terça-feira, 26 de março de 2013

CERTEZA DA SALVAÇÃO





Silas Roberto Nogueira


1 Pedro 1:3-5

(Notas do 8° sermão da Série de Sermões em 1 Pedro) 



Na semana passada refletimos sobre o fato de que perseveraremos até o fim na salvação porque Deus é quem nos guarda mediante o seu poder. Hoje, embora façamos uso do mesmo texto, quero tratar de um assunto diferente, a certeza da salvação. Esse é um assunto ligado ao da perseverança dos santos, contudo distinto dele. Alguns pensam que é a mesma coisa, porém estão enganados. O crente não perde a salvação, como já vimos na semana passada, mas a certeza da salvação ele pode não experimentar ou mesmo experimentá-la e perde-la sem que isso afete a sua salvação. Esse é um assunto importante, porém negligenciado atualmente, como tantas outras doutrinas. Que queremos dizer com certeza de salvação? Quando falamos em certeza da salvação falamos naquela convicção firme, na mente do cristão, da certeza absoluta de sua salvação, tanto atual quanto eterna.

Um pouco de história da doutrina pode ajudar-nos a compreender o variado modo de pensar moderno. O catolicismo sempre afirmou que ninguém pode obter certeza da salvação, salvo uma revelação especial da parte de Deus. Louis Berkhof comenta “a Igreja católica Romana nega, não somente que a certeza pessoal pertença à essência da fé, mas até mesmo que ela seja um actus reflexus (ato reflexivo) ou fruto da fé”.[1] Para o romanismo a certeza da salvação é um ensino perigoso, herético e anátema. O arminianismo primitivo parece ter caminhado com Roma na questão da certeza da salvação.[2]

John Wesley (1700-1791) era de convicções arminianas, mas introduziu algumas mudanças no sistema. Para Wesley a certeza da salvação provinha do testemunho interno do Espírito Santo.[3] Portanto, a certeza da salvação faz parte do arcabouço teológico de Wesley. “Ele ensinava a legitimidade e necessidade de crer e defender a doutrina da Certeza da Salvação, embora não cresse na permanência definitiva dela, isto é, na Perseverança dos Santos”.[4]

Os reformadores sempre afirmaram a certeza da salvação. Em sua reação a posição do romanismo muitas vezes eles falavam que a certeza da salvação era essencial à própria fé, o elemento mais importante da fé. Sem essa certeza de salvação podia-se duvidar da presença de verdadeira fé.[5] 

Os puritanos davam muita ênfase na certeza plena da salvação. Augutus Nicodemus Lopes comenta que os puritanos “sabiam que o propósito do homem é "glorificar a Deus e gozá-lo para sempre", mas entendiam que, enquanto não se alcançasse essa certeza plena de que você era um eleito, não poderia glorificar a Deus de forma total”.[6] O puritano Willliam Guthrie, no seu livro, "O Maior Benefício do Crente" (1658) diz: "Qual a principal ocupação do homem neste mundo?" Resposta: "Ter certeza de que participa de Cristo e viver de acordo com isto".[7] Mas o movimento puritano avançou em sua concepção do assunto. No movimento puritano a certeza da salvação não era critério para julgar se uma pessoa era salva ou não. Para os puritanos a certeza da salvação estava ligada à santificação[8], não era produto de mera persuasão conjectural, mas na infalível promessa de Deus, a manifestação interna de vida espiritual piedosa e do testemunho interno do Espírito.[9]  Esse ensino, creio eu, é o que se coaduna com o ensino das Escrituras. Voltemos nossos olhos agora para o que Pedro nos afirma aqui. Em que bases podemos ter certeza plena da nossa salvação?

1. A CERTEZA DA SALVAÇÃO REPOUSA NAS PROMESSAS DE SALVAÇÃO
Pedro nos apresenta a uma gloriosa promessa de salvação nos v.4,5. Observe que Pedro declara que fomos regenerados para herdarmos uma herança que é “incorruptível” ( a morte não toca), “sem mácula” (não manchada pelo mal) e “imarcescível” (perene, não prejudicada pelo tempo) – e que não há nenhum tom de incerteza em suas palavras, fomos salvos para herdar e vamos herdar isso, segundo a promessa da Palavra de Deus. Ora, se a herança não perece porque os herdeiros também não perecem. Pedro ainda faz outra afirmação – essa herança “é reservada nos céus para vós outros”. O termo usado aqui por Pedro indica que a herança existe e está sendo preservada aos que são igualmente guardados para ela (Mt 25.34). No v.5 Pedro declara que não somente a herança nos está reservada, mas que nós mesmos somos guardados para ela. Essa gloriosa promessa das Escrituras serve como alicerce sobre o qual construo o edifício da minha certeza.

