segunda-feira, 13 de julho de 2015

PAIXÃO PELAS ALMAS - Aprendendo com Charles Spurgeon a Ganhar Almas


Silas Roberto Nogueira

Notas do Sermão Biográfico proferido na Comunidade Batista da Graça


Provérbios 11:30

Charles Haddon Spurgeon nasceu em 19 de junho de 1834, em uma pequena casa no condado de Kelvedon, Essex, sul da Inglaterra. Seu pai, John, era ministro congregacional e sua mãe, Eliza, era reconhecidamente uma mulher piedosa. Seu avô, James Spurgeon, foi um fiel ministro congregacional em Stambourne durante mais de duas décadas e uma poderosa influência em sua vida. Ele possuía em sua biblioteca muitas obras dos puritanos e o jovem Charles, sempre dado à leitura, pode lê-los, especialmente John Bunyan (O Peregrino) e Joseph Alleine (Guia Seguro para o Céu).

Embora tivesse nascido em um lar piedoso, tido contato com tão boa literatura, Charles seguia sem ainda ter entregue sua vida à Cristo. Sua conversão se deu somente aos 15 anos, em 6 de janeiro de 1850, numa igreja metodista na qual entrou para abrigar-se de uma nevasca. O sermão naquela manhã foi baseado em Isaías 45:22. O pregador instou com Spurgeon que olhasse para Cristo com fé, como o texto ordena. Ele olhou e foi salvo.  Em 4 de abril de 1850 foi admitido à comunhão da Igreja Batista em St Andrews.[1] Sua adesão aos batistas por causa de suas convicções quanto ao modo e significado do batismo rendeu certa tensão familiar, visto seus pais serem congregacionais. Seu pai chegou mesmo a aconselhá-lo sobre as questões concernentes ao batismo[2] e sua mãe chegou a dizer-lhe “ah, Charles, eu sempre orei para que o Senhor fizesse de você um cristão, mas nunca pedi que você se tornasse um batista!”. Ele respondeu com sei humor característico: “ah, mãe, o Senhor respondeu à sua oração com a sua prodigalidade usual, e lhe deu muitíssimo acima do que a senhora pediu e pensou!”[3]

Pouco depois da conversão, Spurgeon começou a ensinar na Escola Dominical e a pregar. Seu dom para a pregação foi imediatamente reconhecido. Com apenas dezessete anos, Spurgeon foi feito pastor de uma pequena igreja Batista rural no vilarejo de Waterbeach.  Sob o curto ministério de Spurgeon a igreja cresceu rapidamente indo de 50 para 400 membros ao final do seu ministério ali depois de dois anos.[4]

Em 18 de dezembro de 1853, Spurgeon foi convidado a pregar na maior e mais famosa igreja Batista de Londres, a New Park Street Chapel. Homens ilustres pastorearam ali, Benjamim Keach (1640-1704), John Gill (1697-1771) e John Rippon (1750-1836), mas agora a igreja não tinha pastor e estava em franco declínio.  Ele foi empossado pastor nessa igreja quando ainda tinha apenas 19 anos e exerceu ali um ministério frutífero até sua morte em 1892. Apenas dois anos depois, em 1855, o templo teve que sofrer algumas reformas aumentando a sua capacidade em mais 400 lugares. Em 1856, a igreja já contava com mais de 800 membros. No ano seguinte, 1856, mais de 1000 pessoas congregavam ali, e em 1874 o número de membros passava de 4000. Em 1861 foi construído o Tabernáculo Batista, com capacidade para mais de 5 mil pessoas sentadas. Em 1886, mais de 10 mil pessoas haviam sido batizadas sob o ministério de Spurgeon!

Durante algum tempo as reuniões aconteceram no Exeter Hall, um enorme prédio público para 4 mil pessoas assentadas e mil em pé. Mas mesmo esse local mostrou-se insuficiente para abrigar as multidões que vinham ouvir Spurgeon. Por isso as reuniões passaram para o Salão Musical Surrey que tinha capacidade para 12 mil pessoas. No primeiro culto celebrado ali, em 19 de outubro de 1856, todos os espaços foram ocupados. Mas ali sucedeu uma tragédia, pois alguém na galeria deu alarme falso gritando: fogo![5] Houve pânico e, muitos foram feridos e vários outros morreram. Isso abateu profundamente Spurgeon, que era dado já à depressão.[6] Os cultos no Surrey, entretanto, só pararam em dezembro de 1859, porque Spurgeon soube que teria que dividir espaço com espetáculos.

