terça-feira, 5 de abril de 2011

O Homem de Deus (vi)

(d) pelo seu combate: 
Em quarto lugar o homem de Deus é reconhecido pelo “combate”. Algumas versões em português têm “milita” (ARC) ou “peleja” (VIBB). Nossas versões em português dão a entender que o termo usado aqui é do militarismo, isto é, do campo de batalha, contudo, o termo vem do campo do atletismo. Uma tradução possível seria “desempenha tua parte na nobre competição da fé”. Em 2 Timóteo 2.4-6, Paulo usa três metáforas para o homem de Deus. A primeira, a do soldado dedicado, a segunda a do atleta sujeito à rígida disciplina e a terceira a do diligente lavrador que trabalha arduamente. A segunda das metáforas de Paulo, a do atleta, tem uma íntima conexão com o que ele diz aqui. Podemos destacar o seguinte:
(1)  Este combate é um “bom combate”, é sublime por natureza. Há coisas nobres pelas quais se deve combater, no entanto o bom combate é um só – “da fé” e nele o homem de Deus deve estar envolvido.  Paulo foi um combatente até o final de sua vida, 2 Tm 4.7. 
(2)  O combate referido aqui não é carnal, isto é, não é o exercício físico, mas espiritual – “da fé”. Este combate é primeiro o combate “da fé” no sentido da pregação do evangelho. A salvação dos eleitos de Deus ocorre em meio ao combate da fé, 1 Tm 4.10; 1 Ts 2.2; Col 1.26-28; em segundo lugar, o combate aqui tem um tom apologético – “pela fé”, Jd v.3.  Somos chamados não somente para propagar a fé, mas também para defendê-la dos muitos ataques que o mundo lança sobre ela. Eis a razão de o apóstolo chamá-lo “bom combate”. Em terceiro lugar, o combate da fé aqui envolve a luta pelo crescimento pessoal na fé. Somos chamados para propagar o evangelho tanto quanto para sermos dignos de o fazê-lo. Por isso Paulo recomenda a Timóteo: “exercita-te pessoalmente na piedade, pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa” (1 Tm 4.7,8).
(3)  Assim como um atleta se submete à rígida disciplina para competir e alcançar sua meta (1 Co 9.25-27), o homem de Deus deve submeter-se a uma rígida disciplina para sair-se vitorioso no combate da fé. Essa disciplina tem a ver com a submissão dos nossos corpos a nós mesmos, isto é, domínio próprio e mortificação do pecado. 
(4)   Assim como um atleta só recebe o troféu se competir de acordo com as regras (2 Tm 2.5), o homem de Deus é chamado para combater segundo um padrão que deverá reger a sua vida moral, além disso o sentido de correr de acordo com as regras implica em conformidade e fidelidade às normas – a Lei de Deus.
(5)  A vida cristã é considerada como uma corrida (1 Co 9.24), assim o homem de Deus deve exercitar-se na piedade continuamente de modo a deixar, como um atleta, todos os impedimentos ao seu avanço para trás (Hb.12.1).
Há mais algumas coisas a destacar sobre tal combate. Em primeiro lugar, o combate é inevitável, não há campo neutro. Desde que somos chamados à “vida eterna” estamos envolvidos num combate vitalício. O verbo no presente indica que o combate é contínuo. Em segundo lugar, nossa chamada para o combate foi pública e notória por meio da nossa profissão de fé. Em certo sentido, o homem de Deus não pode ser um pacifista, embora deva ser um pacificador. 

Pelo que combatem os autodenominados homens de Deus? Se estiverem combatendo, o fazem de acordo com as regras? Estão cada vez menos aparamentados de si mesmos? Estão em combate vitalício ou pediram trégua? Estão em paz com o mundo de tal modo que o mundo não se opõe a eles?

Continua - parte final. 

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