Há outros testemunhos das Escrituras que podem ser considerados, 1 Jo 5.10,11; Jo 3.14-16,33,36; 5.24;6.47; At 10.43;13.39. Diz Lloyd Jones “aqui tenho essas declarações das Escrituras, as quais já aceitei como a Palavra de Deus. Elas fazem afirmações categóricas sobre aqueles que creem...Garantem que, se creem, já estão de posse da vida eterna. De modo que encaro essas declarações, e digo: portanto, já tenho a vida eterna, as Escrituras assim o dizem, se não creio nisso, estou declarando que Deus é mentiroso”.

Devemos declarar com Adoniran Hudson “meu futuro é tão brilhante quanto as promessas de Deus”. O puritano Mathew Henry afirmou que a “incredulidade está na raiz de toda nossa insegurança em relação às promessas de Deus”.

Nossa certeza de salvação não provém do testemunho de homens, mas de Deus. Nada há de mais consolador do que repousar sobre a Palavra de um Deus que não pode mentir.
     
2. A CERTEZA DE SALVAÇÃO REPOUSA NA EVIDÊNCIA INTERNA DA GRAÇA
O segundo ponto para o qual chamo a sua atenção refere-se ao da evidência interna da graça. Em outras palavras são os sinais da nova vida em nós, mostrando que as coisas velhas passaram e tudo se fez novo, 2 Co 5.17. Lloyd Jones chamou a isso “prova de vida”.  Pedro fala dessas provas de vida em 1.22,23. Ele afirma que como resultado da nova vida em nós haverá o desejo de santificação (“tendo purificado a vossa alma”), a fé (“pela obediência à verdade”) e o amor fraternal (“tendo em vista o amor fraternal”). Em sua segunda Epístola capítulo 1.4-10 o apóstolo expande isso mostrando que aqueles que são salvos desenvolvem a sua salvação e dão evidências de sua eleição, v.10.

Foram esses versículos que em parte trouxeram paz ao coração de John Wesley em 24 de maio de 1738. Ele os leu às 5 horas da manhã, em seu período devocional. À noite, ao ouvir uma leitura da introdução de Lutero a Epístola aos Romanos, sentiu seu coração aquecido e teve certeza da sua salvação, diz ele : “Eu senti que agora confiava realmente em Cristo, somente em Cristo, para salvação: e me foi dada a segurança de que Cristo havia perdoado os meus pecados, sim, os meus, e que eu estava salvo da lei do pecado e da morte”.[10]

Archibald Hodge comenta: “o crente cuja fé é vigorosa e inteligente tem uma evidência distinta em sua própria consciência de que ele, pessoalmente, crê. Daí ser óbvia a conclusão de que ele terá a vida eterna.”[11] Essa experiência indicará que estamos unidos a Cristo e nessa certeza nosso coração descansa.

William Guthrie, um puritano, escreve: "a certeza é obtida através da seguinte argumentação: quem crê em Cristo jamais será condenado, eu creio em Cristo, logo jamais serei condenado", e mais "o Espírito Santo testifica sobre esta avaliação e a torna evidente à mente". Tem que ser as duas coisas. Richard Sibbes no volume um das suas obras diz: "Eu sei que creio porque o Espírito Santo impele a minha alma a isto, porém a forma mais comum de conhecermos o nosso estado diante de Deus é deduzindo a causa a partir dos efeitos".

Devemos fazer um autoexame sincero em nossa vida em busca de evidências internas da graça.

3. A CERTEZA DA SALVAÇÃO REPOUSA NO TESTEMUNHO INTERNO DO ESPÍRITO
Observe que Pedro diz que “Deus e Pai” foi quem operou em nós a regeneração. Ora, como já vimos a regeneração nos torna filhos de Deus, Jo 1.12,13. A nossa filiação é atestada pela presença do Espírito em nós, 2 Tm 1.14; Tg 4.5; 1 Jo 3.24;4.13 . O Espírito nos tornará templos de Deus (1 Co 6.19), nos guiará (Rm 8.14) e nos santificará (Gl 5.16) e produzirá o caráter de Cristo em nós (Gl 5.22-25). A presença do Espírito em nós torna-se a base final e definitiva da nossa infalível segurança de salvação.

Mas, além da presença do Espírito há o testemunho interno do Espírito Santo, Rm 8.16. Precisamos entender que esse testemunho do Espírito não é uma declaração direta – “você é filho de Deus a partir de agora”, como alguns pensam. Na verdade o testemunho do Espírito com o nosso espírito de que somos filhos de Deus compreende uma série de particulares, todos eles combinados pelo Espírito para tal fim.

O entendimento dos puritanos sobre esse assunto em especial implica em uma experiência que não sobrevém a todos, mas a alguns apenas. Não é normativa, mas poderia ser buscada. Para William Guthrie no v. 16 Paulo está falando de outro nível de certeza, quando diz que o Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus: "É uma manifestação gloriosa de Deus à alma, derramando seu amor no coração, é algo que se percebe melhor sentindo do que descrevendo. Não é uma voz audível, mas é um raio de glória enchendo a alma da presença de Deus; do Deus que é luz, vida, amor, e liberdade. Ó quão gloriosa é esta manifestação do Espírito! A fé se eleva a uma convicção plena tal, que você se vê diante do próprio Deus! Esta graça não é dada a todos os crentes; muitos passam seus dias em tristeza e temor".