Em 1861 o Tabernáculo Metropolitano foi oficialmente inaugurado. Acomodava 6 mil pessoas sentadas e esteve sempre lotado em cada culto sob o ministério de Spurgeon. Houve tempo em que Spurgeon solicitava que cada membro faltasse a um culto a cada trimestre para dar mais espaço para os visitantes incrédulos se assentarem. Quando o Tabernáculo passou por reformas para ampliação em 1867, os cultos passaram para o Agricultural Hall, mais de 20 mil pessoas assistiam os cultos dominicalmente.

Mas o ministério de Spurgeon não era somente dedicado à pregação. Ele dedicava-se a escrever, fundou uma Escola de Pastores, orfanatos, albergues para pobres e asilos. Para termos uma ideia, as instituições ligadas ao ministério de Spurgeon quando catalogadas chegaram a sessenta e seis.[7]

Charles Spurgeon nunca desfrutou de boa saúde, sofria de gota e era dado à depressão. Mas seu estado de saúde agravou-se consideravelmente quando se envolveu em uma polêmica acerca do afastamento dos batistas das sãs doutrinas[8], a chamada “controvérsia do declínio”. Ele mesmo declarou em outubro de 1891: “a luta está me matando”.[9] Veio a falecer em Mentone, na França, em 31 de janeiro de 1892.

Não posso deixar de falar sobre a esposa de Spurgeon, Susana. Ele a conheceu ali mesmo em sua igreja. Casaram-se em 8 de fevereiro de 1856, quando ele tinha 22 anos de idade. Eles se completavam perfeitamente. Eles tiveram filhos gêmeos, Charles e Thomas, e logo após o parto Susana ficou gravemente enferma, semi-inválida, e essa condição durou muitos anos. Embora nesse estado, administrava bem a casa e cuidava do marido e filhos. Foi ela quem deu início a uma das mais importantes obras ligada ao ministério de Spurgeon, o Fundo de Livros e o Fundo de Auxílio para Ministros pobres. Ela empenhou dinheiro do próprio bolso comprando livros do marido e os enviando a ministros carentes em diversas partes do mundo. Milhares de livros e pastores foram ajudados por esse importante ministério. Ela faleceu em 22 de outubro de 1903 em decorrência de uma forte pneumonia.

É difícil falar de Spurgeon em poucas palavras. Seu ministério foi superlativo, incomparável. É igualmente difícil enfocar um aspecto apenas do seu ministério, contudo se há algo que sobressaí em tudo o que ele realizou era a sua ardente paixão pelas almas. Ele foi acima de tudo um ganhador de almas. Lloyd-Jones chegou a considera-lo o “maior evangelista do século” 19 [10] e realmente ele foi isso, um evangelista. Vamos aprender com esse gigante algumas lições sobre evangelização.



EXPOSIÇÃO
Durante o tempo do seu ministério em Londres, Spurgeon recebeu em sua igreja quase 11 mil pessoas mediante o batismo. No total estima-se que em seu ministério Spurgeon tenha pregado pessoalmente a quase 10 milhões de pessoas.[11] Mas o enfoque evangélico de Spurgeon estava longe do modelo atual de evangelização. Podemos destacar os seguintes pontos de distinção:

1.       A evangelização proposta por Spurgeon era vigorosamente doutrinária
A proposta de evangelização moderna descarta a doutrina, pois para muitos a doutrina é um empecilho à evangelização. Spurgeon, sempre muito bíblico, comenta Mateus 28:19 “o ensino começa a obra, e também a coroa”[12] E mais “não creiam... que quando participarem...de campanha de evangelização, deverão deixar de lado as doutrinas do evangelho; pois é quando mais (e não menos) deverão proclamar as doutrinas da graça. Ensinem as doutrinas do evangelho com clareza, amor, simplicidade e franqueza....”.[13] Iam Murray declara: “a força do ministério de Spurgeon estava em sua teologia. Ele redescobriu o que a igreja havia, em sua maior parte, esquecido – o poder evangelístico da chamada doutrina calvinista.”[14]
2.       A evangelização proposta por Spurgeon era cristocêntrica
A evangelização moderna é tudo, menos cristocêntrica. Spurgeon declarou certa feita “se me perguntarem qual o meu credo, penso que devo responder: é Jesus Cristo”....o corpo da divindade a que devo me ater para sempre, que Deus me ajude, é Cristo Jesus, a soma e substância do evangelho, sendo, ele mesmo, toda a teologia...”[15] Cristo é o coração do evangelho, por isso Spurgeon afirmava “quanto menos valor dermos a Cristo, menos se tem do evangelho em que crer...quanto mais desejamos pregar o evangelho, mais precisamos proclamar a Cristo”.[16] Dizia Spurgeon ao seus alunos na Escola de Pastores “...primeiro e acima de tudo devemos pregar a Cristo, e Este crucificado. Onde Jesus é exaltado, almas são atraídas”.[17]
3.       A evangelização proposta por Spurgeon dependia inteiramente da ação divina
Spurgeon cria firmemente na soberania divina. Nos dias de hoje a evangelização se escora nas técnicas e artifícios humanos para produzir conversões. Somos enviados a pregar o evangelho, não a produzir resultados. Spurgeon dizia “desde que a conversão é obra divina, precisamos ter o cuidado de depender inteiramente do Espírito de Deus e de buscar dele poder sobre a mente dos homens”.[18] Aqui entra o valor da oração pela conversão de incrédulos.
4.       A evangelização proposta por Spurgeon visava a glória de Deus
Spurgeon dizia “o nosso grande objetivo de glorificar a Deus deve ser atingido principalmente pela conquista de almas”[19] Contudo, Spurgeon não cedia ao conversionismo, a motivação moderna de produzir resultados. Dizia ele “quer sejam convertidas as almas, quer não, se Jesus Cristo é fielmente pregado o ministro não trabalha em vão, pois é o bom cheiro para Deus, nos que se perdem e nos que se salvam”.[20]
Esses quatro pontos básicos são raramente encontrados na evangelização moderna e por isso mesmo não podemos desprezá-los. Passemos com isso em mente à exposição do texto escolhido tendo em vista três pontos, o primeiro, COMO GANHAR ALMAS, o segundo OS MEIOS PELOS QUAIS SE GANHA ALMAS e o terceiro, PORQUE QUEM GANHA ALMAS É SÁBIO.

1.       COMO GANHAR ALMAS
Vamos analisar a palavra “ganhar”. Ela tem diversos sentidos, dependendo do contexto em que é empregada. A palavra hebraica usada aqui aparece perto de mil vezes no Velho Testamento e pode ter o sentido de “tomar, agarrar, receber, adquirir, comprar, trazer, arrancar” e até mesmo “tomar por esposa”. Mas há pelo menos quatro usos os quais Spurgeon toma como analogia sobre o como ganhar almas:
1.1.  Tomar uma cidade: (cf Js 8:19) a palavra aparece em contexto de ações guerra, quando um exército toma ou ganha uma cidade. Antes que uma cidade seja tomada, ela é cercada. O cerco tem por objetivo minar a resistência da cidade até que se renda. “Pois bem,” diz Spurgeon, ganhar uma alma é muito mais difícil que ganhar uma cidade”.[21] Segundo ele “o conquistador de almas tem de sentar-se diante de uma alma como um valoroso comandante em frente de uma cidade murada, para traçar as linhas de circunvalação, montar as trincheiras e colocar as baterias”. Cada pessoa é como uma cidade murada a qual o evangelista deve cercar e tomar, mas não sem antes estudar uma estratégia para a tomada da cidade da Alma Humana.

