segunda-feira, 7 de março de 2011

O Homem de Deus (ii)

Silas Roberto Nogueira

(b) Daquilo que foge

Em segundo lugar, o que se pode dizer sobre o homem de Deus é que ele é, em certo sentido, um fugitivo. Em outras palavras, o homem de Deus é conhecido por aquilo que ele evita, aquilo de que foge. Nosso texto diz “foge destas coisas”. Paulo usou uma palavra cujo sentido é o de buscar segurança pela fuga, ou evitar algo que o põe em perigo. A palavra usada pelo apóstolo é um verbo que está no imperativo presente e isso implica em uma ação contínua, um estilo de vida. O homem de Deus vive em fuga, pois não há uma margem segura, no ministério as tentações e pressões são constantes, ou ele foge ou põe tudo a perder.

A questão é saber especificamente do que o homem de Deus deve fugir. John Gill assinala que a versão árabe traz “dessas abominações”. Paulo apenas diz: “destas coisas” (ARA) ou “de tudo isso” (NVI), tendo coisas bem específicas em mente. O contexto indica que Paulo se refere àquilo que mencionou nos versículos anteriores (v. 3-10).

Primeiramente o homem de Deus deve fugir da piedade sem contentamento, v.6.  Em outras palavras, o homem de Deus não vê a piedade como um meio de promover seus próprios interesses materiais.  Roger L’ Estrange declarou que “aquele que serve a Deus por dinheiro servirá ao diabo por salário melhor”. A marca distintiva dos falsos profetas e falsos mestres é a maneira como se beneficiam da religião para o enriquecimento pessoal. Paulo faz declarações fortes acerca de tais pessoas nos versículos 4,5. A primeira é que eles são “enfatuados”, isto é, orgulhosos (NVI). Tais homens estão tão cheios de si mesmos que não há espaço em seus corações para mais ninguém. O orgulho sempre está por perto daqueles que estão longe de Deus. A segunda declaração de Paulo é que tais pessoas são faltos de entendimento (“nada entende”). Pouco antes, no capítulo 1.6,7, o apóstolo declara que estas pessoas se perdem em discussões inúteis e “pretendendo passar por mestres” não entendem nem mesmo o que dizem, embora suas declarações sejam ousadas. A terceira declaração de Paulo é que tais pessoas são maníacas por debates ou polêmicas.  Não há nenhum fruto positivo dos seus debates, ninguém é instruído, antes é destruído pela inveja, provocações difamações e suspeitas malignas e “altercações (atritos) sem fim” (v.5). A quarta declaração apostólica é que tais pessoas possuem a “mente pervertida” (v.5). A palavra “mente” aqui significa bem mais que a capacidade de raciocinar, refere-se a atitude mental e moral do homem como um todo. Tanto o seu modo de pensar quanto o seu modo de agir são completamente “corrompidos” e isso é o que os leva a agir como mercenários. A quinta declaração diz que tais homens são “privados da verdade”. Eles se deixam privar da verdade pela sua depravação inata e recusam o “pleno conhecimento da verdade” (2.4). Por estarem privados da verdade, sua piedade é desprovida de poder (2 Tm 3.5) e de contentamento (v.6) sendo só uma aparência de piedade.

Continua... 

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