quarta-feira, 16 de setembro de 2015

HUMILDADE, a verdadeira grandeza

Silas Roberto Nogueira

Notas do Sermão proferido na Comunidade Batista da Graça, Suzano



Rogo igualmente aos jovens: sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte,
lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.
  
 1 Pedro 5:5-7


Humildade é uma palavra chave no cristianismo. Não se compreende e nem se pode viver o cristianismo sem humildade. A humildade é a marca do cristianismo verdadeiro. A porta de entrada as bem-aventuranças e a porta de entrada da maior das bem aventuranças, a própria salvação. Embora seja tão essencial, o mundo despreza a humildade. A cultura moderna de modo geral valoriza a soberba, o orgulho, a arrogância e não a humildade. A verdade é que o mundo teme a humildade como se ela fosse uma rota contrária ao sucesso, realização pessoal ou à felicidade. Mas não é. A Bíblia afirma que o orgulho é a rota mais rápida para o fracasso, Pv.16:18. Já a humildade precede a honra, Pv. 15:33. A humildade é verdadeira grandeza. A humildade é aquilo que faz com que Deus nos veja, nos conceda sua graça e no seu tempo nos exalte. É sobre a humildade que Pedro trata nos versículos que hoje vamos estudar juntos.

A primeira coisa a fazer é definir o que é humildade, v.5. Neste versículo, a injunção apostólica é que sejamos humildes uns para com os outros. Literalmente o que Pedro diz é que nos revistamos de humildade, como diz a AS21. Humildade é uma palavra chave que abre a porta para a compreensão da mensagem do evangelho. Uma das marcas do cristianismo verdadeiro é a humildade. Agostinho dizia “para os que desejam aprender os caminhos de Deus, a humildade é a primeira, a segunda e a terceira lições.” Mas o que precisamente vem a ser humildade? Precisamos, inicialmente, evitar duas concepções errôneas sobre a humildade. A primeira é aquela entende que a humildade é a negação pura e simples de dons, capacitação e virtudes pessoais. Humildade não é menosprezo.  A segunda é aquela que entende a humildade como mera rejeição de prêmios, coroas ou elogios. Humildade não é auto desclassificação. Uma definição simples de humildade é oferecida pelo crítico social Os Guinness: “humildade... é realismo a respeito de nós mesmos e confiança em Deus”. (Os sete pecados capitais, Shedd, p. 65). Essa definição está de acordo com aquilo que o apóstolo Paulo afirma em Romanos 12:3. Assim sendo, a humildade é basicamente uma visão correta ou equilibrada acerca de si mesmo e uma visão correta acerca de Deus. Humildade é honestidade acerca de nós mesmos e acerca de Deus. É saber quem somos e principalmente saber quem é Deus.

O puritano John Flavel afirmava com sabedoria meridiana: “os que conhecem a Deus serão humildes; os que conhecem a si próprios não podem ser orgulhosos”. John Owen afirmava “há duas coisas apropriadas para humilhar a alma dos homens... uma reflexão exata sobre Deus, e depois sobre nós mesmos”.

A diferença entre Deus e o homem é que Deus sabe que não é homem. Dizia C. S. Lewis com sabedoria que “o primeiro passo rumo à humildade é o reconhecimento do nosso orgulho”. Reconheça o seu orgulho, a sua arrogância. Olhe para si mesmo com honestidade e olhe para Deus como as Escrituras o revelam.

O segundo ponto que quero destacar é a razão pela qual devemos ser humildes, v.5.  Bem, devemos ser humildes obviamente porque é um mandamento bíblico. Mas o que é maravilhoso nas Escrituras é que as suas injunções são sempre acompanhadas de uma explicação, de uma razão. Há diversas razões para sermos humildes, Pedro nos oferece duas, e as mais importantes:

Deus resiste aos soberbos. Uma das coisas que devemos saber sobre a humildade é que você a possui ou não. Ou você é humilde ou é arrogante. No caso de não ser humilde, tenho uma péssima notícia para lhe dar: Deus se opõe a você. Pedro está citando o Velho Testamento, Pv 3:34. A palavra que ele usa aqui tem o sentido de alguém que se opõe, que oferece resistência, faz força na direção contrária. Nas palavras de Jesus a resistência de Deus tem por objetivo humilhar o soberbo, Lc 14:11. E sabe o que mais? O verbo está no tempo presente e na voz ativa. Isso significa que a oposição divina a quem é arrogante é uma atividade imediata e contínua. A falta de humildade não fica impune, Sl 18:27; 31:23; 146:6. A falta de humilde coloca Deus contra nós, não ao nosso lado.

Deus dá graça aos humildes. O que Pedro diz aqui é que Deus se põe ao lado daqueles que são humildes. O fato é que a humildade atrai a atenção de Deus – “mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e o que treme da minha palavra”, Is 66:2. Você entende o sentido dessas palavras? Basicamente isso significa que: (1) Deus considera os humildes (Sl 138:6), (2) ouve seus clamores (Sl 9:12; 10:17), e (3) ele se faz presente com Eles em todos as circunstâncias de suas vias (Is 57:15). C. J. Mahaney declara “Deus é, decididamente, atraído pela humildade. Uma pessoa humilde é aquela que atrai a atenção de Deus, e, neste sentido, atrair a atenção dele também significa atrair sua graça...” (Humildade, p.21,22).