Alguns cercos demoram em obter rendição, já outros conseguem ganhar a cidade rapidamente. A história bíblica registra o cerca de Samaria sob Salmaneser, rei da Assíria, 2 Rs cap. 17. Samaria resistiu por três anos e meio, pois tinha abastecimento interno de água e muito mantimento estocado, mas quando o alimento acabou a cidade se rendeu, em 722 a.C.. Nabucodonozor cercou Jerusalém e a tomou em pouco tempo, em 597 a.C., 2 Rs 24:10.

A nossa abordagem deve ser estratégica, deixando a alma sem respostas com argumentação inteligente, bloqueando seus recursos e minando suas fortalezas mentais, 2 Co 10:4.

1.2.  Ganhar uma luta: afirma Spurgeon “quando um grego queria ganhar a coroa de louros ou de hera, via-se obrigado a submeter-se, muito tempo antes, a um período de treinamento.” Além disso, era necessário que pusesse toda sua energia no combate, atento a todas as ações do adversário, busca nocauteá-lo, pô-lo fora de combate.  Como um lutador de artes marciais, o conquistador de almas deve buscar a rendição do adversário por um só golpe ou nocaute técnico. Diz Spurgeon “temd e combater o preconceito deles, com seu amor ao pecado, a sua incredulidade, o seu orgulho... seu sentimento de justiça própria...”[22]

Jacó lutou com o anjo do Senhor no vau de Jaboque até o alvorecer. A refrega terminou quando o Senhor tocou na coxa de Jacó. A partir daí, Jacó nunca mais foi o mesmo tendo até seu nome mudado para Israel.

A nossa luta deve ser até que a alma se entregue. Devemos empenhar-nos e esforçar-nos ao máximo, pois essa luta não se ganha em um só golpe.
1.3.  Conquistar o coração: (cf. Gn 25:1; 4:19; 5:24; 6:2). Tal palavra era usada também no sentido de “tomar” uma esposa. A conquista de um coração segundo Spurgeon era a figura que mais se aproximava “da maneira pela qual temos que levar almas à salvação”. Prossegue ele “o amor é o verdadeiro meio para conquistar as almas... conquistamos pelo amor. Ganhamos corações para Jesus amando-os, compartilhando as suas tristezas, preocupando-nos ansiosamente com o fato de que poderão perder-se, rogando a Deus de todo coração para que não sejam deixados morrer sem a salvação...”[23] Não conquistamos tais corações para nós mesmos, mas para Cristo.

O servo de Abraão, Eliezer, estava incumbido da difícil tarefa de conquistar uma noiva para Isaque, Gn 24.  O puritano Richard Sibbes refere-se ao oficio do ministro como sendo o do galanteador “casamenteiro ajustando o casamento entre Cristo e as almas cristãs”[24]

Spurgeon assinala que a função daquele que evangeliza “é recomendar o seu Senhor e as riquezas do seu Senhor, e depois dizer às almas: ‘querem unir-se a Cristo em matrimônio?”[25]

1.4.  Caçar ou pescar: essa palavra também se refere à caça e pesca. Tanto para caçar quanto para pescar é preciso certa capacidade para atrair o animal ou o peixe. Declara Spurgeon “devemos ter nossas iscas para almas, próprias para atrair, fascinar e prender. Temos que sair levando visgo, arapucas, redes e iscas para podermos pegar almas humanas”.[26]

Cristo disse que faria dos seus discípulos pescadores de homens, Mt 4:19. Segundo alguns, tais palavras são ecos do provérbio que estamos estudando. O cristão é basicamente um pescador e todo dia é dia de pescar.

A questão básica é: ao sair de casa você sai preparado para fisgar algum peixe?

2.       MEIOS PELOS QUAIS GANHAR ALMAS
O segundo ponto que podemos destacar são alguns meios pelos quais ganhar almas. Contudo, Spurgeon anota quatro elementos básicos necessários ao ganhador de almas:
(a)     É necessário que ele creia em conversões
(b)    É necessário que ele se mantenha apegado à verdade salvadora
(c)     É necessário que ele esteja seguro que sua própria alma já foi ganha.
(d)    É necessário que ele seja apegado à oração
A verdade para a qual Spurgeon chama a atenção é que a obra da evangelização pode ser executada por qualquer membro do corpo de Cristo. Não há ninguém desqualificado para esse ofício, dizia Spurgeon “...você têm diferentes dons. Espero que utilizem todos eles. Talvez alguns de vocês, conquanto membros de igreja, achem que não tem dom nenhuma. Mas, todo crente em Cristo tem seu dom e sai parte na obra”. [27] Que poderão fazer para ganhar almas?

