terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A SEGUNDA VINDA DE CRISTO

Marcos 13:24-37[1]


Silas Roberto Nogueira



No primeiro sermão neste capítulo tratamos da questão dos chamados “sinais” da Segunda Vinda de Cristo. Guerras, rumores de guerras, fomes, terremotos e até mesmo a perseguição são eventos que marcarão toda a era da Igreja. Em meio a tudo isso, o evangelho será pregado a todas as etnias e antes do fim, um período tenebroso definido por Cristo como Grande Tribulação, a conversão de Israel e então o fim, isto é, a Segunda Vinda de Cristo.

A Segunda Vinda de Cristo é o assunto mais enfatizado da Bíblia. Toda a Bíblia trata da Segunda Vinda de Cristo. São ao todo 1845 referências a este “momentoso evento”. No Velho Testamento a segunda vinda é mencionada 1527 vezes, no entanto, o primeiro e o segundo advento estão fundidos na maioria das previsões. No Novo Testamento há 318 referências à segunda vinda, segundo alguns na média de uma referência a cada 25 versículos. Tantas referências fazem do tema uma dos mais importantes para a Igreja cristã.[2]

Apesar das abundantes referências à Segunda Vinda de Cristo nas Escrituras o assunto tem sido motivo de controvérsias, distorções e descrença. Muitas são as escolas de interpretação do testemunho bíblico acerca do assunto. Há os que querem marcar datas a partir daquilo que entendem serem sinais da Segunda Vinda. E, finalmente há os que negam que Jesus vá voltar visto que demora excessivamente.

Neste texto Cristo nos oferece importantes informações quanto à sua segunda vinda, mas não todas. Ele não tinha interesse em suprir a mera curiosidade dos seus discípulos. Em nossa exposição focalizarei o ensino do Senhor Jesus contido neste discurso registrado pelos sinóticos e, por conseguinte não abordaremos alguns tópicos comuns às discussões sobre a doutrina. Vamos destacar aqui os seguintes pontos:


1.     QUANTO À NATUREZA DA SEGUNDA VINDA
Quando Jesus fala “naqueles dias” (v.24) está se referindo aos dias imediatamente anteriores à sua Segunda Vinda.[3] Ele está respondendo à segunda pergunta dos discípulos. Ele não é exaustivo em sua resposta e nem visa satisfazer a curiosidade deles com riqueza de detalhes ou lhes fornecer um mapa completo dos eventos do fim. Ele fala o essencial, do que destacamos os seguintes pontos quanto à natureza do evento:
  1. A Segunda Vinda será inconfundível, v. 24,25.  A linguagem aqui é claramente apocalíptica, Is. 13.10; 24.4; Am.8.9; Jl 2.30-32. Alguns estudiosos pensam que os termos são meramente simbólicos, mas outros interpretam de modo literal. Lucas fala tais acontecimentos como “sinais” que causarão certa “angústia” (gr. sunoxe, aflição), “perplexidade” (gr. aporia, consternação), “terror” (gr. phobos, medo) e “expectativa” (gr. prosdokia, espera expetante) quanto ao que sobrevirá ao mundo e parece pensar em termos literais (Lc 21.25,26). Tais eventos tornarão a Segunda Vinda de Cristo um evento inconfundível. Será uma cena de poder irresistível e de esplendor deslumbrante.[4]

  1. A Segunda Vinda será visível, v. 26.  A Segunda Vinda de Cristo será pessoal, visível e pública, Ap. 1.7. Mateus fala do aparecimento no céu do sinal – singular – da vinda do Filho do homem, Mt 24.30. A própria vinda de Cristo será o sinal.[5] O genitivo grego permite a ideia de que o Filho do homem seja pessoalmente o sinal, podendo ser vertido o texto “o sinal, que é o Filho do homem”.[6] Mateus diz que os “povos da terra se lamentarão” (Mt 24.30). A Segunda Vinda significará alegria para os salvos (Lc 21.28), mas profunda tristeza para os incrédulos, aqueles “que o traspassaram”,  Ap 1.7.[7]  A ideia de que Cristo virá de modo secreto não encontra respaldo nas Escrituras.

  1. A Segunda Vinda será gloriosa, v. 26b. Na primeira vinda, o Rei veio em andrajos, como semelhante a nós, mas na Segunda Vinda, em sua majestosa glória, como ele de fato é, glorioso. Ele virá para ser glorificado nos seus santos (2 Ts 1.10). Ele virá à voz do arcanjo e ao ressoar da trombeta (1 Ts 4.16). Ele virá na sua majestade e com seus anjos santos (Mt 25.31).

