quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

OS PERIGOS QUE CERCAM O CULTO


Silas Roberto Nogueira

(Algumas Notas da Série de Sermões em Malaquias) 

Texto: Malaquias 1:6 -14

Você já parou para pensar nos perigos que corre ao cultuar a Deus?  Poucos se dão conta disso, mas há perigos que cercam o culto a Deus. Uma das coisas que muitos ignoram é que Deus não recebe qualquer tipo de culto. Ele não é um Deus do tipo carente que se satisfaz com qualquer tipo de adoração. Em outras palavras, o culto a Deus tem que ser aceitável a Ele. John Frame assinala que “culto é serviço de reconhecimento e honra a grandeza do nosso Senhor da Aliança”. Se nosso ajuntamento for menos que isso, não é aceitável a Deus. É importante que saibamos que Deus nem sempre se agrada do culto que Lhe prestamos. A Bíblia narra vários exemplos de cultos que desagradaram a Deus, Caim (Gn 4), Nadabe e Biú (Lv 10:1-13), Saul (1 Sm 13:7-14), Uzá (2 Sm 6:6,7 com 1 Cr 15;13-15), Uzias (2 Cr 26:16-23). Observe que em cada um dos casos Deus executou juízo contra aqueles que não o cultuaram de modo devido. John Frame diz que cultuar a Deus de modo certo é uma questão de vida e morte. A Confissão de Fé Batista de 1689 declara:

A luz da natureza mostra que existe um Deus, que tem senhorio e soberania sobre todos, que é justo, bom, e faz o bem a todos; e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido, de todo o coração, de toda alma, e com todas as forças. Mas a maneira aceitável de se cultuar o Deus verdadeiro é aquela instituída por Ele mesmo, e que está bem delimitada por sua própria vontade revelada, para que Deus não seja adorado de acordo com as imaginações e invenções humanas, nem com as sugestões de Satanás, nem por meio de qualquer representação visível ou qualquer outro modo não descrito nas Sagradas Escrituras. (CFB 1689, XXII.I)

Deus estabeleceu regras para o culto e corremos sérios riscos quando transgredimos tais regras, por isso o autor de Hebreus diz “sirvamos a Deus de modo agradável...” (Hb 12.28).

O PERIGO DO CULTO IRREVERENTE, v.6,7
O primeiro perigo que corremos na adoração é prestar a Deus um culto irreverente. Os sacerdotes “desprezavam” (hb bazaz - menosprezo) a Deus. Eles desprezavam ou menosprezavam ao Senhor com duas atitudes:
a)      Não O honravam (kabod = glória) como pai – isso quer dizer que não Lhe demonstravam afeição, amor como Ele requereu em Suas ordenanças.
b)     Não O temiam (mowrá = temor, medo) como Senhor – isso quer dizer que não Lhe demonstravam respeito.
O culto que prestavam não procedia de um coração cheio de profundas afeições por Deus, como Deus requer, Dt 10:12. Piper diz que afeições fortes por Deus são os ossos e a medula do culto bíblico. O desprezo manifesta-se na desobediência, quando desobedecemos a Deus nós O desprezamos (1 Sm 2:17; 2 Sm 12:10). Malaquias denuncia o culto irreverente dos sacerdotes em que se apresentavam diante de Deus com motivações torpes (v.7 – “pensais”) em flagrante desobediência às prescrições bíblicas quanto ao culto. Além do mais, não se davam conta do seu pecado e arrogante e cinicamente perguntavam– “em que te havemos profanado?” (v.7), não viam aquela atitude como pecado.

Peter Green certa vez declarou “onde não há reverência, certamente está faltando a espécie mais elevada de amor”.

Como isso se aplica a nós? Os reformadores defendiam o sacerdócio universal de todos os crentes e isso torna essa mensagem com uma aplicação direta para nós. Como afirmou Frank Gabelein “a reverência é essencial para a adoração”. Aproximar-se de Deus sem reverência é brincar com fogo, ou seja, é estupidamente perigoso, Hebreus 12:28.