Essa é uma experiência sublime, difícil de explicar, mas que confere uma certeza inabalável ao que a recebe.

Lloyd-Jones menciona Moody que descendo uma rua em Nova Iorque foi tomado de tamanha sensação do amor de Deus que ergueu suas mãos e pediu a Deus que parasse, com medo de não poder suportar a glória e a grandeza e a transcendência da experiência.


A questão novamente é se percebemos a atuação do Espírito Santo em nós, nos guiando, nos santificando e produzindo o caráter de Cristo.


Para concluir, preciso dizer duas coisas, a primeira é que a certeza da salvação pode ser perdida. A confissão de Fé de Westminster contempla isso:

“Por diversos modos podem os crentes ter a sua segurança de salvação abalada, diminuída e interrompida negligenciando a conservação dela, caindo em algum pecado especial que fira a consciência e entristeça o Espírito Santo, cedendo a fortes e repentinas tentações, retirando Deus a luz do seu rosto e permitindo que andem em trevas e não tenham luz mesmo os que temem; contudo, eles nunca ficam inteiramente privados daquela semente de Deus e da vida da fé, daquele amor a Cristo e aos irmãos, daquela sinceridade de coração e consciência do dever; dessas bênçãos a certeza de salvação poderá, no tempo próprio, ser restaurada pela operação do Espírito, e por meio delas eles são, no entanto, suportados para não caírem no desespero absoluto”.

Davi foi um exemplo clássico disso, Sl 51.8,12,14. Jamais deveríamos nos esquecer de tudo que lhe sobreveio e como clamou ao Senhor para que fosse restaurada a alegria da sua salvação. Ele não tem sido o único a experimentar isso, os puritanos chamavam alguns momentos como esses de “noite escura da alma” – momento em que somos desamparados e sentimos isso de um modo extremamente doloroso em nossas almas, como o próprio Filho sentiu na cruz.

A segunda coisa a destacar é que há como distinguir entre a verdadeira certeza da salvação da falsa. Há evidências de uma que faltam à outra:
·         A verdadeira certeza produz humidade, não orgulho espiritual, 1 Co 15.10; Gl 6.14
·         A verdadeira certeza produz diligência, não permissividade, Sl 51.12,13,19
·         A verdadeira certeza produz sincero autoexame, Sl 139.23,24.
·         A verdadeira certeza produz desejo de mais íntima comunhão com Deus, 1 Jo 3.2,3


[1] BEKHOF, Teologia Sistemática, p. 510
[2] SALVADOR, J. G., Arminianismo e Metodismo, p.92, Junta Geral de Educ. Cristã da Igreja Metodista. “os arminianos primitivos punham a questão da segurança em outros termos, visto ensinarem que somente em casos excepcionais alguém poderia ter dela consciência”
[3] Idem, pp. 91,92
[5] Berkhof, p. 510, ver também Lloyd-Jones, Grandes Doutrinas, Vol II, p. 198, PES
[7] Idem
[8] WATSON, Thomas, A fé cristã, p. 289ss, Cultura Cristã.
[9] CFW, Capítulo XVIII
[11] HODGE, A.A., Confissão de fé comentada, p. 326, Puritanos

terça-feira, 19 de março de 2013

QUE É UM CRISTÃO?


Silas Roberto Nogueira

(notas do 2° sermão) 

João 17:1-24

O assunto que trataremos hoje é a soberania divina na salvação. Isso não é difícil de entender, mas como afirmou Steven Lawson, “é uma verdade difícil de engolir”.[1] Muitos se opõem as chamadas “doutrinas da graça”, mas elas podem ser encontradas nas Escrituras, sobretudo o Evangelho de João. Este Evangelho é considerado o Monte Everest das doutrinas da graça. A tônica de João é a soberania divina na salvação. A humanidade incrédula ama as trevas e não deseja vir a Cristo para ter vida, os que vêm foram enviados pelo Pai, são as ovelhas pelas quais Ele dá sua vida e aqueles que atrai irresistivelmente a Si e esses mesmos são guardados pelo Pai até o dia final. Surpreendente, no entanto, é o fato de que esse mesmo ensino esteja concentrado numa única e singular passagem, o capítulo 17.   Devo lembra-lo do momento solene em que tais palavras foram pronunciadas! Não somente isso, chamo sua atenção a quem tais palavras são dirigidas. Devo lembra-lo de que tais palavras não são palavras de grandes teólogos, de vultos do passado, de homens piedosos, mas do próprio Cristo. 