  1. A Segunda Vinda será inesperada, v. 33-36. Não se pode marcar uma data para a Segunda Vinda de Cristo, pois ela será inesperada. O acontecimento é certo, mas a data é incerta. Nas palavras de John Charles Ryle:

Há profunda sabedoria e grande misericórdia nesse silêncio intencional. Temos razões para agradecer a Deus de ter ele escondido de nós essa questão. A incerteza quanto á data do retorno de nosso Senhor tem o intuito de manter os crentes em uma atitude de constantes espera, além de servir para preservá-los do desânimo.[8]
Para muitos o ensino de Cristo aqui significa que ele pode voltar a qualquer momento. A isto chamam “iminência”. Mas o foco do ensino de Cristo não é na iminência, mas na vigilância, v.33, 35,37. Não é tanto que Jesus pode vir a qualquer momento, mas que devemos vigiar em todo o tempo.

  1. A Segunda Vinda será única, v. 26,27. A Segunda Vinda será única, isto é, não há distinção entre arrebatamento e Segunda Vinda como alguns ensinam. Este arranjo de uma Segunda Vinda seccionada em duas fases foi necessário para dar suporte à teoria de que a igreja não passará pela Grande Tribulação, mas não tem apoio escriturístico e nem mesmo pode ser achado na história da igreja antes de 1833. O Senhor Jesus deixa claro que a Segunda Vinda será única e concomitante com o arrebatamento da igreja, v.27. 

2.     QUANTO AOS EVENTOS CONCOMITANTES À SEGUNDA VINDA
Há uma diversidade de eventos conectados com a Segunda Vinda de Cristo. Limito-me ao discurso registrado nos sinóticos. Levando em consideração que Marcos é mais breve, recorrerei a Mateus e Lucas no tocante a alguns eventos que estão relacionados a este grande e momentoso evento. Vejamos:

  1. Arrebatamento da Igreja, v.27. Esta é uma clara referência ao que ficou conhecido como “arrebatamento” dos crentes. A palavra “arrebatamento” é usada por Paulo em 1 Ts 4.17 – “depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor”.  O termo grego usado aqui é “harpadzo” que significa uma retirada rápida ou abrupta de alguma coisa, Mt 13.19; Jo 6.15; 10.12. É bom que se saiba que essa palavra não é exclusiva para descrever o que ocorrerá quando da Segunda Vinda de Cristo.

O Senhor Jesus e os apóstolos usaram outros termos para o mesmo evento:
·         Mateus 24:31: “E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão [episunago] os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”.  (Marcos.13:27)
·         2 Tessalonicenses 2:1: “Irmãos, no que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião [episunagoge] com ele, nós vos exortamos”.
·  1 Tessalonicenses 4:17:  “depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro [apantesis] do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.” 

Assim, a palavra “arrebatamento” destaca o modo como se dará o evento, mas não a sua natureza, que é explicada pelos termos “reunião” – “episunago” (Marcos 13.27) ou “encontro” - “apantesis” (1 Tessalonicenses 4.17). Este último era um termo técnico para referir-se ao encontro de uma comitiva de boas vindas que recepcionava um oficial no meio do caminho e retornava com ele, Atos 28:15; Mateus 25:1,6. Nós nos encontraremos com Cristo – vivo e mortos, todos transformados - nas nuvens e retornaremos à terra (Mc 13.26).

Segundo Jesus tudo isso se dará com “grande clangor de trombeta” (Mateus 24.31) que é justamente mencionado por Paulo como “trombeta de Deus” (1 Ts 4.17) ou “última trombeta” ( 1 Co 15.52) e que alguns pensam ter conexão com a “sétima trombeta” do Apocalipse (11.15).[9]

  1. Ressurreição dos santos e transformação de todos. Em seu ensino o Senhor Jesus não nos oferece detalhes, apenas diz seus anjos reunirão “os seus escolhidos” (Marcos 13.27). Mas Paulo expande o assunto e deixa claro que duas coisas ocorrerão quando da Segunda Vinda de Cristo e nosso encontro com ele nas nuvens:
a)     Ressurreição dos mortos em Cristo, 1 Tes 4:13-17. Devemos ressuscitar com os nossos corpos, porém numa condição diferente da que hoje possuímos. Esta é a “primeira ressurreição” referida em Apocalipse 20.5 ou ressurreição dos justos (Lc 14.14). A ressurreição dos justos e ímpios não acontece ao mesmo tempo, v.5 (“restante dos mortos não reviveram...”). 
b)     Transformação dos crentes que estiverem vivos, 1 Co 15:50,51,53,54. Quem estiver vivo nos dias do retorno de Cristo experimentará a transformação do seu corpo, isto é, o revestimento de incorruptibilidade.
Tudo isso se dará num único momento, 1 Co 15.52. A palavra usada aqui é “átomos” e Paulo a emprega para referir-se a mais curta fração de tempo possível.[10] É neste contexto que Jesus fala de uma pessoa ser tomada e a outra deixada, Mt 24.40,41 e Lc 21. 34,35.