2.1.  Convide pessoas para ouvir o evangelho. Essa é uma tarefa negligenciada por muitos na atualidade. Para aqueles que acham que não podem pregar, diz Spurgeon, que podem ao menos colocar os “outros ao alcance do som do evangelho”.[28] Diz mais ainda “que bênção seria para vocês, saber que aquilo que não puderam realizar pessoalmente, pois têm dificuldades para falar de Cristo, foi realizado mediante o seu pastor, pelo poder do Espírito Santo, por terem vocês levado alguém para a linha de fogo do Evangelho!” Ele ainda exorta aqueles que reclamam da igreja estar vazia: “não se queixem da pequena congregação; façam-na crescer. Levem alguém ao próximo sermão, e em seguida o número de frequentadores aumentará.”[29]

Pedro foi trazido à Cristo por seu irmão André, Jo 1:32-42. Não estou dizendo que André tivesse alguma dificuldade de pregar, mas ele conduziu Pedro à Cristo e Pedro, posteriormente conduziu milhares à Cristo. André teve uma participação indireta na salvação dessa multidão e não ficará sem galardão.
Devemos convidar amigos, parentes e conhecidos, coloca-los sob o alcance do evangelho e orar para que sejam eficazmente atingidos.

2.2.  Seja acolhedor. Spurgeon dizia que o ganhador de almas deveria falar com os visitantes após o culto. Diz ele “pode ser que o pregador tenha errado o alvo, mas não é necessário que vocês errem. Ou talvez o pregador tenha acertado, mas vocês podem ser de ajuda, aprofundando a impressão causada, com uma palavra amável.” Spurgeon entendia que os membros da igreja deveria ser acolhedores, de modo que a palavra pregada aos seus ouvidos, com tal atitude poderia ser introduzida ao coração.[30]

Augustus Nicodemus Lopes num artigo escreveu “ser simpático, acolhedor, convidativo, atraente, interessante não é pecado e nem vai contra as confissões reformadas e a tradição puritana. Igrejas sisudas com cultos enfadonhos nunca foram o ideal reformado de igreja”[31]

2.3.  Dedique-se a ganhar uma alma entre amigos e parentes: devemos aplicar-nos a ganhar uma pessoa ao menos, especialmente do nosso rol de amigos e parentes. Pode parecer pouco, mas não é. Spurgeon lembra o exemplo de Cristo que investiu na evangelização da samaritana. Observa com perspicácia: “quando ele concluiu o Seu sermão, tinha de fato beneficiado toda a cidade de Sicar, pois aquela mulher se fizera missionária para seus conhecidos”. Spurgeon reconhece que alguns enfrentam grande dificuldade na evangelização, contudo diz ele “devemos estudar e praticar a arte de lidar pessoalmente com os não convertidos. Não nos desculpemos; ao contrário, imponhamo-nos a nós mesmos a pesada tarefa, até que se torne fácil. Este é um dos modos mais honrosos de ganhar almas”.[32]

Filipe deixou sem detença as multidões de Samaria para estar com o eunuco etíope, At 8:26ss.

2.4.  Uso das redes sociais: Spurgeon incentivava as pessoas que tem alguma dificuldade na evangelização a escreverem cartas. Diz ele “algumas linhas escritas com amor podem constituir influência das mais benéficas....Jamais se fez melhor uso de tinta e pena do que na conquista de almas para Deus. muito se tem feito com esse método”[33] Se estivesse vivo hoje, certamente recomendaria o uso das redes sociais e e-mails na evangelização.

Uma pesquisa feita no Reino Unido indica que 64% das pessoas usam as redes sociais para evangelizar. Essa é a chamada evangelização indireta.