Nesta sublime oração, Cristo apresenta três fatos sumamente importantes acerca dos cristãos, são eles:

1.       CRISTÃO É ALGUÉM ESCOLHIDO
A primeira declaração acerca do cristão é a de que ele foi escolhido por Deus. O que faz de alguém um cristão não é uma decisão pessoal por Cristo, como hoje alguns pensam. Homens mortos não tomam decisões! E a Bíblia diz que os incrédulos estão mortos em seus delitos e pecados, Ef 2:1-3. É importante dizer que não nego que os homens venham a Cristo voluntariamente. Eles vêm, mas não antes de serem vivificados. O fato de homens virem à Cristo não é a causa de se tornarem cristãos, é, por assim dizer, um efeito. A causa é outra, quer saibam disso ou não. A causa de uma pessoa vir a Cristo é a escolha soberana da parte de Deus, Jo 6.37. Sobre esta escolha divina podemos afirmar:
1.1.  É escolha é eterna, vv.1,2
    O v.2 Jesus diz que Deus o Pai concedeu autoridade a Ele sobre toda carne com o objetivo de dar vida eterna aos que o Pai lhe dera. A palavra “autoridade” (gr exousia) ou “poder” e refere-se ao fato de Cristo tornar os eleitos filhos de Deus, 1:12,13. Essa autoridade foi recebida na eternidade, bem como a escolha do Pai daqueles que viriam a ser seus filhos também ocorre na eternidade, Ef 1:4,5; 2Tm 1:9; 2 Ts 2:13.
1.2.  É escolha é soberana, vv.1,2
Essa escolha não se baseia em nada além da vontade de Deus. O texto apenas afirma que os eleitos pertencem a Deus, nada mais. Isso indica inequivocamente que a escolha é soberana. Pouco antes, no discurso que antecede essa oração, Cristo afirmou: “não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros...” (15:16). Essa escolha é baseada unicamente na vontade de Deus, segundo afirma Paulo, Ef. 1:4-5.
1.3.  É escolha é possessiva, vv.1,2.
Diversas vezes Cristo afirma que os escolhidos pertencem a Deus (v.2,6,7,9,11,12,22,24). O significado disso é que mesmo antes da conversão os eleitos pertenciam a Deus. Essa mesma verdade é expressa no capítulo 10:27-29.  Paulo diz que fomos “escolhidos antes da fundação do mundo” (Ef. 1:4), o sentido da raiz da palavra usada no original é “selecionar para si próprio.[2] Aqueles que Deus escolhe Ele achega a si, Sl. 65:4. Os eleitos são propriedade de Deus, Tt 2:14. Essa escolha graciosa, chamada de eleição da graça por Paulo (Rm 11:5), ocorreu na eternidade, mas é efetuada no tempo. É a escolha da parte de Deus que garante:
(a)     Que os eleitos serão chamados do mundo, v.6
Cristo diz que os que vêm à Cristo só o fazem por causa de Deus os ter trazido, Jo 6:37. Steven Lawson diz acertadamente que “a escolha soberana de Deus tanto precede como produz a escolha que o homem faz de Cristo”.[3]
(b)    Que os eleitos crerão em Cristo, v.6-8
Os homens não são eleitos porque creram em Cristo, como alguns pensam. A fé é dom de Deus, Ef. 2:8-10. Os homens creem em Cristo porque foram eleitos por Deus. A fé é o resultado da eleição, não a sua causa. 
(c)     Que os eleitos serão sustentados no mundo, v. 9-12
No mundo sofremos muitas tentações, experimentamos provações e perseguições. Não somos salvos por nossa perseverança, mas nossa perseverança é resultado da nossa eleição. Aqueles que sucumbem, como Judas, nunca foram eleitos, 1 Jo 2:19.
(d)    Que os eleitos serão guardados do Maligno, v.15
Os eleitos de Deus são guardados contra Satanás e suas hostes malignas, 1 Jo 5:18,19. Satanás procura destruir os crentes (1 Pe 5:8),mas Deus  é nosso poderoso protetor, Jo 12:31; 16:11; 2 Co 4:4; Jd v.24,25.
(e)     Que os eleitos serão santos, v.17
Ninguém é salvo por causa de sua santidade e alta moral. Toda nossa justiça é como trapos imundos, Is 64:6, mas aqueles a quem Deus elegeu serão santos e santificados.
(f)      Que os eleitos terão o amor do Pai e o próprio Cristo nEle, v.26
Os eleitos de Deus terão o amor de Deus derramado em seus corações e Cristo mesmo morando neles. Aqui reside a diferença entre o cristianismo e todos os sistemas religiosos, Cristo em nós, Cl 1:27

C. H. Spurgeon afirmou certa vez: “creio na doutrina da eleição porque estou certo que, se Deus não me tivesse escolhido, eu nunca o teria escolhido”.