  1. Juízo final, Mateus, Mt 25.31-34,46. Marcos não menciona a conexão entre a Segunda Vinda e o Dia do Juízo. O juízo aqui é o Juízo Final (Ap 20.11-15)[11] também chamado de Tribunal de Cristo (2 Co. 5.10) e Tribunal de Deus (Rm 14.10).

Todos estarão presentes no Juízo Final (v.32). Todos serão julgados por suas obras (Rm 2.6; Ap 20.12). Os vers. 35-36, 42-45 são muitas vezes mal interpretados, os necessitados aqui – “meus irmãos” (v.40) – não são necessitados de modo geral, nem tão somente os apóstolos ou missionários, mas todos os discípulos de Cristo.[12] O que isso quer dizer é que um dos critérios para o juízo naquele dia será o modo como às pessoas trataram a Igreja de Cristo.

Os cristãos não serão condenados no juízo, pois já foram justificados (Rm 5.1; 8.34), estando separados como ovelhas, dos cabritos (v.32 segs). A eles é dada a posse do reino (v.34) preparado para eles antes da fundação do mundo. Mas há vários graus de recompensa pelo que fizeram nesta vida (Lc 19.11-27; Rm 2.6; 1 Co 3.12-15). Estes são os galardões.

Os incrédulos, por sua vez, ressuscitarão também, mas para o juízo (Jo 5.29). A ressurreição deles será a segunda ressurreição para experimentarem a segunda morte, Ap 20.5,13. Eles serão consignados ao fogo eterno (v.41) e sofrerão as penas eternas de acordo com o que fizeram (v.42-45).

Os anjos também serão julgados neste dia, 1 Co 6.3. Este juízo, segundo penso ocorrerá depois do Milênio, Ap 20.1-10.

3.     QUANTO AO TEMPO DA SEGUNDA VINDA
Três pontos podem ser destacados aqui:

  1. A Segunda Vinda se dará após a Grande Tribulação, v.24-27. Já mencionamos isto na semana passada. Jesus é absolutamente claro em afirmar que Sua Volta se dará depois do período mais tenebroso pelo qual o mundo passará.

  1. A Segunda Vinda está próxima, v.28-32. A referência aqui é primeiro ao evento histórico que sucedeu no ano de 70 d.C.. O histórico e o escatológico são mantidos em tensão.[13] O que sucedeu a Jerusalém prefigura e é o ponto de partida para o evento do fim, v.32.  Paulo afirmou que o dia da nossa salvação está mais próximo agora do que quando começamos a nossa carreira cristã, Rm 13.11,12.

Mas porque demora, então? Na verdade ele não retarda Seu retorno, ele tem o seu tempo próprio. O que consideramos demora faz parte do plano de Deus para alcançar aqueles que ele deseja salvar, 2 Pe 3.8-10.

  1. A Segunda Vinda é certa, porém inesperada, v.33-36. Não temos como saber da data precisa do retorno de Cristo, v.32. Somente a arrogância nos leva a querer descobrir aquilo que o Pai reservou para si, At 1.6. A Segunda Vinda é tão certa quanto inesperada, v.35. Os apóstolos falavam que o dia do Senhor viria como o ladrão (1 Ts.5.1 segs; 2 Pe 3.10) falando em termos de sua imprevisibilidade. Muitos serão pegos de surpresa, como sucedeu nos dias de Noé, Mt 24.37,38. E você, estás preparado para encontrar com o teu criador?
William Gurnall declarou “Cristo nos disse que virá, mas não revelou quando, para que nunca tiremos nossas roupas nem apaguemos nossas lâmpadas”.

CONCLUSÃO
Alguns princípios:
  1. Cuidado com o mundanismo, Lc 21.34,35. 34
“Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as consequências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, como um laço. Pois há de sobrevir a todos os que vivem sobre a face de toda a terra”.

  1. Vigilância, Lc 21.36.
Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem”.

  1. Santidade de vida, 2 Pe 3.11-14.
“Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade, esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça. Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis”




[1] Sermão proferido em 6 de setembro de 2015.
[2] Sermões expositivos em 2° Pedro, sermão n° 4 proferido em 14 de junho de 2014 na CBG.
[3] MORRIS, Leon, Lucas, introdução e comentário, p. 281
[4] MACDONALD, William, Comentário bíblico popular, p. 141
[5] ATKINSON, Basil F. C., Novo comentário da Bíblia, Vol II, p. 978.
[6] STAGG, Frank, Comentário bíblico Broadman, Vol 8, p. 273.
[7] HENRY, Matthew, Comentário bíblico Novo Testamento, Vol V, p. 321
[8] RYLE, J. C. Meditações no evangelho de Marcos, p. 173,174
[9] SHEDD, R. P., A Escatologia do Novo Testamento, p. 46; posição também defendida por Ézio Pereira da Silva em A Segunda Vinda, uma análise do póstribulacionismo, Vida Nova, p. 139,140.
[10] MORRIS, Leon, 1 Coríntios, introdução e comentário, p. 187
[11] ATKINSON, B., Novo comentário bíblico, Vol II, p. 979
[12] CARSON, D. A., O comentário de Mateus, p. 602
[13] DEWEY, Mullholand, Marcos, p. 204

