sábado, 22 de junho de 2013

UMA PALAVRA SOBRE A LIDERANÇA DA IGREJA


Silas Roberto Nogueira

(Notas da Série de Sermões em 1 Pedro)

1 Pedro 5: 1-4

Chegamos ao último capítulo da Epístola de Pedro. A mensagem da Epístola foi concluída no capítulo 4. O resto da Epístola consiste de admoestações, exortações e saudações pessoais. Neste último capítulo de sua carta, Pedro é admiravelmente pessoal.  Aqui o apóstolo fará uma série de exortações aos seus leitores. Primeiro fala aos líderes das igrejas, v 1-4, depois trata dos relacionamentos, dos jovens com os mais velhos, v.5ª, do relacionamento dos irmãos uns para com os outros, v.5b,6, do relacionamento do crente consigo mesmo, v.7, da guerra espiritual, v.8-11, e finalmente, dá suas saudações finais, vv.12-14. Hoje nós focalizaremos apenas a primeira parte das suas exortações finais, os vv.1-4. Nestes versículos Pedro dá uma palavra aos líderes da igreja, falando dos seus deveres e recompensas. Vamos extrair daqui alguns princípios para a liderança:

O primeiro princípio que Pedro deixa claro é que a liderança da igreja deve estar com os presbíteros, v.1a Há três pontos subjacentes aqui:

- Liderança é para homens: a igreja cabe aos homens, aos “presbíteros”.  Os presbíteros eram os homens mais velhos de um clã, de uma tribo, de uma família, reconhecidamente sábios, a quem cabia conduzir os assuntos das famílias, das tribos e das sinagogas. Justamente este é o primeiro ponto que quero destacar sobre a liderança da igreja, que elas sejam dirigidas por homens de reconhecida sabedoria, de envergadura moral e espiritual; homens experientes, mas não necessariamente velhos. Homens, jamais mulheres. Mark Dever em “Deliberadamente Igreja”(Fiel, p.163) assinala: “um presbítero é um homem de caráter exemplar, semelhante a Cristo, capaz de liderar o povo de Deus por meio de ensinar-lhes a Palavra de Deus, de um modo que os beneficie espiritualmente.”
- Liderança é colegiada: podemos notar que o termo “presbíteros” está no plural. Em outras palavras, sempre que o termo ocorre, a não ser que se referia a um presbítero em especial, está no plural.  O Novo Testamento deixa claro que em cada igreja havia “presbíteros”, At 11:30; 14:23; 15:2; 20:17; 1 Tm 5:17; Tt 1:5; Tg 5:14. A liderança da igreja deve ser exercida por um grupo de homens, um colegiado de presbíteros. O colegiado é também conhecido como “presbitério”, 1 Tm 4:14. W. B. Johnson (1782-1862), o primeiro presidente da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos afirmou “a pluralidade no presbitério é de grande importância para o conselho e ajuda mútuos, de modo que o governo e a edificação do rebanho sejam promovidos da melhor maneira”.
- Liderança co-igual: todos nós sabemos que Pedro é um apóstolo (1:1), ele foi “testemunha dos sofrimentos de Cristo” (v.1b com At 2:21,22) todavia aqui fala de si mesmo como um “presbítero como eles”. Literalmente a palavra quer dizer “co-presbítero”.  O princípio que emerge de tal declaração é que a liderança na igreja não deve ser estabelecida como uma hierarquia sufocante. Pedro não fala como estando sobre eles, não fala do alto de sua posição de apóstolo, mas fala como alguém que está na mesma posição deles.
Um colegiado de presbíteros tem aspectos práticos para a igreja. Mark Dever menciona vários pontos que vou reduzir a três pontos básicos: (1) Compensa as fraquezas do pastor. Nenhum pastor é tão dotado que possa fazer, por si mesmo, toda a obra do ministério igualmente bem. (2) Conduz a igreja à maturidade. Um colegiado de presbíteros conduz à igreja à maturidade de modo que não fique dependente do pastor; (3) Auxilia na aplicação da disciplina corretiva. Um colegiado de presbíteros divide o fardo da disciplina corretiva com o pastor, preservando o testemunho corporativo da igreja perante o mundo. Precisamos nos esforçar conjuntamente para que nossa igreja siga fielmente os princípios bíblicos acerca da liderança para que possa cumprir a sua missão no mundo.
O segundo princípio para a liderança da igreja é que os presbíteros devem pastorear a igreja, isto é, o rebanho de Deus (cf. At 20:28), v.1b. O pastoreamento pode ser exercido de duas maneiras básicas: governar e ensinar.  Wayne Gruden afirma “nas igrejas do Novo Testamento, os presbíteros tinham a responsabilidade de governar e ensinar”. Em 1 Timóteo 5:17 Paulo parece fazer uma distinção entre presbíteros, vejamos:

- Presbíteros que presidem: na primeira parte do v.17 Paulo destaca “os presbíteros que presidem”. Presidir ou governar é um dom espiritual, Rm 12:8. Presidir se refere especificamente a liderar, guiar ou direcionar a igreja. Isso envolve o tomar decisões, planejar, administrar, delegar e governar os detalhes da vida da igreja. Os presbíteros que possuem esse dom servem a igreja em sua administração geral.
- Presbíteros que ensinam: na segunda parte do v.17 Paulo enfoca “os [presbíteros] que se afadigam na Palavra e no ensino”. Calvino comenta acerca dos presbíteros que “nem todos são ordenados para a docência”. A docência aqui se refere ao ministério pastoral em si. Os presbíteros chamados à docência possuem o dom de pastor-mestre, Ef 4:11. Cabe a eles alimentar o rebanho com as ricas verdades da Palavra de Deus.  Não é necessário fazer uma rígida distinção entre os presbíteros que governam e os que ensinam, a distinção refere-se ao ofício e não à dignidade. De modo geral um presbítero tem que  ser apto para ensinar e governar, 1 Tm 3:2,4,5. O importante é saber que cada presbítero servirá de acordo com seu dom espiritual que recebeu. Phill Newton assinala: “nisto percebemos a sabedoria do modelo de pluralidade de presbíteros... ninguém possui todos os dons necessários para liderar uma congregação. Alguns homens são dotados com fortes dons de pregação, mas falta-lhes habilidade pastoral. Outros excedem na obra pastoral...mas são fracos no que concerne à exposição no púlpito. Alguns tem habilidades incomuns de organizar e administrar...mas falham no púlpito e no aconselhamento”. Precisamos entender que cada líder deve servir à igreja de acordo com seu dom espiritual. Para isso é necessário que cada um descubra o seu dom e o exercite em favor dos outros.
O terceiro ponto trata das motivações para o ofício do presbitério, v.2,3. Há três pontos que devemos destacar aqui acerca do homem que se envolve no ministério presbiteral:

- Nem um homem deve servir por imposição: ninguém deve ser empurrado ao presbitério, por isso Pedro diz que ninguém deve fazê-lo “por constrangimento”, v.2. Dr. Shedd comenta com sabedoria: “se o candidato à liderança eclesiástica assume tal responsabilidade a contragosto já está desqualificado.” O serviço a Deus deve ser espontâneo, voluntário, 1 Tm 3:1. Deus requer que a entrada no ministério seja espontânea, segundo nos afirma Pedro. Warren Wiersbe assinala com sabedoria: “quando um homem tem o coração de um pastor, ama as ovelhas e lhes serve porque deseja, não porque precisa”.
- Nenhum homem deve servir por ganância: ninguém deve ser atraído ao presbitério seja por dinheiro, poder ou promoção pessoal. A expressão “sórdida ganância” usado por Pedro aqui tem o sentido do dinheiro que é ganho de modo vergonhoso. O presbítero não pode ser um avaro (1 Tm 3:3), muito menos cobiçoso (Tt 1:7). Não deve amar ao dinheiro e nem se dedicar a buscar o lucro pessoal. Warren Wiersbe comenta “os pastores precisam ter cuidado para não se envolver em esquemas para ganhar dinheiro que os distraiam do ministério”, cf 2 Tm 2:4. O presbítero deve servir a Deus de boa vontade afirma Pedro. A palavra usada por Pedro aqui tem o sentido de servir a Deus com entusiasmo e zelo devotado.
-Nenhum homem deve servir como um déspota: os presbíteros devem tomar cuidado de não querer assenhorar-se do rebanho do Senhor. O rebanho pertence a Deus, apenas foi confiado ao presbítero para que ele o pastoreie, não para que o domine despoticamente. A palavra usada por Pedro tem o sentido de alguém que age como tirano. Os presbíteros são supervisores, não senhores. Note que a liderança presbiteral é exercida “entre” e não “sobre” o rebanho. A motivação do presbítero deve ser o serviço. O problema da liderança hoje é que temos mais celebridades do que servos. O líder servo lidera tornando-se um exemplo, um padrão para o rebanho. O presbítero não exige respeito, ele o conquista por sua vida e por seu serviço sacrificial.
Quem pretende adentrar no ministério deve ter a motivação correta. C.H. Spurgeon advertia “não entre no ministério se você puder evita-lo.” A motivação correta está diretamente relacionada com o chamado de Deus para o ministério. Um homem, antes de entrar no ministério deve perguntar a si mesmo se foi chamado por Deus para estar ali.


Finalmente Pedro fecha a sua exortação falando da recompensa do ministro fiel, v.4. A recompensa do ministério é futura, não imediata. Os sub-pastores receberão a sua recompensa quando do retorno do Sumo Pastor. A recompensa que os pastores receberão é chamada “coroa de glória”. Para entender o sentido dessa frase precisamos nos voltar ao v.1 onde Pedro fala em ser “coparticipante da glória que há de ser revelada”.  Devemos entender que a  recompensa  dos presbíteros fiéis é a própria glória do Senhor, isto é, o compartilhar de toda a exaltação, todas as riquezas e alegrias transbordantes pertencentes eternamente a Ele. 

Um comentário:

  1. Ótima exposição. Me ensinou muito, e o interessante é que tudo isto está em minha Bíblia!!!
    Ó SENHOR me ajude a encontrar os tesouros de Tua Palavra!

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