2.       CRISTÃO É ALGUÉM PARTICULARMENTE REDIMIDO, v.4
A segunda declaração acerca dos crentes é que eles são particularmente redimidos. O que ela afirma é que Cristo deu a sua vida somente pelos eleitos de Deus. Essa é a parte mais delicada das doutrinas da graça. Muitos creem que Cristo deu a sua vida por todos do mundo, mas a doutrina que temos aqui exposta pelo próprio Cristo difere disso. Aqui Cristo afirma que sua morte, que seu sacrifício tinha em perspectiva somente os eleitos pelo Pai, não o mundo. O uso que João faz do termo mundo é variado, às vezes refere-se ao universo (1:10), terra física (16:33), sistema mundano (12:31), pessoas em geral (7:4), incrédulos (17.9,14) e finalmente, os crentes, os eleitos (3.16,17;6:33;12:47). A interpretação correta é crucial para uma doutrina correta. Há uma clara distinção entre os do mundo e os eleitos neste texto que deixa claro que a morte de Cristo diz respeito somente aos eleitos:
2.1.  Cristo dá vida somente aos que pertencem ao Pai, v.2
    As palavras de Cristo são claras, Ele dá vida eterna aos eleitos. Se Cristo tivesse morrido por todos indistintamente, segue-se que todos deveriam ter vida eterna! Isso é heresia universalista.
2.2.  Cristo torna filhos de Deus somente os que pertencem ao Pai, v. 6
Cristo manifesta o nome de Deus somente aos eleitos. Que nome é esse? O nome é “Pai” – esse nome somente os discípulos de Cristo tem o privilégio de usar (Mt 6:9). Essa autoridade é conferida no novo nascimento que é operado pelo Espírito (3:5,6,8), pela vontade de Deus (1:12,13). Se Cristo tivesse morrido por todos os homens, todos seriam filhos de Deus.
2.3.  Cristo intercede apenas pelos que pertencem ao Pai, v.9
Cristo intercede somente pelos eleitos, não pelo mundo. Observe que ele intercede pelos discípulos imediatos e depois por aqueles que viriam a crer em seu nome, v.20. Contudo, não ora pelo mundo. O autor da Epístola aos Hebreus afirma a mesma verdade, 7:25.
2.4.  Cristo se santifica somente em favor dos que pertencem ao Pai, v.19
Cristo é santo, sem pecado algum e não depende de melhoramento moral (Hb 7:26,27), portanto a frase “me santifico” quer dizer que Ele se consagra a tarefa de Sumo-sacerdote (Êx 28:41) para o oferecimento de Si mesmo como sacrifício expiatório. A frase “em favor deles” (gr hyper auton) indica que seu sacrifício é substitutivo, vicário. Sabemos que seu sacrifício foi cabal, assim sendo, ao dar-se em nosso lugar, obteve a nossa redenção. Se tivesse morrido pelo mundo, o mundo seria redimido.
2.5.  Cristo habita somente naqueles que pertencem ao Pai, v.26
Finalmente, Cristo habita somente os eleitos. Não somente Cristo, mas somos habitados pelo Deus Triúno (14:14,23) e isso porque Cristo deu a sua vida por nós. Se Cristo  tivesse morrido por todos, todos seriam templo do Espírito Santo.

Quando alguém diz que creio em uma expiação limitada, lembro-me das palavras de A. W. Pink “ a única limitação da expiação é a que decorre unicamente da soberania de Deus; não é uma limitação de valor e de virtude, mas somente de desígnio e de aplicação”.

3.       CRISTÃO É ALGUÉM PODEROSAMENTE PRESERVADO, v.11
A terceira declaração acerca do cristão é que eles são poderosamente guardados por Deus. A implicação disso é que o eleito não perde a salvação. Há pessoas que dizem que o cristão pode perder a salvação, contudo isso não corresponde à verdade bíblica. Se fosse possível a um crente perder a salvação Cristo seria desonrado.

3.1.  O cristão não perde a salvação porque já tem a vida eterna, v.3
O cristão não perde a salvação porque a salvação não é algo que se refere ao futuro apenas, a salvação implica em uma vida eterna que começamos a experimentar aqui e agora. Jesus afirma que a posse da vida eterna é no presente, 5:24; 3:36; 6:40,47.

3.2.  O cristão não perde a salvação porque Cristo intercede por eles, v.9,20
O cristão não perde a salvação porque Cristo intercede por ele. Se ele perdesse a salvação o sacrifício de Cristo seria ineficaz e sua oração intercessória teria falhado!

3.3.  O Cristão não perde a salvação porque quem o guarda é Deus, v. 11
O cristão não perde a salvação porque se isso acontecesse significaria que Deus falhou em guarda-lo. Pedro diz que somos guardados pelo poder de Deus não somente por um momento, mas até a consumação de todas as coisas (1 Pe 1:5). Devemos lembrar-nos de que Deus não nos guarda em qualquer lugar, mas em Suas mãos, Jo 10:29. Nossos nomes Ele gravou nas palmas de Suas mãos, Is 49:16.