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

HUMILDADE, a verdadeira grandeza

Silas Roberto Nogueira

Notas do Sermão proferido na Comunidade Batista da Graça, Suzano



Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte,
lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.
  
 1 Pedro 5:5-7


Humildade é uma palavra chave no cristianismo. Não se compreende e nem se pode viver o cristianismo sem humildade. A humildade é a marca do cristianismo verdadeiro. A porta de entrada as bem-aventuranças e a porta de entrada da maior das bem aventuranças, a própria salvação. Embora seja tão essencial, o mundo despreza a humildade. A cultura moderna de modo geral valoriza a soberba, o orgulho, a arrogância e não a humildade. A verdade é que o mundo teme a humildade como se ela fosse uma rota contrária ao sucesso, realização pessoal ou à felicidade. Mas não é. A Bíblia afirma que o orgulho é a rota mais rápida para o fracasso, Pv.16:18. Já a humildade precede a honra, Pv. 15:33. A humildade é verdadeira grandeza. A humildade é aquilo que faz com que Deus nos veja, nos conceda sua graça e no seu tempo nos exalte. É sobre a humildade que Pedro trata nos versículos que hoje vamos estudar juntos.

A primeira coisa a fazer é definir o que é humildade, v.5. Neste versículo, a injunção apostólica é que sejamos humildes uns para com os outros. Literalmente o que Pedro diz é que nos revistamos de humildade, como diz a AS21. Humildade é uma palavra chave que abre a porta para a compreensão da mensagem do evangelho. Uma das marcas do cristianismo verdadeiro é a humildade. Agostinho dizia “para os que desejam aprender os caminhos de Deus, a humildade é a primeira, a segunda e a terceira lições.” Mas o que precisamente vem a ser humildade? Precisamos, inicialmente, evitar duas concepções errôneas sobre a humildade. A primeira é aquela entende que a humildade é a negação pura e simples de dons, capacitação e virtudes pessoais. Humildade não é menosprezo.  A segunda é aquela que entende a humildade como mera rejeição de prêmios, coroas ou elogios. Humildade não é auto desclassificação. Uma definição simples de humildade é oferecida pelo crítico social Os Guinness: “humildade... é realismo a respeito de nós mesmos e confiança em Deus”. (Os sete pecados capitais, Shedd, p. 65). Essa definição está de acordo com aquilo que o apóstolo Paulo afirma em Romanos 12:3. Assim sendo, a humildade é basicamente uma visão correta ou equilibrada acerca de si mesmo e uma visão correta acerca de Deus. Humildade é honestidade acerca de nós mesmos e acerca de Deus. É saber quem somos e principalmente saber quem é Deus.

O puritano John Flavel afirmava com sabedoria meridiana: “os que conhecem a Deus serão humildes; os que conhecem a si próprios não podem ser orgulhosos”. John Owen afirmava “há duas coisas apropriadas para humilhar a alma dos homens... uma reflexão exata sobre Deus, e depois sobre nós mesmos”.

A diferença entre Deus e o homem é que Deus sabe que não é homem. Dizia C. S. Lewis com sabedoria que “o primeiro passo rumo à humildade é o reconhecimento do nosso orgulho”. Reconheça o seu orgulho, a sua arrogância. Olhe para si mesmo com honestidade e olhe para Deus como as Escrituras o revelam.

O segundo ponto que quero destacar é a razão pela qual devemos ser humildes, v.5.  Bem, devemos ser humildes obviamente porque é um mandamento bíblico. Mas o que é maravilhoso nas Escrituras é que as suas injunções são sempre acompanhadas de uma explicação, de uma razão. Há diversas razões para sermos humildes, Pedro nos oferece duas, e as mais importantes:

Deus resiste aos soberbos. Uma das coisas que devemos saber sobre a humildade é que você a possui ou não. Ou você é humilde ou é arrogante. No caso de não ser humilde, tenho uma péssima notícia para lhe dar: Deus se opõe a você. Pedro está citando o Velho Testamento, Pv 3:34. A palavra que ele usa aqui tem o sentido de alguém que se opõe, que oferece resistência, faz força na direção contrária. Nas palavras de Jesus a resistência de Deus tem por objetivo humilhar o soberbo, Lc 14:11. E sabe o que mais? O verbo está no tempo presente e na voz ativa. Isso significa que a oposição divina a quem é arrogante é uma atividade imediata e contínua. A falta de humildade não fica impune, Sl 18:27; 31:23; 146:6. A falta de humilde coloca Deus contra nós, não ao nosso lado.