2.5.  Pregando com a vida: uma vida digna é uma maneira eficaz de evangelizar. Muito se pode comunicar com um comportamento evidentemente cristão. Diz Spurgeon “é um belo modo de pregar este...pregar com a nossa vida, com a nossa conduta, com a nossa conversação.” Ele apela “deem-nos o seu viver santo, e com o seu santo viver como alavanca mudaremos o mundo”

Spurgeon ilustra “o evangelho parece um tanto  com um jornal ilustrado. As palavras do pregador são a letra impressa, e os clichês ilustrativos são os homens e mulheres que formam a nossas igrejas. Quando o povo pega um jornal desses, muitas vezes não le o texto impresso, mas sempre olha as figuras; o mesmo acontece na igreja, os de fora talvez não venham ouvir o pregador, mas sempre ponderam, observam e criticam as vidas dos membros da igreja”.[34]

3.       PORQUE QUEM GANHA ALMAS É SÁBIO
Há pouca coisa a dizer aqui, mas podemos dizer sem medo de errar que:

3.1.  O que ganha almas é sábio porque assim a Bíblia o diz. Não é uma afirmação qualquer, mas é uma afirmação bíblica! Provém dos lábios do homem mais sábio que já existiu. Sendo pois um provérbio do seu tempo, é certo que surgiu pela observação, portanto a experiência o comprova. Não há o que discutir, a Bíblia assim o diz!

3.2.  O que ganha almas é sábio porque a obediência é sempre evidência de sabedoria. Temos ordens expressas na Bíblia para pregar o evangelho, Mt 28:19,20. Cumprir tal injunção  é uma clara demonstração de sabedoria, visto que a desobediência é sempre castigada.


3.3.  O que ganha almas é sábio porque almas são mais valiosas que qualquer coisa. Quando investimos em uma alma que seja estamos fazendo um investimento duradouro, mais valioso que  qualquer coisa que o mundo posso oferecer.


A paixão evangelística de Spurgeon era sem igual, nunca arrefeceu. Ele cria firmemente na doutrina da soberania divina, mas jamais deixou de chamar os homens ao arrependimento. Ele demonstrou em sua vida que não há conflito algum entre calvinismo e evangelização. Ganhar almas glorifica a Deus e Spurgeon tinha a glória de Deus por objetivo. Devemos seguir-lhe as pegadas! Comecemos já a ganhar almas!





[1] LAWSON, S. , O foco evangelístico de Charles Spurgeon, Fiel, p. 24
[2] ANGLADA, P, Spurgeon e o evangelicalismo moderno, Puritanos, p. 4
[3] DALLIMORE, p.46
[4] ANGLADA, p. 5
[5] MURRAY, I, O Spurgeon que foi esquecido, PES, p. 48
[6] LLOYD-JONES, Depressão espiritual, PES,p.18
[7] DALLIMORE, p. 195
[8] LLOYD-JONES, Depressão espiritual, p. 192
[9] MURRAY, O Spurgeon que foi esquecido, p.198
[10] LLOYD-JONES, Os puritanos, p. 136
[11] LAWSON, p. 34
[12] SPURGEON, O conquistador de almas, PES, p.5
[13] Id, p.6
[14] LAWSON, p. 55
[15] LAWSON, p.98
[16] Id., ibd.
[17] SPURGEON, Lições aos meus alunos, PES, Vol 1, p.206
[18] Id. ,p. 205
[19] Id., p.204
[20] Id., ibd.
[21] SPURGEON, O conquistador de almas, PES, p. 160
[22] Id.p.162
[23] Id., pp.162,163
[24] MURRAY, I, Spurgeon versus hipercalvinismo, PES, p. 69
[25] Id.p. 146
[26] SPURGEON, O conquistador de almas, p. 163
[27] Id. p.165
[28] Id. p.,166
[29] Id. ibd.
[30] Id. p. 167
[31] http://tempora-mores.blogspot.com.br/2007/08/dez-motivos-pelos-quais-pastores.html
[32] SPURGEON, O conquistador de almas, p. 167
[33] Id. p. 168
[34] Id. p. 169

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