É claro que uma doutrina como essa pode levar a conclusões equivocadas. Uma delas é pensar que somente pelo fato de você não perder a salvação significa que você pode viver como quiser. Não é isso que estamos advogando, muito pelo contrário. O nome correto da doutrina é Perseverança dos Santos:
(a)   A segurança da salvação diz respeito aos que guardam a Palavra, v. 6.
O tempo perfeito usado aqui para “guardar” (gr. teréô) é melhor traduzido na ARA/NVI “eles têm guardado”, pois refere-se a uma ação no passado cujo reflexo é sentido até o momento presente.
(b)  A segurança da salvação diz respeito aos que não são do mundo, v. 14
A intercessão de Cristo refere-se aos que se distinguem do mundo justamente por não viverem segundo os seus padrões. O eleito persevera em sua distinção do mundo.
(c)  A segurança da salvação diz respeito aos santificados pela Palavra da verdade, v. 17
A santificação é uma das marcas dos eleitos, nós somos eleitos “mediante a santificação do Espírito”, 2 Ts 2:13;1 Pe 1:1,2.  O eleito persevera na santidade.
(d)  A segurança da salvação diz respeito aos que vivem em unidade com o corpo, v. 21-23
Os eleitos são incorporados à Igreja, por isso ninguém pode se dizer cristão se não está unido à ela. Calvino dizia que Deus é nosso Pai, a Igreja nossa mãe. O eleito persevera em comunhão com a igreja. 
(e)  A segurança da salvação diz respeito aos que tem o amor do Pai, v.26
Os eleitos são distintamente marcados pelo amor. Paulo diz aos crentes de Roma que o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado, Rm 5:5. O eleito persevera em amor.
(f)  A segurança da salvação diz respeito aos que tem Cristo habitando em si,v.26b
Os eleitos são habitação da santa Trindade e isso é o que distingue o cristão verdadeiro. O eleito persevera em glorificar a Deus por meio do corpo, 1 Co 6:19,20.

Quais são as implicações desses três fatos em nossas vidas?
1.       O fato de sermos escolhidos
(a)     Deve conduzir-nos à humildade. 
(b)     Deve conduzir-nos à ação de graças.
(c)     Deve consolar-nos.  
2.       O fato de Cristo ter morrido por nós:
(a)     Deve fazer-nos odiar o pecado.
(b)     Deve fazer-nos dedicados
3.       O fato de saber que somos guardados por Deus:
(a)     Deve fazer-nos diligentes
(b)     Deve fazer-nos ousados



[1] LAWSON, sermão na Conferencia Fiel em 2012
[2] VAUGHAN, Curtis, Efésios, comentário bíblico, Vida, p. 22
[3] Lamson, p. 394

sexta-feira, 1 de março de 2013

A ORAÇÃO DE CRISTO




Silas Roberto Nogueira
(notas do 1° sermão) 

João 17:1 a 26


Este capítulo que agora vamos examinar contém a oração que o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo ofereceu a Deus nas últimas horas que precederam a sua crucificação. Essa oração é chamada de “oração sacerdotal”, pelo seu caráter puramente intercessório. Essa oração foi entregue na presença dos seus discípulos, após a instituição e celebração da Ceia do Senhor e imediatamente depois do seu sermão pascal, registrado nos capítulos 14 a 16. Por isso, o puritano Mathew Henry declarou apropriadamente que essa é a oração é a maior oração já oferecida na terra, em seguida ao maior e mais consolador sermão já pregado na terra.
Precisamos reconhecer de imediato que estamos em terreno excepcionalmente sagrado. Warren Wiersbe declara que este capítulo “é, sem dúvida alguma, o “santo dos santos” do registro dos Evangelhos e, devemos abordar este capítulo espírito de humildade e de adoração”.[1] Como disse Lloyd-Jones, cujas pregações sobre este texto publicadas somam 4 volumes, “há um sentido em que pregamos sobre ela com temor e tremor, receando detrair da sua grandeza e do seu valor. No passado havia aqueles que achavam que aqui tratamos de um coisa tão sagrada, porque significa abrir o próprio coração do nosso Senhor, que a única coisa que podemos fazer com esta oração é lê-la”.[2] De fato alguns irmãos do passado nem mesmo ousavam pregar sobre este capítulo, senão lê-lo.
Essa oração é consoladora. Melanchthon, auxiliar e sucessor de Lutero, ao dar sua última palestra antes de sua morte, disse sobre essa oração "não há nenhuma voz que já foi ouvida, quer no céu quer na terra, mais exaltada, mais santa, mais fecunda, mais sublime , do que a oração feita pelo Filho de Deus". John Knox, o reformados da Escócia, em seus últimos instantes de vida solicitou à sua esposa que lesse este capítulo e nele encontrou grande alento para a hora final.
Esta oração sacerdotal de nosso Senhor nos ensina sobre a oração em si, sobre o nosso grande Redentor, e sobre os múltiplos aspectos da nossa salvação. Hoje vamos tratar de alguns aspectos gerais dessa oração e nas próximas semanas vamos explorá-la reverentemente, extraindo lições espirituais para nossas vidas.