Deus dá graça aos humildes. O que Pedro diz aqui é que Deus se põe ao lado daqueles que são humildes. O fato é que a humildade atrai a atenção de Deus – “mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e o que treme da minha palavra”, Is 66:2. Você entende o sentido dessas palavras? Basicamente isso significa que: (1) Deus considera os humildes (Sl 138:6), (2) ouve seus clamores (Sl 9:12; 10:17), e (3) ele se faz presente com Eles em todos as circunstâncias de suas vias (Is 57:15). C. J. Mahaney declara “Deus é, decididamente, atraído pela humildade. Uma pessoa humilde é aquela que atrai a atenção de Deus, e, neste sentido, atrair a atenção dele também significa atrair sua graça...” (Humildade, p.21,22).

John Blanchard diz que “Deus pensa mais no homem que pensa menos em si”. A humildade é a porta de entrada as bem-aventuranças, Mt 5:3. As portas do reino de Deus se abrem aos humildes, mas estão cerradas aos soberbos.

Dr. Martyn Lloyd-Jones afirma “a humildade está entre as principais de todas as virtudes cristãs; ela é a marca registrada do filho de Deus”. Porventura temos nós esta marca?

O terceiro ponto que pretendo destacar sobre a humildade é que ela se traduz em ações práticas, duas delas são referidas aqui, v.6,7. O Rev. Elben M. Lenz César fala com propriedade quando diz que a humildade “não é inatividade, mas uma atividade comandada e alimentada pela sabedoria e pela providência de Deus.” Pedro deixa claro aqui que a humildade se traduz em ações práticas, vejamos:

Resignação diante das circunstâncias adversas, v.6. Em toda sua Epístola Pedro trata da questão do sofrimento e aqui não é diferente. O humilhar-se sob a potente mão de Deus é aceitar a porção de sua santa providência com a certeza de que a seu tempo Ele agirá de modo favorável e reverterá a situação. A frase “a seu tempo” quer dizer literalmente “no momento oportuno”. Warren Wiersbe comenta: “Deus nunca exalta uma pessoa até que esteja pronta para isso. Primeiro a cruz, depois a coroa; primeiro o sofrimento, depois a glória. Moisés passou quarenta anos sob a mão de Deus antes de ser enviado para livrar os hebreus do Egito, José passou pelo menos treze anos sob a mão de Deus antes de ser exaltado ao trono”. Uma das evidências do orgulho é a impaciência com Deus, e um dos motivos pelos quais sofremos é para aprender a humildade (Dt 8:1-20; Lm 3:20-21).

Lançar sobre o Senhor toda nossa ansiedade, v.7. A ansiedade afeta, segundo pesquisas da Organização Mundial da Saúde, cerca de 20% da população da região metropolitana de S. Paulo. A pesquisa também revelou que as mulheres têm mais propensão à ansiedade. No país todo, mais de 10 milhões de pessoas sofrem com ansiedade e ao redor do mundo os números de pessoas que sofrem com ansiedade só faz aumentar. Ansiedade é preocupação. Ansiedade é sofrer por antecipação. Ansiedade é aquela preocupação com o suprimento de amanhã que consumirá toda a nossa energia impedindo que experimentemos as bênçãos do suprimento de Deus hoje, Mt 6:25ss. A pessoa ansiosa acrescenta o problema de amanhã aos de hoje, causando inquietação e sofrimento à sua alma, Mt 6:34. Alimentar a ansiedade é pecado, Fp 4:6.

Stanley Jones, missionário na Índia, afirmava “preocupação é pecado contra o cuidado amoroso do Pai”. Estar ansioso é demonstrar soberba, orgulho. Essa foi uma dura lição para mim. C. J. Mahaney comenta “onde há preocupação e ansiedade, há também orgulho na raiz do problema. Quando fico ansioso, a questão principal é minha tentativa de ser autossuficiente”. Ora, Deus se dispõe a carregar os nossos fardos, Ele quer aliviar-nos e nós não aceitamos isso quando estamos ansiosos. Somos ou não somos orgulhosos? Ele diz: “eu te ajudo” e nós dizemos a Deus – “não, muito obrigado, posso cuidar de mim mesmo”. Pedro explica o porquê devemos lançar nossas ansiedades sobre o Senhor, “ele tem cuidado de vós”. Literalmente isso significa “ele se importa com vocês”.

