciado e considerado como supérfluo. 

No entanto, nem as reminiscências do catolicismo e nem a superficialidade são a causa principal do repúdio à mortificação. A causa concreta, progenitora de todas as outras é a nossa natureza carnal. A nossa natureza carnal se opõe vigorosamente contra a sua mortificação, de modo que há um intenso conflito em nós, em nosso interior. É exatamente aqui que muitos crentes perdem a batalha contra o pecado e isso por não compreender biblicamente e por não praticarem aquilo que as Escrituras ensinam sobre a mortificação.

A meu ver a mortificação é um tema bíblico cuja abordagem é urgente em nossos dias.  Penso que ninguém mais, além dos apóstolos, escreveu sobre o assunto melhor que os puritanos e, entre eles, sobressai John Owen. A primeira vez que li sobre o tema foi com James I. Packer e a menção era ao que Owen havia escrito, a quem ele atribui quase toda a luz que recebeu sobre o assunto. De fato Owen lança muita luz sobre a questão, luz tão intensa que atravessa os séculos e iluminando homens que já apalpavam na escuridão dos tempos modernos, superficiais e gratificadores da carne. Assim, ao abordar o assunto, teremos Owen diante dos olhos.

No texto acima, Romanos 8:13, Paulo confronta os crentes romanos com duas maneiras de viver. Uma maneira é “pela carne” a outra é “pelo Espírito”, a primeira maneira tem como resultado a morte (“caminhais para a morte”), a segunda, a vida (“vivereis”). Interessa-nos a segunda maneira de viver, aquela que resulta em vida e que, portanto implica na mortificação dos feitos do corpo.

Observemos cuidadosamente o texto. Embora em nossas versões a primeira palavra do versículo seja “porque” (ARA/ARC/ACF/VIBB) ou “pois” (NVI/BJ) para fazê-lo mais compreensível, no original grego a primeira palavra é “se”, uma condicional.  Owen assinala:

Paulo usa este “se” para indicar a conexão entre mortificar os feitos do corpo e o viver. É como se disséssemos a um homem doente: “se tomar o remédio, logo se sentirá melhor”. Ao homem doente se está fazendo uma promessa de melhoria na sua saúde, desde que siga o conselho que lhe é dado. Da mesma maneira, o “se” do nosso texto diz que Deus determinou “mortificar os feitos do corpo” como um meio infalível de conseguirmos “Vida”. Há uma conexão inquebrável entre verdadeiramente mortificarmos o pecado e a vida eterna. [i] 

É, portanto, uma questão de vida ou morte. Nas palavras de David Brown “se não matardes o pecado, o pecado vos matará”. Essa é uma questão crucial, eis a razão pela qual o assunto se reveste de um caráter urgente. 


continua....

[i] A Tentação, A Mortificação, o que todo cristão precisa saber, J. Owen, PES, p. 87.

Um comentário:

  1. Consideração sobre Rm 8.13 muito boa. Infelizmente o Cristo que nos pregam veio nos dar vida para fazermos o que quizermos dela... não se fala do Cristo que morreu em nosso lugar para que tivéssemos vida, e vida esta agora que deve estar totalmente voltada para uso santo do SENHOR e para a glória dAquele que nos redimiu.
    "E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho." (1Jo 5:11)
    Querem nos ensinar a gozar a vida eterna mas sem precisarmos estar vivendo em Jesus. Isto é um engano fatal.
    Trágico!!!

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