1.       É UMA ORAÇÃO SINGULAR
O que temos aqui é uma oração, contudo não é apenas mais uma oração, a oração. Essa oração é absolutamente singular, única. Essa oração é simplesmente inigualável, incomparável. J. C. Ryle assinala que este capítulo das Escrituras “é o mais notável da Bíblia; ele está sozinho e não há nada como ele”. A razão da singularidade desta oração reside em três pontos:

1.1.  Por causa do Seu Autor
A quem encontramos orando aqui? Não mero homem, mas Jesus, o Filho de Deus. Cristo, o Deus encarnado! O Logos eterno, Aquele por meio de quem todas as coisas foram feitas e sem o qual nada poderia existir (Jo 1.1,2). Aquele em quem há a plenitude da divindade (Cl 2.9), a representação exata do Ser de Deus, Aquele que sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder (Hb 1.3). Aquele a quem os anjos contemplam e adoram eternamente (1 Tm 3.16; Hb 1.6). Agora focalizemos o modo como Ele se refere a Deus, Ele o chama Pai. Nesta oração o Senhor Jesus se refere a Deus como Pai seis vezes (1,5,11,21,24,25). Isto revela o relacionamento de Cristo com Deus. O Senhor Jesus é o Filho eterno de Deus, igual e participante da mesma natureza e substância do Pai.

 1.2.  Por causa da sua Natureza
Qual é a natureza desta oração? Bem, esta oração é sacerdotal. O primeiro a dar este título a esta oração foi o luterano David Chytraeus (1530-1600).[3] Em outras palavras Cristo está agindo aqui como mediador entre Deus e os homens. É uma oração intercessória enquanto Cristo caminha para a cruz. O ato de dar a sua vida no lugar de pecadores é um ato de mediação. Por isso Paulo afirma que só existe um Mediador entre Deus e o homem, Jesus Cristo, 1 Tm 2.5.  Os capítulos 7 a 10 de Hebreus desenvolvem este tema da mediação de Cristo Jesus em favor dos homens. (Hb 7.25).

1.3.  Por causa do seu propósito
Esta oração precede a volta de Cristo ao Pai. Ele diz “chegou a hora” (v. 1) referindo-se à sua paixão, morte e ressurreição. Tendo isso como líquido e certo diz “eu não estou mais no mundo” (v.11). Ele ora com o propósito de que o Pai seja glorificado nEle e através dEle e também por meio daqueles que o Pai escolheu. A Igreja prossegue através dos tempos porque Cristo orou por ela. A Igreja tem enfrentado ao longo dos tempos as mais cruéis perseguições, contudo marcha triunfante porque Cristo orou por ela.

2.       É UMA ORAÇÃO ESPECÍFICA
O segundo ponto que podemos destacar acerca dessa oração é que ela é uma oração específica. Cristo não se perde numa multidão de palavras, nem perde tempo com generalidades.  Podemos notar uma divisão natural nesta oração, qual seja:

2.1.  Cristo intercede por Si mesmo, 1-5
Os Evangelhos Sinóticos registram diversas vezes que Jesus se retirava para orar, contudo aqui se registra ele orando por Si mesmo. Mas porque orava o Mestre? “Sem dúvida, se preparava para os sofrimentos que se encontravam diante dele. Ao contemplar a glória que o Pai lhe prometeu, deve ter recebido forças para seu sacrifício (Hb 12:13)”.[4]

2.2.  Cristo intercede pelos discípulos, 6-19
“No entanto, Jesus também pensava em seus discípulos imediatos (Jo 17:13). Essa oração deveria ter sido um grande estímulo para eles. Jesus orou pela segurança, pela alegria, pela união e pela glória futura de seus discípulos”

2.3.  Cristo intercede pela Igreja,20-26
Na última seção Cristo concentra suas petições por aqueles que se seguiriam aos apóstolos ao longo dos anos, portanto, isto significa que Cristo orou por nós!  Sua petição é para que haja unidade. O objetivo da unidade é para refletir a unidade entre as pessoas da Trindade, o Pai e o Filho, e por isso mesmo glorificar a Deus e, em segundo lugar, fornecer um testemunho inequívoco da realidade da obra salvadora de Cristo nos pecadores, em outras palavras, levar os pecadores à Cristo. Note bem que a unidade começa com Cristo, pois sem Ele não há unidade.