Quando carregamos nossos fardos de ansiedade negamos o cuidado do Senhor sobre nossas vidas. Precisamos nos lembrar das palavras de John Blanchard  acerca de ansiedade “a ansiedade nunca fortalece você para o amanhã; ela apenas o enfraquece para o dia de hoje”. A ordem é lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, não fazer isso é uma clara demonstração de orgulho.


Para concluir, a questão final é: como podemos desenvolver a humildade? Se quisermos mesmo manifestar humildade deve haver de nossa parte uma resoluta aplicação da verdade. C. J. Mahaney recomenda algumas ações:

Reflita sobre a cruz. A cruz mata qualquer sentimento de soberba que quer se assenhorar de nós. Don Carson conta que perguntou a Carl Henry, um dos mais destacados teólogos do século XX, como ele se tornou uma pessoa humilde. Antes que pudesse anotar, Henry respondeu: “como alguém pode ser arrogante quando fica ao lado da cruz?” Entendeu ou quer que eu desenhe?

Comece o dia reconhecendo que depende de Deus. Controle os seus pensamentos, submeta-os à Cristo, 2 Co 10:5. Afirme mentalmente a sua dependência de Deus. Dr Lloyd-Jones ao pregar no Salmo 42:11 afirmou “você já percebeu que a maior parte da infelicidade em sua vida é decorrente do fato de você ouvir a si mesmo, ao invés de falar consigo mesmo?” Assuma responsabilidade pelos seus pensamentos. Não comungue com pensamentos soberbos;

Tenha comunhão com Deus por meio da oração e leitura da Palavra. Discipline-se a orar e ler a Bíblia todos os dias. É por meio da oração que podemos lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, Fp 4:6,7. É por meio da oração que nos guardamos da soberba, Sl 19:13; 131.  É por meio da Palavra que Deus se revela a nós e nós percebemos quem realmente somos e quão carentes somos dEle e o quão perdidos estamos sem Ele. 



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

DO LAMENTO AO REGOZIJO

Uma meditação no salmo 13

Silas Roberto Nogueira [1]

(Notas do Sermão proferido na Comunidade Batista da Graça, Suzano/SP)



O que fazer quando Deus parece tão distante? Charles Colson era um cristão dedicado e influente. Ele esteve envolvido no chamado Watergate, o escândalo que custou a renúncia de Richard Nixon, acusado e preso, nasceu de novo numa prisão federal do EUA. Sua vida mudou radicalmente. Treinado e discipulado por grandes nomes do evangelicalismo norte americano, Colson se tornou um pregador e desenvolveu um ministério em cadeias. Num artigo na Christianity Today ele fez uma declaração reveladora onde diz que havia nascido de novo no melhor do evangelicalismo norte americano e havia sido discipulado e treinado por bons teólogos, contudo não havia sido preparado para aquilo que os puritanos chamavam de “noite escura da alma”.[2]

A expressão “noite escura da alma” foi usada pela primeira vez por João da Cruz (1542-1591), frade carmelita mítico, para falar daquele momento em que o cristão experimenta a sensação de que Deus se ocultou deles.

Os Puritanos tomaram a expressão por empréstimo e a resignificaram. R. C Sproul explica bem este momento como uma crise de fé, quando uma pessoa experimenta a ausência de Deus.[3] É um momento onde somos assolados por um sentimento do afastamento de Deus, quando percebemos que ele escondeu seu rosto de nós.

O que fazer quando Deus resolve esconder seu rosto de nós? Quando parece que não ouve as nossas orações? Quando não parece se importar conosco? Qual o caminho que nos conduz da noite escura do lamento, do vale da sombra da morte ao cume da montanha? Isso está revelado aqui neste salmo. Nele Davi revela sua profunda tristeza, sua dor e a sua exultação no Senhor.

Não podemos relacionar este salmo a nenhum evento ou período especial da história de Davi. Kirkpatrick associa o salmo ao período na vida de Davi quando era um foragido caçado pelo invejoso rei Saul (1 Sm 27.1), outros comentadores, porém, pensam que o contexto remete à sua fuga de Davi de Absalão, seu filho. Realmente não importa, o que está expresso neste salmo são os mais profundos anseios de uma alma perturbada. Uma alma que sai do vale das lamentações e sobe à montanha da exultação e nos ensina o caminho das pedras.