John Blanchard diz que “Deus pensa mais no homem que pensa menos em si”. A humildade é a porta de entrada as bem-aventuranças, Mt 5:3. As portas do reino de Deus se abrem aos humildes, mas estão cerradas aos soberbos.

Dr. Martyn Lloyd-Jones afirma “a humildade está entre as principais de todas as virtudes cristãs; ela é a marca registrada do filho de Deus”. Porventura temos nós esta marca?

O terceiro ponto que pretendo destacar sobre a humildade é que ela se traduz em ações práticas, duas delas são referidas aqui, v.6,7. O Rev. Elben M. Lenz César fala com propriedade quando diz que a humildade “não é inatividade, mas uma atividade comandada e alimentada pela sabedoria e pela providência de Deus.” Pedro deixa claro aqui que a humildade se traduz em ações práticas, vejamos:

Resignação diante das circunstâncias adversas, v.6. Em toda sua Epístola Pedro trata da questão do sofrimento e aqui não é diferente. O humilhar-se sob a potente mão de Deus é aceitar a porção de sua santa providência com a certeza de que a seu tempo Ele agirá de modo favorável e reverterá a situação. A frase “a seu tempo” quer dizer literalmente “no momento oportuno”. Warren Wiersbe comenta: “Deus nunca exalta uma pessoa até que esteja pronta para isso. Primeiro a cruz, depois a coroa; primeiro o sofrimento, depois a glória. Moisés passou quarenta anos sob a mão de Deus antes de ser enviado para livrar os hebreus do Egito, José passou pelo menos treze anos sob a mão de Deus antes de ser exaltado ao trono”. Uma das evidências do orgulho é a impaciência com Deus, e um dos motivos pelos quais sofremos é para aprender a humildade (Dt 8:1-20; Lm 3:20-21).

Lançar sobre o Senhor toda nossa ansiedade, v.7. A ansiedade afeta, segundo pesquisas da Organização Mundial da Saúde, cerca de 20% da população da região metropolitana de S. Paulo. A pesquisa também revelou que as mulheres têm mais propensão à ansiedade. No país todo, mais de 10 milhões de pessoas sofrem com ansiedade e ao redor do mundo os números de pessoas que sofrem com ansiedade só faz aumentar. Ansiedade é preocupação. Ansiedade é sofrer por antecipação. Ansiedade é aquela preocupação com o suprimento de amanhã que consumirá toda a nossa energia impedindo que experimentemos as bênçãos do suprimento de Deus hoje, Mt 6:25ss. A pessoa ansiosa acrescenta o problema de amanhã aos de hoje, causando inquietação e sofrimento à sua alma, Mt 6:34. Alimentar a ansiedade é pecado, Fp 4:6.

Stanley Jones, missionário na Índia, afirmava “preocupação é pecado contra o cuidado amoroso do Pai”. Estar ansioso é demonstrar soberba, orgulho. Essa foi uma dura lição para mim. C. J. Mahaney comenta “onde há preocupação e ansiedade, há também orgulho na raiz do problema. Quando fico ansioso, a questão principal é minha tentativa de ser autossuficiente”. Ora, Deus se dispõe a carregar os nossos fardos, Ele quer aliviar-nos e nós não aceitamos isso quando estamos ansiosos. Somos ou não somos orgulhosos? Ele diz: “eu te ajudo” e nós dizemos a Deus – “não, muito obrigado, posso cuidar de mim mesmo”. Pedro explica o porquê devemos lançar nossas ansiedades sobre o Senhor, “ele tem cuidado de vós”. Literalmente isso significa “ele se importa com vocês”.

Quando carregamos nossos fardos de ansiedade negamos o cuidado do Senhor sobre nossas vidas. Precisamos nos lembrar das palavras de John Blanchard  acerca de ansiedade “a ansiedade nunca fortalece você para o amanhã; ela apenas o enfraquece para o dia de hoje”. A ordem é lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, não fazer isso é uma clara demonstração de orgulho.


Para concluir, a questão final é: como podemos desenvolver a humildade? Se quisermos mesmo manifestar humildade deve haver de nossa parte uma resoluta aplicação da verdade. C. J. Mahaney recomenda algumas ações:

Reflita sobre a cruz. A cruz mata qualquer sentimento de soberba que quer se assenhorar de nós. Don Carson conta que perguntou a Carl Henry, um dos mais destacados teólogos do século XX, como ele se tornou uma pessoa humilde. Antes que pudesse anotar, Henry respondeu: “como alguém pode ser arrogante quando fica ao lado da cruz?” Entendeu ou quer que eu desenhe?

Comece o dia reconhecendo que depende de Deus. Controle os seus pensamentos, submeta-os à Cristo, 2 Co 10:5. Afirme mentalmente a sua dependência de Deus. Dr Lloyd-Jones ao pregar no Salmo 42:11 afirmou “você já percebeu que a maior parte da infelicidade em sua vida é decorrente do fato de você ouvir a si mesmo, ao invés de falar consigo mesmo?” Assuma responsabilidade pelos seus pensamentos. Não comungue com pensamentos soberbos;

Tenha comunhão com Deus por meio da oração e leitura da Palavra. Discipline-se a orar e ler a Bíblia todos os dias. É por meio da oração que podemos lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, Fp 4:6,7. É por meio da oração que nos guardamos da soberba, Sl 19:13; 131.  É por meio da Palavra que Deus se revela a nós e nós percebemos quem realmente somos e quão carentes somos dEle e o quão perdidos estamos sem Ele. 



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