3.       É UMA ORAÇÃO QUE GARANTE OS RESULTADOS
O terceiro aspecto desta oração é que ela garante seus resultados. Eis aqui novamente o aspecto em que esta oração é singular. Nenhuma oração se iguala a essa, pois nela o Senhor Jesus está garantindo os seguintes resultados:

3.1.  Do trabalho do Redentor, v.1-4
A obra de Cristo Jesus é absoluta, cabal.  A petição de Jesus quanto á Sua glorificação indica isso (v.1). A declaração acerca do que estava para acontecer foi “eu te glorifiquei na terra, completando a obra da qual me encarregaste” (v.4). O termo usado aí implica em que tudo o que precisava ser feito foi feito, repetiu isso na cruz quando diz “está consumado”, 19:30.  Esta expressão era usada: 1) quando um pai dava uma missão ao filho e este a cumpria, dizia para o pai: “Tetélestai”; 2) quando se pagava uma nota promissória: batia-se o carimbo: “Tetélestai”; 3) quando se recebia a escritura de um terreno, escrevia-se na escritura: “Tetélestai”. Em outras palavras, Cristo diz que pagou o preço da nossa redenção e isso de modo completo, cabal e absoluto. O autor de Hebreus explica a suficiência do sacrifício de Cristo dizendo que ele ofereceu de uma vez por todas “para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo, oferecendo-se uma só vez, Hb 9:10-28.

3.2.  Da aplicação de Sua obra a nós, v. 5-10
A salvação não é uma teoria, não é uma filosofia. A salvação foi aplicada a nós e por meio da intercessão de Cristo. Cristo diz que manifestou o Nome de Deus aos eleitos e o resultado disso é que eles guardaram a Palavra de Cristo (v.6), eles a receberam e creram em Cristo (v.8) e pertencem a Cristo e neles ele é glorificado (v.9,10). Observe que a intercessão de Cristo se refere somente aos eleitos, pois a eles e somente a eles, os benéficos da obra de Cristo são aplicados. 

3.3.  Do caráter dos remidos,13-26
Todos aqueles a quem Cristo deu vida, manifestarão os frutos dessa nova vida. Para isso ele nos designou (15:16). Ele intercedeu em prol da nossa santificação pela Palavra da verdade (v.17).  Sua oração aqui não garantiu apenas que os eleitos fossem revividos espiritualmente, mas que também manifestassem certas características:

(a)     Alegria, v.13
(b)     Santificação, v.14-17
(c)     Verdade, v.17,19
(d)     Propósito (missão), v.18
(e)     Unidade, v.20,21
(f)       Esperança, v.24
(g)     Amor, v.26

Quais são as aplicações desta poderosa oração por nós?
1.     O valor da oração. Se Cristo, no momento mais crucial de sua vida orou, não podemos jamais negligenciar o papel da oração em nossas vidas. Uma das verdades mais tristes em relação à igreja de modo geral é a ausência de oração na vida dos seus membros. Lloyd-Jones observou que “quanto mais santificada é a pessoa, quanto mais piedosa, mais tempo passa em oração”.
2.    Quanto ao como e sobre o que orar.  Dois pontos podem ser destacados aqui que enriquecem a nossa teologia da oração:
  •      Primeiramente essa oração é um modelo de como se deve orar. Note a reverência de Cristo na oração. Seis vezes se refere a Deus como Pai, contudo em nenhum momento o trata com familiaridade desrespeitosa. Note que não há exigência, não há barganhas, mas há temor e devoção filial.
  •        Em segundo lugar observe suas petições. Cristo pediu primeiramente por si mesmo. O que pediu? Algo que raramente nós pedimos, para que Deus fosse glorificado! Depois, orou pelos discípulos, os futuros líderes da Igreja, para que fossem plenos de alegria, pois sabia as lutas que enfrentariam no pastoreio do rebanho e, por último, pela Igreja, para que fosse santa, verdadeira e unida.

3. Quanto aos resultados práticos dessa oração de Cristo por nós.  A beleza da passagem é fora de qualquer cogitação.
  •      Consolo: a questão é: quantas vezes recorremos a este texto para nosso consolo em momentos de crise? Certamente é um grande consolo saber que irmãos oram por nós, especialmente nos momentos mais críticos das nossas vidas. Mas, o que é tão maravilhoso aqui é que temos o próprio Filho de Deus intercedendo por nós! John Knox, como já mencionei, achou  grande consolo nesta passagem nas suas últimas horas de vida! Knox revelou que nesse texto era o lugar “onde lançou primeiramente a sua âncora”.
  •      Estimulo: note que Cristo orou por nós antes mesmo que nós tivéssemos nascido e se hoje nós somos cristãos é porque Deus respondeu à intercessão de Cristo por nós! Se chegamos até aqui é por causa da intercessão de Cristo em nosso favor! Mas, há mais um elemento. Quantas lutas enfrentamos, quantas dores suportamos, quantos dissabores? Porque resistimos? A resposta é porque Ele intercedeu por nós! Nossas vitórias não são nossas, são dEle!







[1] WIERSBE, W. W., Comentário Bíblicos Expositivo, Novo Testamento, Vol.1, Central Gospel, p.474
[2] LLOYD-JONES, D.M., Salvos desde a eternidade, Ed. PES, p.10
[3] BRUCE, F.F., João, introdução e comentário, Vida Nova, p. 279; igualmente Carson, O Comentários de João, Vida Nova, p. 553
[4] WIERSBE, Op Cit