1.     A SITUAÇÃO DO SALMISTA, v.1,2
Robert Baron em seu livro “Anatomia da Melancolia” afirmou: “se há um inferno na terra, ele se encontra na melancolia do coração do homem”. O que o salmista experimenta aqui é um momento em que Deus silencia e, então o medo e a dúvida falam alto em seu coração.
A dor de Davi:

a)     Ele se sente desamparado, v. 1. Nada fere mais a alma que a sensação de desamparo, a sensação de exclusão. Davi sente que Deus se esqueceu (hb shakach, esquecer, ignorar) dele. Ele sente que Deus escondeu (hb cathar, ocultar, esconder) dele o seu rosto, isto é, já não ouve as suas orações. Ele sente que Deus o ignora deliberadamente.

b)     Ele se sente perturbado, v.2. As versões em português não expressam bem o sentimento do salmista, “encherei de cuidados a minha alma”, VIBB, “relutando...”, ARA, “relutarei...”, A21, “consultarei”, ARC e ACF, “inquietações”, NVI ou “sofrimento”, BJ. O termo usado significa que um turbilhão de pensamentos assolava a mente e açoitava as emoções de Davi. A palavra “tristeza”, no hebraico yagon, que vem logo a seguir refere-se a uma aflição mental e emocional.

c)      Ele se sente ameaçado, v.2b. Davi percebe que seu inimigo se levanta diante dele e não há quem o impeça ou mesmo quem o restrinja. Seu inimigo tem sido bem sucedido em algumas ações contra Davi e ele teme pela sua vida. 

Davi está pasmo diante do silêncio de Deus. Davi está perplexo diante da aparente inação ou indiferença da parte de Deus em relação às circunstâncias que ele está vivendo. Essa perplexidade não é pecado. Ela é resultado da experiência com o Deus ausente. Em sua perplexidade Davi questiona a Deus, pelo menos quatro vezes “até quando”? Outros homens de Deus quando em perplexidade, também usaram das mesmas perguntas, Jó, o patriarca, Jó 13:24, Etã, o ezraíta, Sl 89:46, Asafe, músico e profeta, Sl 74.10, e o profeta Habacuque, Hq 1.2.

Deus se esconde:
Precisamos saber que servimos a um Deus que se oculta, Is. 45:15; 30.7. Na Bíblia, há duas razões para que Deus esconda de nós o seu rosto:

·         Algumas vezes Deus se oculta por causa dos nossos pecados, Is 1:15; 59:2. O nosso pecado é como um muro que nos separa de Deus. Um véu encobrindo de nós o rosto de Deus. Contudo, não parece ser este o caso de Davi.  

·         Outras vezes Deus esconde seu rosto para nos disciplinar. Davi já havia experimentado isso em outra oportunidade, Sl 30:6,7. Muitas vezes Deus oculta seu rosto para mostrar que não somos tão firmes quanto pensamos, deixando evidente a nossa dependência dele.

Na Confissão de Fé de Westminster (XVIII.4) se menciona que embora o eleito não perca a sua salvação, sua certeza pode ser abalada em Deus desviar dele a luz do seu rosto. Na Confissão de Fé Batista de 1689, os mesmos termos aparecem:

4. Os crentes verdadeiros podem ter a sua certeza de salvação abalada, diminuída ou interrompida, de diversas maneiras: por negligência na preservação dessa certeza; por caírem em algum pecado específico, que fere a consciência e entristece o Espírito; por uma tentação súbita ou veemente; por Deus retirar de sobre eles a luz da sua presença, permitindo que mesmo os que O temem caminhem em trevas, que não tenham luz. Contudo, eles jamais ficam destituídos da divina semente 16 e da vida de fé, do amor de Cristo e dos irmãos, da sinceridade de coração e da consciência do dever. É a partir dessas graças, por obra do Espírito, que a certeza da salvação pode ser revificada, no devido tempo; e, mediante elas, os crentes são preservados de um total desespero.

Essa era a expressão de fé dos antigos puritanos, com base em muitos textos das Escrituras.

A questão é: O que você fará quando Deus silenciar? Quando ele esconder de você o seu rosto?

Eu recomendo que você faça como Davi e como os santos do passado: verbalize essa perplexidade, essa dúvida, essa angústia a Deus em oração. Note quantas perguntas há neste texto. Quatro vezes ele começa com “até quando...?”. Spurgeon diz que este salmo deve se chamar “salmo até quando?” Aqui Davi se mostra seu profundo sofrimento diante das circunstâncias, mas muito perturbado com a aparente indiferença da parte de Deus. O salmista desconhece um tipo de espiritualidade em que sempre Deus está à nossa disposição. O salmista não tem receio de apresentar a Deus seus mais profundos sentimentos de desamparo quando da sua maior necessidade. Isso é oração real.