O PERIGO DO CULTO INCOERENTE, v. 8-10
O segundo perigo que corremos é a falta de coerência no culto. Isso pode ocorrer em três instâncias:
a)      Incoerência com a prescrição divina, Dt 15:21. A Lei mosaica prescrevia que nenhum animal dilacerado, doente ou defeituoso poderia ser oferecido a Deus. Era exatamente esse tipo de animal que os judeus estavam oferecendo ao Senhor (1:8,9). Deve haver coerência entre o nossa atitude com as prescrições bíblicas, do contrário estamos pecando.
b)     Incoerência com a dignidade de Deus, v.8,9. O povo não ousaria oferecer um animal dilacerado ou enfermo a uma autoridade humana, pois entendiam o perigo de fazê-lo. Mas não temiam ofertá-lo a Deus. Temiam homens, mas não Deus! Deve haver coerência entre as nossas ofertas e a dignidade dAquele a quem estamos ofertando. Como buscar o favor de Deus com tais ofertas?
c)      Incoerência com a vida do adorador, v.9b. A vida do adorador antecede a oferta, contudo a oferta corresponde à vida do adorador.

A advertência do Senhor é que um culto hipócrita, sem coerência é um culto inútil, v.10 (“não tenho prazer”) com Is. 29:13. Quando há um divórcio entre a vida e a teologia a adoração é vã.

Caim não teve seu culto recusado pelo fato de ter oferecido a Deus os fruto do campo, mas porque sua vida era incoerente com o Deus que pretendia cultuar, Gênesis capítulo 4.

Deus quer um culto coerente – “vivo, santo e agradável” (Rm 12:1,2). Uma vida piedosa é um culto contínuo!

O PERIGO DO CULTO NEGLIGENTE, v. 8,9,13,14
O terceiro perigo que corremos é o de prestar culto a Deus de modo negligente. A negligência se manifestava em dois sentidos – em ambos os casos as primícias são negligenciadas, mas as bênçãos são requeridas:
a)      Qualquer coisa serve: havia aqueles que ofereciam qualquer animal a Deus. O termo “dilacerado” (v.13) implica em que muitos estavam oferecendo animais que haviam sido atacados por outros animais, quem sabe até mesmo animais mortos. Pensavam no culto como uma obrigação, uma necessidade para Deus. Até hoje tem quem pensa que Deus precisa da nossa adoração e por isso se satisfaz com qualquer adoração – mas isso está longe da verdade.
b)     Aparência de piedade (v.14): havia alguns que queriam passar a imagem de espirituais. Faziam votos públicos (Lv 22:17-25) e quando era para oferecer um animal sem defeito, trocavam-no por outro doente sem que ninguém percebesse. A hipocrisia é um mal terrível. O embuste é amaldiçoado.

O que fizeram Ananias e Safira?  (At  5.1-11) O que lhes sobreveio? A hipocrisia é fatal.

Deus requer a nossa diligência nos atos de culto, tudo deve ser feito da melhor maneira possível. Um culto negligente não conta com a bênção de Deus, mas sua maldição.

O PERIGO DO CULTO ENTEDIANTE, v. 13
Um quarto perigo é o do culto entediante. Os sacerdotes estavam insatisfeitos com os serviços do culto e o povo os seguia mostrando-se cada vez mais mesquinho. O termo usado para “canseira” aqui é uma metáfora extraída do gado que quando não quer uma determinada forragem bufa sobre ela e a enjeitam. Os sacerdotes viam o serviço religioso como um fardo (Mq 6:3), não havia alegria nenhuma, como houve no passado, Sl 122:1; Sl 32.11; Sl 84.

Alguém já disse com propriedade que se não há alegria na adoração não há adoração. Não há tédio em estar na presença de Deus, pois Ele é manancial de alegria, de felicidade!
Quando não encontramos prazer em Deus, nada poderá nos satisfazer. Um cristão verdadeiro não precisa ser arrastado ao culto, isso lhe é um prazer. Um verdadeiro cristão não troca o culto por outra programação mais interessante, pois nada pode ser mais prazeroso do que estar na Casa de Deus.

Devemos ter em mente que o culto é uma questão de vida ou morte. Não podemos cultuar a Deus de qualquer modo, de qualquer maneira. Nosso culto deve ser reverente. Devemos cultuar a Deus de modo coerente. Uma vida piedosa é um culto contínuo! Devemos cultuar a Deus de modo diligente. Devemos cultuar ao Senhor com alegria!