2.     ORAÇÃO DO SALMISTA, v 3,4
As palavras de Davi aqui são reveladoras. Em meio às circunstâncias ele redescobre um Deus pessoal e o busca em oração. Andrew Fuller comentou que nesse momento Davi olha para fora de si por consolação. Note que a fase dos questionamentos passou, embora as trevas ainda permaneçam. Spurgeon diz que essa oração é uma “oração adequada para (1) Todo pecador ignorante. (2) Todo aquele que busca salvação. (3) Todo aprendiz na escola de Cristo. (4) Todo crente experimentado. (5) Todo santo que está morrendo (B. Davies)”. Davi faz três pedidos a Deus:

A oração de Davi:
a) Atenta, v. 3. Literalmente seria “olha”. Sua primeira petição é para que Deus se volte para o seu servo. Esta expressão revela o temor do salmista de que Deus não intervirá sem que seja solicitado. Deus pode esconder seu rosto para que experimentemos o desamparo e recorramos a ele, abandonando a nossa falsa autossuficiência.

b) Responde-me, v. 3b. O seu segundo pedido para que Deus responda às suas orações. Percebemos aqui um clamor urgente pela resposta pela qual se insiste, cf. 1 Rs 18:37; Sl 4.1; 27.5; 55:2; 69.13,16,17, etc. Na maioria das vezes nem nos lembramos das nossas orações, como poderíamos pedir que Deus respondesse?

c) Ilumina-me, v. 3.c. O terceiro pedido é por iluminação. O que significa essa iluminação? Essa expressão significa um pedido de livramento (Sl 18.28), entendimento (Sl 19.8; 119.130,135), refrigério (Ed 9.8) ou bênção (Nm 6.24-26). Mas o sentido aqui parece ser o de salvação (Sl 80.3,7,19).

A base da oração de Davi:
Os pedidos de Davi visavam a sua libertação, mas estavam muito mais ligados à própria honra de Deus. A base da sua oração não era a sua libertação, mas o que isso redundaria em glória a Deus, v.4. Ele era o rei ungido por Deus e se fracassasse, o nome de Deus seria ridicularizado. Por isso pede que o Senhor não permita que o inimigo tenha a alegria de vê-lo fraquejar. O termo “vacilar” (ARA) tem o sentido de oscilar, perturbar-se, estremecer. Se Davi começasse a vacilar o povo poderia pensar que Deus não era capaz de cumprir a sua promessa. Por isso ele ora com base na honra de Deus.

A oração não provoca uma mudança em Deus, mas opera uma mudança na atitude de Davi. A oração verdadeira é aquela que muda aquele que ora. Se nossas orações não nos afetam, não provocam mudanças em nós é porque não estão sendo ouvidas por Deus.

3.     A FÉ DO SALMISTA, v.5,6
Observe atentamente as palavras destes versículos. Observe como começa. A situação ainda não mudou, mas veja como Davi age. Ele não permite que as circunstâncias ou pessoas definam o suas atitudes.

a) Ele confia na graça de Deus, v.5. Davi confia que embora Deus tenha escondido o seu rosto, não escondeu a sua mão. Davi recorre à graça presente do Deus ausente. A palavra “confio” é um dos termos usado nos Velho Testamento para expressar confiança ou dependência. Expressa aquele bem estar e segurança resultante de possuir algo ou alguém em quem depositar confiança. A LXX traduziu o termo por “elpizo”, cujo sentido é o de esperança em sentido positivo de descansar em Deus. Davi deixou a estação temor e partiu para a estação fé. Ele substituiu a face oculta de Deus pela presença amorável de sua graça.

b) Ele se alegra na salvação de Deus, v,5b. Pouco antes o seu coração estava tomado de medo e confusão de sentimentos pela ausência de Deus, agora o salmista experimenta alegria advinda da certeza da salvação de Deus. O céu pode estar escuro, as nuvens podem encobrir o sol, mas não podem extingui-lo. Deus pode ter escondido o seu rosto, mas ainda é o Deus que salva. Alegria da salvação é independente das circunstâncias.

c) Ele adora ao Deus da providência, v.6. O lamento deu lugar ao cântico que percebe o sorriso escondido de Deus na providência mais dura. Mesmo em meio ao sofrimento, Davi diz que Deus tem feito muito bem a ele.  

A situação de Davi não mudou, mas Davi mudou. Parou de olhar seus sentimentos, para as circunstâncias e seus adversários e olhou para Deus pela fé.  Ele pôs os olhos de quem nunca deveria tê-los tirado, do Senhor.

CONCLUSÃO
Alguns princípios para nós:

1. Servimos a um Deus que algumas vezes pode se ocultar de nós.
2. Verbalize a Deus a sua perplexidade.
3. Ore com base na honra de Deus
4. Confie no Deus “ausente”, mas da graça presente.
5. Busque alegria em Cristo.
6. Adore a Deus mesmo em meio à sua perplexidade.




[1] Sermão proferido em 26/01/2014
[2] http://www.christianitytoday.com/ct/2005/december/15.80.html
[3] https://pjmiller.wordpress.com/2008/03/15/rc-sproul-the-dark-night-of-the-soul/